quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Divagações | Um kapedido só ao kota Celso, agora número dois no Ministério da Comunicação Social, ya?

No dia em que os noticiários propagaram a nomeação do comunicólogo Celso Malavoloneke (CM) para o cargo de Secretário de Estado do Ministério da Comunicação Social (cargo equivalente a vice-ministro), sua excelência eu "embrulha" os parabéns na memória deste encontro que "se dei" com a excelência dele ali pelas bandas do São Paulo, em Luanda, no 31-08-2016. CM junta-se, assim, ao jornalista e escritor João Melo, recém-nomeado Ministro da Comunicação Social, cujo perfil reacende a esperança de se introduzir uma reformulação dos conteúdos e postura dos órgãos de comunicação social públicos. Católico fervoroso e antigo quadro das nações unidas, fora a passagem recente por distintos sectores do governo enquanto assessor, tem um sobrenome proverbial que na língua Umbundu significa Filhos do Tempo, o que pode tanto ser interpretado como alguém que persevera a meio a turbulências da vida ou então, num prisma diferente, alguém cujos caminhos residem no enigma do tempo. Estamos a falar de Malavoloneke (assim grafado mas para se ler /mã-lã-vo-lo-ne-ke/), sobrenome entretanto lido (no som ruidoso da já habitual tendência aportuguesadora dos nossos locutores) como /mala-vo-lo-ne-ke/ (quando na verdade nada tem que ver com malas, mas sim mãlã, significa filhos). Quanto ao kapedido, que não é original, é só não colocar fora da agenda a idosa esperança de abertura da Rádio Ecclesia em Benguela, que mais tarde se reinventou como Diocesana, ya? Ainda era só isso. Obrigado hahaha
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Diário | Mas já foste ao quarto dele. Ou não?

(I)
“Mas, filha! Esse vosso namoro afinal é como, tanto tempo que até já passou – estou a contar mesmo bem – do total dos anos que andou cá o colono português?”
“Assim mais é o quê?! A mãe também chateia muito…”
“Chateia? Mas isso mesmo é homem, que nunca só dá pelo menos a cara nas pessoas que trouxeram ao mundo a miúda que constantemente faz com ele…”
“MÃE!, faxavori, para só, ya? Estou a ver já aonde estás a ir com a conversa…”
“Estou cansada, filha! Você dorme com inimigo. Porque é essa a palavra. Ah porque fomos no KFC; ah, ah porque jantamos no Angry Lion. Ó filha, já viste como entre você e o frango não há diferença? É só comer… não se pergunta mais os pais…”
“Não exagera só mãe. Ele vai cumprir com a tradição. Há-de chegar o dia…”
“Esse dia então é quando?! Mas já foste ao quarto dele. Ou não?”
“Claro que já, né, mãe?!”
“E quem construiu a casa?”
“Mas para quê que vou saber isso… se não sou pedreira?”
“Estás a ver as nossas filhas?… É só ku-duro nesta cabeça… Lá ninguém te valoriza, senão te contavam a história da família.”

(II)
“Mãe! Não viste a visita?! É assim que se atende?! Depois fala que não apresento…”
“Este assim é quem? É outro que veio cobrar a dívida do cabelo brasileiro que a alma d’outro mundo que te namora promete assumir mas nunca chega a pagar?”
“MÃE! Ca-la-a-boca! Por favor, não me faças entrar no chão…”
“Será que falei demais, né?…”
“É ele…”
“Ele mais quem, então?”
“O meu boy. Finalmente estás de cara-à-cara com ele! Boy significa namorado.”
“Ah, entendi. Namorado que só ocupa não toma decisão de casar então é boi, né?”

(III)
“Muito prazer, mãezinha.”
“Demais, até. Imagino. E como se chama o filho?”
“Nascimento da Cunha…”
“Ah, quer dizer que o jovem é que está a estragar o país, né?…”
“Como?”
“Comendo lá ou não, filho, Angola ficou marreca de tanto levar a cunha na cabeça…”
“Hahahah. Adoro o sentido de humor da mãe…”
“E o filho Falecimento trabalha?”
“Nascimento!”
“Ah, desculpa. Nascimento, Falecimento, tudo passa no viver. Trabalha aonde?”
“Na ENDE e colaboro com a RNT… Sou despachador-chefe. Ligamos e desligamos as linhas de luz consoante solicitação de corte para restrições de racionalização…”
“Afinal é o pai que fez queimar a minha arca do negócio de gelado de múkwa?”
“Não é por aí, mãezinha…”
“ACABOU! JOVEM! EM NOME DO POVO ANGOLANO, SAI AGORA MESMO DA MINHA CASA, OK?!”
 www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Lobito, 5 Outubro 2017
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(arquivo) Diário | Entre as desculpas e a cadeira assim vou escolher lá o quê?

"Pai sogro! - primeiro ainda bom dia, né? - É como o passado?"
"Não!, por acaso, mesmo com a ressaca daquele copo que pagaste ontem sem maneiras, ainda o passado lhe passamos bem, conforme é possível com a graça e companhia dos engraçados. Assim é escovar o álcool da boca e ir trabalhar..."
"Para ganhar o pão, não é isso?"
"Não!, por acaso! Se bem que o tal pão já sai com bolor do próprio forno..."
"Pão novo com bolor, meu sogro?"
"Salário sem poder de compra, meu genro?"
"Ah, é verdade. Ainda pensei que é mais uma das àtoíces de falar do pai sogro. Porque o pai quando pega para errar... Mas é assim, vamos ainda deixar o politiquismo para os que estudaram, meu sogro..."
"Não!, aí falaste, meu filho!..."
"Eu madruguei para vir pedir desculpas. Dizem que ontem não aguentei na chupeta, aterrei na cadeira, depois caí e a cadeira partiu-se toda..."
"Ah, afinal? Meu genro, entre as desculpas e a cadeira assim vou escolher lá o quê?! Não vamos se complicar, meu filho, compra só outra no lugar..."
"Assim o meu próprio sogro, hã, pai da minha mãe, - sim, porque esposa é como uma mãe, ou estou errado? - é verdade o meu sogro vai-me fazer pagar?!"
Gociante Patissa. Aeroporto Internacional da Catumbela, 08 Junho 2016
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Just a question

Falaram só bwé. Ah porque jornalista enricou a chantagear empresários e dirigentes. Cansaram-nos só com bwé de áudio/denúncias a circular nas redes sociais. Hoje quase tudo é silêncio. Nem justiça nem desmentido. Assim já que lição é que fica para a sociedade?! Será que a voz até era dele mas a cara (de pau) não? Ainda era só isso. Obrigado
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domingo, 1 de outubro de 2017

Crónica | O quinto amor

Foto sem identificação de autor
Saltou do banco corrido de idosa madeira em que andava estendido em posição cadavérica com uma gargalhada de não coincidir com nada mais próximo. Caía a noite, longa noite de pós-enterro. O Mateus, neto de Gociante Kapiñãlã, este, desistira dos seus trinta e quatro anos. Já não está entre nós. Reitera, tautóloga e afónica, a velha Flora. Calma, mãe, que isto há-de ser mentira. O breu segue o seu segundo dia de eficácia no subúrbio, três geradores domésticos bons de bufar, fala-se em vela gasta. Enquanto isso, nos céus, clarões e explosões anunciam obesas gotas sobre o salgado chão. Vai ser chuva. E a chuva do Lobito que gosta de aparecer nos noticiários. Lá o homem continuou na sua alegria, mais ou menos incontida, decidido a contagiar em tal toada os demais, na sua maioria mulheres que, não obstante tomarem por inconveniente o estado de alma do homenzinho, eram afinal as responsáveis, ou não tivesse passado por mãos prendadas destas o agente excitador. O feijão. Eu amo muito o feijão. Assim anunciou ele, não cabendo em si de contente, no momento em que entregava o prato para se lhe ser aviado. Mais que a cunhada?! Retorquiu uma voz da copa. Muito mais. A mulher, para mim, é o quinto amor. O silêncio não podia ser mais reprovador. Esperem, eu vou explicar. Assim, então, ao invés de casar a filha alheia, uma vez que amas mais o feijão, não faria mais sentido ficares com só com um hectare? Não! É assim: primeiro, amo o feijão. Depois amo o jogo; porque eu não vou fazer que o meu Primeiro de Agosto ou Real está a jogar, e a mulher fica a me chatear para lhe prestar atenção… Xê, oh coisa, se põe no teu lugar! Bom, em terceiro, amo o rio, porque gosto muito de beber água. Quarto, amo o ar, porque é preciso respirar. Depois já é que vem a mulher. As senhoras da copa, generosas em calibrar aquele feijão de fundo queimado típico de panelonas de óbito, não podendo, por pudor imposto pela cultura, verbalizar o mais fácil de especular, mantiveram uma abstenção, certamente a muito custo. Já eu, ora pois, até agora vou, na minha cabeça, a contabilizado sobre a testa do emissor o número de suplentes que lhe fazem a vez em cada ciclo do quinto amor. Talvez um vizinho a concorrer com o feijão, outro com o futebol, um terceiro com o rio (por que não um colega na vez do oxigénio?) Enfim… Viva o feijão.
Gociante Patissa | Lobito, 30 Setembro 2017 | www.angodebates.blogspot.com
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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