quinta-feira, 7 de junho de 2018

Humor | Quem manda levar trabalho para casa? (*)

Um funcionário de uma agência funerária trabalhava à noite para examinar corpos antes de serem sepultados ou cremados.

Certa noite, ele estava examinando o corpo de um homem identificado como José Chagas, que estava para ser cremado, quando descobre que o defunto tem o maior pénis que ele já viu em toda a sua vida.
- Desculpe-me, Sr Chagas - diz o funcionário - mas não posso mandá-lo para o crematório com essa coisa enorme. Ela tem que ser conservada para estudos e para a posteridade...

Com um bisturi, remove o pénis do morto, guarda-o num frasco e vai para casa. A primeira pessoa a quem ele mostra a monstruosidade é a sua mulher.
- Tenho algo inacreditável para te mostrar, querida. Algo que nunca viste e nunca verias se não fosse desta forma. Nem vais acreditar!!!
Abre o frasco e ela, ao ver o conteúdo, grita estarrecida: - Oh, meu Deus, o Chagas morreu???!!!...

MORAL DA ESTÓRIA: Nunca leve trabalho para casa.

(*) Recebido sem identificação de autor. Título do blog Angodebates
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terça-feira, 5 de junho de 2018

(arquivo) Opinião | Vale mesmo a pena ter um cartão de loja?

O senhor já tem o cartão da nossa loja? Abordou-me certa funcionária de uma cadeia de hipermercados na Namíbia. A pergunta soava-me familiar. Respondi que não, que estava ali em gozo de férias e não faria, pois, sentido despenderem custos para um cartão que não seria usado. Dona de um subtil poder de persuasão, a moça convenceu-me, ainda assim, a tratar um. São as tais decisões induzidas num cada vez mais frenético e ardiloso marketing globalizado.

Você não sai de casa com a intenção inequívoca de tratar um cartão de loja. Ouvimos falar dele no convívio social ou, na maioria dos casos, por aquele profissional de boa aparência e verbo, devidamente treinado para o papel. Descontos, bónus, acumulação de pontos. Todos falam de benefícios. E da desvantagem? Será que as lojas se tornaram instituições de caridade, deixaram de perseguir o lucro?

Façamos um pouco de contas. Você já parou para pensar que o cartão de fidelidade (dado aparentemente de graça) é feito tão-só do mesmo material que o cartão multicaixa (obtido mediante desconto de quase mil Kwanzas pela entidade bancária)? Você já pensou que o seu cartão de loja é feito do mesmo material usado na produção de passes de identificação em muitos estabelecimentos? Já agora, quanto é que você ou a entidade patronal paga pela impressão do cartão mesmo? Dou o meu exemplo a contas largas. A emissão normal do passe de acesso custa ao meu patrão anualmente dez mil Kwanzas (ao câmbio de USD 100). A perda implica uma penalização de 40 mil Kwanzas (USD 400).

Alguma vez a loja lhe cobrou pela emissão (normal ou segunda via) do cartão? A resposta é, certamente, NÃO! E já que estamos em maré de generosidades, que tal converter o valor do custo de produção do cartão em bens de consumo? Seria interessante saber quantos consumidores angolanos aderiram aos cartões de fidelidade. Mas, como já é sabido, no campo das estatísticas temos ainda um longo trabalho a fazer. Façamos ao menos uma volta breve pelos websites dos principais operadores comerciais em Angola.

A Maxi, há 21 anos presente no mercado, tem os cartões de cliente Maxi Desconto e Maxi Gold. O site refere que “o cartão Maxi Desconto passou a possibilitar ao cliente acumular descontos sempre que o apresentar no momento de compra.”

Já o do Kero, aberto em 2010, é “pré-pago de fidelização que permite acumular eskebra”. Diz mais: “É fundamental na relação Kero/Cliente, pois permite beneficiar os nossos clientes mais fieis proporcionando-lhes vantagens na sua preferência.”

O site do Candando, aberto em 2015, anuncia que “o cartão Dando Candando permite escolher entre mais de 30 mil produtos alimentares, brinquedos, moda, decoração, tecnologia, bem-estar e muito mais.”

Na Shoprite, multinacional sul-africana, o cartão permite um depósito entre os 500 e os 200 mil Kwanzas, mas sem promessa de bónus nem oferta de nada. Um pouco à semelhança, na província de Benguela, da já falida Sodispal, sucedânea da Catermar.

Para o académico português  José Rousseau, numa reportagem do PUBLICO há três anos, “Estes cartões podem facultar ao retalhista informação directa e fidedigna que mais nenhuma outra ferramenta poderá dar.” Ou seja, “em troca de descontos, acumulação de pontos, ou eventos exclusivos, conseguem obter a informação mais valiosa de todas, determinante para aumentar vendas.”

Numa linguagem mais simples. Como se já não bastassem as câmaras de vigilância, toda a vez que usar cartão, você estará a ser submetido (sem saber) a um inquérito sobre o quanto gasta, com o que gasta, em que dia, e por aí vai. Nada mais é pessoal e íntimo.

Ora, não nos cabendo o papel de julgar, a preocupação é apenas de foro ético.Quem irá monitorar a confidencialidade e o uso adequado da informação recolhida? Terá o cliente, ao aderir ao cartão, noção das posteriores análises feitas ao seu comportamento? Ainda era só isso. Obrigado.

Gociante Patissa | Benguela, 4 Dezembro 2017 | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Diário | Assim vais dizer que estás melhor que eu?!

“Como é, parente, essa disposição é como?”
“É aquela, meu!… E convosco?”
“Ya… Vamos fazer mais como?…”
“Como é, velho, ali no multi-caixa tem papel?”
“Qual papel? De letras finas ou o que tem as caras dos pais dos outros?”
“Este mesmo, o de um morto e um vivo.”
“Nada. Também fui picar, a ver se aquela sujeira já caiu, e nada!”
“Vosso fim do mês continua a atrasar muito?”
“Isso até…”
“É o que te falei naquele tempo: tira voado desse empate profissional de figura pública que apanha poeira na fila do banco quando o salário cai, ainda estavas a mandar vir. Sócio, eu esses mambos de esperar salário no bolso do patrão, tipo mulher doméstica que depende do marido, já descalcei há bwé. Hoje, faço meus business, hã!, empresário por conta própria é outra coisa. A vida minimamente vai...”
“Nessa conversa já estás a ir com água, mô wi! Você já assim também é empresário?! Ó meu, baixa ainda a velocidade do sonho…”
“E vais dizer que não sou um empresário?!”
“Estás sempre a ir com água, ó pai! Empresário vem de empresa, estás as ver, né? Alguém que faz importação, que tem parceiros lá fora. Você tem empreendimento, és um pequeno empreendedor só ainda praticamente. Ou já pagas imposto nas finanças, no banco tens garantia de crédito e eu ainda não sei?!”
“Mas eu pago salários, ouviste?!”
“Hum! Fazes pagamento por biscato, mano, não vamos só se entrar na mente, engordar as ideias. Tipo assim: se é na classe dos carros, você ainda é só um kaleluya, rapaz! Não acabaste bem de ser mota, apesar da carroçaria. São vocês! Só viu uma esquina com seis galinhas, ah porque projecto no sector aviário com vista à diversificação da economia. Xê, você!!! Vai à escola, homem!”
“Sei ler e escrever. Contas é comigo. Assim vais dizer que estás melhor que eu?!”
“Em Setembro o salário dos professores já vai tomar anabolizantes, está no ginásio das finanças a ganhar músculos…”
“Tcha!!!”
“O novo estatuto de conversão da carreira docente é uma promessa! Aquela greve do Sinprof fez alguma coisa. O cágado da justiça vai chegar, lentinho, mas vai… Os outros que ainda abandonaram o estudo e o estado, isso já é com eles…”
“Só agora que vais conhecer dinheiro parece, né? Tudo o que vais comprar eu tenho ou já tive…”
“Será?”
“Eu vivo bem, sócio! Já dei grande passo. Quero resolver a minha vida. Quando atingir os quarenta e cinco anos, não preciso mais trabalhar. Aquilo é só comer, beber do bom e do melhor, muitas miúdas estão à espera. Agora, vens com essa conversa, ah porque tens de estudar?! Depois dos trinta e cinco anos, o tal estudo vou mais levar aonde?!”

www.angodebates.blogspot.com  | Gociante Patissa | Benguela, 04.06.2018
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sábado, 2 de junho de 2018

Crónica | Vida de marginal hoje em dia não está fácil, quanto mais a do polícia…

Cartoon de autor não identificado
Prece solidificar-se a entrada para um ciclo, quando muito quinzenal, de termos de fazer uma tomada pública de posição, por imperativos de consciência, face aos excessos na relação entre o cidadão e o polícia, com alternâncias no papel de carrasco.

Ainda nem faz um mês que condenarmos a morte do compatriota Zacarias Falso, guarda da União dos escritores Angolanos (UEA), detido em serviço por um comandante policial na sequência do furto da placa electrónica da viatura Toyota Fortuner (da cidadã Lúcia Silveira, durante um evento da AJPD-Associação Justiça Paz e Democracia, que ela preside, albergado no espaço da UEA). Zacarias faleceu depois de dar entrada no hospital, vítima de tortura numa das esquadras policiais na capital, supostamente perpetrada (apenas) por três detidos na mesma cela como consequência de ter negado uma tarefa “doméstica” (uma tese longe de ser convincente). Neste caso, ficou mal na foto a polícia.

Mas é na mesma Luanda que pouquíssimos dias depois se deu um caso também digno de repúdio, só que desta vez estando o polícia na condição de vítima. Em pleno serviço, um agente regulador de trânsito aborda uma viatura e a atitude do motorista é insana. Atropela-o. Encontra-se em situação de saúde crítica. Levantamos logo a voz para condenar tal cobardia, tão lesiva quanto é a violência castrense, tantas vezes denunciada.

No dia dedicado à criança, agitam as redes sociais os três minutos de vídeo amador com uma barbárie institucional. Vêem-se um jovem a contorcer-se, aparentemente baleado, e um agente do SIC (Serviço de Investigação Criminal) empunhando uma AK-M. Este faz uns telefonemas e instantes depois entra outro à paisana, que saca da pistola e descarrega letal e à queima-roupa sobre o alegado marginal, ao que se via, desarmado. O morto aparentava ser de camada social desfavorecida, talvez por isso não se conheça a voz da família.

Isto, precisamente no dia em que o presidente da república, João Lourenço, em périplo pela Europa disse em entrevista à Euronews quanto à violação dos direitos humanos, e citamos, “Estamos a trabalhar no sentido de que isso não aconteça. Nos oito meses da minha governação, não sei se existem casos. (...) estarei atento para que isso não aconteça”, fim de citação.

A execução do alegado marginal, à luz do dia e exposta ao trânsito da zona do Benfica em Luanda, divide opiniões. Uns condenam, outros encorajam uma abordagem enérgica no combate ao crime. O certo é que a história está incompleta. A vítima era assaltante? Só hoje ou andava à monte? O vídeo começa e termina no local do abate. Sugere alguma falta de contexto, porém a crueldade do acto faz ela mesma um contexto. A polícia já emitiu comunicado a condenar a acção do agente e promete medidas disciplinares e criminais.

É útil que condenemos. É também útil que nos solidarizemos com os polícias, de modo geral, apelando para um trabalho dentro da corporação na vertente psicossocial de quem arrisca a vida todas as noites para garantir a tranquilidade da maioria, mas que nem por isso tem as condições sociais minimamente asseguradas; aquele que escapa à morte no dever de capturar um marginal e lida com a frustração de o ver logo de seguida livre por aí, em virtude de a entidade competente, o Procurador, não ver evidência que justifique manter a situação carcerária do suspeito. Caso para dizer que se a vida de marginal hoje em dia não está fácil, quanto mais a do polícia… Ainda era só isso. Obrigado.

Gociante Patissa | Benguela, 1 Junho 2018 | www.angodebates.blogspot.com
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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