sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Neste momento na Mediateca de Benguela | ISIDRO SANENE LANÇA "A ESCRAVIDÃO NO TEMPO DE LIBERDADE"

A residir na república do Brasil desde 2011, o jovem benguelense Isidro Sanene
está de volta para apresentar o seu terceiro livro. O acto tem lugar na mediateca de Benguela, tendo iniciado às 15h30 para uma assistência de aproximadamente 40 almas.

"A escravidão no tempo da liberdade", género poesia, fala duas línguas, o português e o espanhol, fruto da vivência que o autor teve enquanto estudante na república da Argentina.

Os textos são uma reivindicação sobre os desafios éticos e ontológicos da humanidade. O livro de aproximadamente 90 páginas, saiu pela TM Editora no presente ano.

Autor de "Utopia das Marés" e "Pedaços da Alma", para além da literatura, Sanene, 28 anos, estudioso de teologia, também se dedica às artes plásticas.
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Humor à mwangolê

"Nestas lindas reluzadas e luzentes bodas, impele-me a vénia de fazer o repto, rente ao ano que já míngua, para atentar pelo carinho prestativo de quem faz a jornada ao nosso lado. É nesta senil senda que endereço-lhe dias eburenos e que logres bons êxitos em 2017...

*Dr. Tchipilica*

Custava simplesmente dizer _"Festas Felizes"? :) :) :)
______________
(1) Recebido em cadeia de mensagens sem identificação do autor original. Deve ser mais um floreado excessivo para satirizar o erudito léxico do provedor de justiça
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Boa música de Angola em Portugal | WALDEMAR BASTOS EM CONCERTO NO TEATRO DA TRINDADE INATEL

O angolano Waldemar Bastos presenteou os apreciadores da sua música em Lisboa, Portugal, com um show ao vivo intitulado "A Cor do Sentimento", no dia 16 de Dezembro, pelas 21H30. O evento foi da iniciativa da Fundação INATEL, em parceria com a Câmara Municipal de Sines, através do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo.

Citado por diversos veículos de comunicação, Waldemar Bastos considerou o show “um regresso ao porto de partida, um regresso ao insubstituível som da inebriante beleza da música acústica”, salienta no texto enviado à imprensa. “Aí a voz, os violões e a percussão acasalam e interlaçando-se, fundem-se para, já diluídos, se metamorfosearem dando origem a um ‘Canto e Poesia Únicos’ que nos eleva numa viagem deslumbrante a lugares não ‘específicos’ de incomensurável e indelével beleza.”

(Foto cartaz conforme recebido por e-mail directamente da firma que o agencia, da qual obviamente não faremos publicidade)
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Utilidade pública (infelizmente o texto está em inglês e não tenho tempo para traduzir) | ANÚNCIO DE PROGRAMA INTERNACIONAL DE INTERCÂMBIO PARA ALUNOS ENTRE 18-ANOS E PROFESSORES, PATROCINADO PELO GOVERNO AMERICANO. INSCRIÇÕES ATÉ 29 DE DEZEMBRO

The Public Affairs Section at the U.S. Embassy in Luanda is pleased to invite candidate nominations for the 2017 Pan-Africa Youth Leadership Program (PAYLP).  

The program gives secondary school youth (ages 15-18 years old) and adult educators the opportunity to explore themes such as entrepreneurship, civic education, youth leadership and economic development, and respect for diversity.  Through three-week, intensive exchanges in the United States, participants engage in workshops on leadership and service, community site visits related to the program themes and subthemes, interactive training in conflict resolution, presentations, visits to high schools, local cultural activities, and homestays with local American families.  A key component of the program is to develop community-based projects in their home communities to affect change upon their return home.  

For example, two students from Togo developed a girl’s empowerment program with a social entrepreneurship aspect built in via beading projects.  Two other participants worked with young inmates in a local prison to develop vocational skills to help prepare them for their reintegration into society.  A young participant from Chad developed a community library at a local high school to decrease the school’s high drop-out rate. 
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Crónica | O PAPEL DO MULTICAIXA NA PREVENÇÃO DE CONFLITOS

Benguela, cidade, anda movimentada, como devia aliás andar, a caminho de trezentos e noventa e seis anos de existência. É evidente que a data oficial está longe de ser consensual, havendo intelectuais que se indignam por entenderem que, em cada dia dezassete de Maio, festejamos a vitória militar do invasor colonial português, representado por Cerveira Pereira, sobre os nossos antepassados, autóctones Bantu.

Janota, conhecido por doutor muito antes até de tirar a licenciatura, procurava preencher o vazio que tem sido a sua cama, desde que a esposa viajou para a China. Por muito que gostasse e bebesse de filosofia, estava difícil o jejum (devo usar uma linguagem mais ou menos sóbria, já que tenho sobrinhos menores seguindo-me no Facebook). Vai daí que Janota deu um salto ali para as bandas da Sé Catedral, onde se diz haver um bordel. Assim como ao lado de cada direito anda o respectivo dever, pureza e fé têm sempre uma tentação à perna.

Em coisa de minutos, Janota tinha uma rapariga, expedita vendedora de orgasmos simulados e um canto para o labor e o sabor, não sem antes ficar claro o preçário. A menina fê-lo chegar à China por alguns instantes. Ora, completada a viagem, surgia um tipo de conversa mais ou menos imprevista para aquele segmento de negócio. «E agora, como vamos fazer? Posso pagar com cartão?», indagava o saciado, enquanto calçava as meias antes de botar a calça.

A rapariga olhou para ele, como quem diz, caramba!, está aqui um espertalhão. E antes mesmo que ela emitisse uma palavra, o cliente continuou justificando-se: «Sabes como é que é. É fim-de-semana, a função pública pagou. Já circulei pela cidade e cercanias, mas nenhum aparelho tem dinheiro. Mesmo a nível de macroeconomia, honrar os salários dos professores é um caso sério, já que eles não produzem como tal. É um sector nobre, muito importante, mas pobre. Com os militares é a mesma coisa. Não sei como vamos fazer, sabes? Eu gosto de pagar as minhas contas, acontece que não consigo tirar dinheiro do banco, sabes que aquilo enche que nem uma coisa doida.»

A rapariga ouvia, franzindo progressivamente a testa. Pensava por dentro, do tipo, esse gajo não quer com este monte de palavras que no final fique tudo por um crédito sine die, não? «Doutor, pela próxima, quando é assim, avisa antes. Estás a ver se hoje eu não trouxesse o TPA, íamos mesmo se pegar nas camisas. E até não fica bem. Vá, dá lá o cartão multicaixa. Hôko!, assim também querias quê?!»

Bom, ao menos o final foi feliz para o professor Janota, uma vez que a menina, sendo profissional com visão empreendedora, tinha a sua máquina de pagamento electrónico na mesma bolsa em que guardava os preservativos, pensos e lubrificantes íntimos, não tendo sido necessário, como ela mesma disse, «se pegar nas camisas». Como diria o ditado, para um esperto, esperto e meio.
Benguela, 25 Maio 2013
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Gociante Patissa, Benguela, 11 Dezembro 2012. In «O Apito Que Não Se Ouviu», 2015. Pág. 60-61. União dos Escritores Angolanos. 1.ª Edição. Luanda, Angola . 2015 Colecção: «Sete Egos»

(*) livro de crónicas disponível na Livraria Sucam e na Tabacaria Grilo, em Benguela, ou na sede da União dos Escritores Angolanos, em Luanda, sita no Largo das Escolas. Mil kwanzas o exemplar
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Divagações | Do olhar a um campo que me é alheio

Independentemente do resultado que advier das eleições de 2017, que invariavelmente será o de não ganhar, o conterrâneo Carlos Contreiras, proprietário do partido PREA, bem que merecia um prémio nacional de cultura e artes, pela originalidade. É o único que ainda consegue emprestar à política partidária um cunho de comédia. Os demais parece que levam a coisa demasiado a sério. Por hoje, nesse campo que até me é alheio, o da política, ainda era só isso. Obrigado.
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Crónica | O ZÉ DO 28, O INGLÊS E EU NO PORTO (*)

Aleija-me profundamente a mentira: a das mulheres, a dos mestres, a dos mecânicos, a dos políticos, a das crianças. Nunca fui, todavia, o primeiro a atirar pedras.


À chegada do interior, tive a felicidade de morar no morro da Quileva. Tem-se vista avantajada do coração da cidade. Cintura verde, a sul, as salinas, no centro, e o mar, a norte. Se desci o morro, foi somente atrás da máquina burocrática para questões escolares. Para lá dos jardins, uma vez na baixa, a cidade sumia, daí o desejo de logo regressar à prateleira. Por exemplo, disputávamos a titularidade de carros que víamos circularem na linha do horizonte.

Em cidades singulares, as portas todas costumam dar em uma só com alma, o porto. Às marés ou aos caudais, faz-se entrada e saída, ao mesmo tempo, o cais. E é este desfile aparentemente desconexo dos navios que adensa na história do meu Lobito o fio.

Com a greve dos professores, foram três meses de tédio, agora no bairro da Santa Cruz, zona com vista limitada, sem o televisor em casa, que por sua vez somava meses no conserto. Tudo levava a crer que o eletrotécnico não despacharia o trabalho sem a paga, posição quanto a nós injusta, porquanto o dinheiro que lhe faltava a ele faltava-nos a nós também. Estamos em 1995, e a presença, às centenas, de capacetes azúis da ONU e demais agências humanitárias ilustrava bem o quadro de penúria que o país atravessava, resultado do retorno à guerra civil entre as forças guerrilheiras da Unita e o exército governamental, com o fracasso da primeira experiência democrática, tendo como mote a não-aceitação pela oposição dos resultados das eleições de 1992.

Não me ocorrendo a posição do pai, decidimos entre irmãos tirar proveito da ONU. Coube-me a missão de juntar a coragem ao meu arrojado inglês e comercializar, tipo zunga, as estátuas de madeira lá de casa. Arrecadaríamos cinquenta e cinco dólares norte americanos, o equivalente a dois salários de professor. Em vão. O televisor já tinha sido extraviado.

O contacto com os capacetes azúis era fruto proibido em certos quartéis. Recordo quando o Eliseu viu o seu negócio confiscado, digamos que de modo ilícito, pela guarnição do Hotel Términus. Mais conversa, menos conversa, prometeu-se subornar o guarda angolano, penhorando o Bilhete de Identidade. Parvo do guarda, já que ficava sempre mais fácil tratar outra via do documento.

Lá conheci o Zé, mais novo e mais alto do que eu. Até em sua casa, no 28 (Zona Comercial), cheguei a beber água. Causava impressão ver-me, baixote, falar «fluentemente» com os estrangeiros, ganhando esporadicamente desde livros, cassetes, a produtos de higiene. Foi o Zé quem decidiu levar-me ao Porto do Lobito, onde esteve naquele dia um navio britânico da ONU. Atleta de basquetebol na escola da Casa do Pessoal, o Zé passava pelo portão sete como água pela garganta. Como entraria eu?

O Zé instruiu-me a dizer ao polícia que iria ter com o guindasteiro Frederico Carlos, meu «pai». O polícia fitou-me, e autorizou. Ainda melhor, disse para voltar a ter com ele, caso alguém me molestasse. Tinha resultado! Antes de degustarmos as iguarias do navio, observei ao longe o guindasteiro. De facto, tínhamos algumas semelhanças, no tom de pele ligeiramente clara e no semblante aparentemente mentalista, enfim.

Hoje, o Zé é um homem feito, fazendo carreira como professor de educação física em colégios. Um dia desses lembrar-lhe-ei aquela emocionante aventura, todavia reprovável.
Benguela, 11 Dezembro 2012

Gociante Patissa, 25 Maio 2013. In «O Apito Que Não Se Ouviu», 2015. Pág. 60-61. União dos Escritores Angolanos. 1.ª Edição. Luanda, Angola . 2015 Colecção: «Sete Egos»

(*) livro de crónicas disponível na Livraria Sucam e na Tabacaria Grilo, em Benguela, ou na sede da União dos Escritores Angolanos, em Luanda, sita no Largo das Escolas. Mil kwanzas o exemplar
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"O escritor angolano Gociante Patissa concedeu uma entrevista a Sky Culture e-Magazine [do Brasil], na qual falou, entre outras coisas, da literatura angolana; da relação cultural Brasil/Angola, e é claro, das suas obras. Conheça mais sobre Gociante Patissa, lendo a entrevista abaixo. Boa leitura! December 13, 2016

O escritor angolano Gociante Patissa concedeu uma entrevista a Sky Culture e-Magazine, na qual falou, entre outras coisas, da literatura angolana; da relação cultural Brasil/Angola, e é claro, das suas obras. Conheça mais sobre Gociante Patissa, lendo a entrevista abaixo. Boa leitura!

Sky Culture e-Magazine:  Fale-nos quem é Gociante Patissa.

Gociante Patissa: Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte-Belo, município do Bocoio, província de Benguela, em Dezembro de 1978. Tem licenciatura em Linguística, especialidade de Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Katyavala Bwila (ex-Agostinho Neto). É membro efectivo da União dos Escritores Angolanos e colaborador do Jornal Cultura, da Edições Novembro. Foi distinguido com o Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes 2012, na categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, «pelo seu contributo na divulgação da língua local Umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e novas Tecnologias de Informação e Comunicação». Foi a participar num programa infantil da Televisão Pública de Angola que em 1996 se revelaram as inclinações para o jornalismo e a literatura. No sector da sociedade civil serviu como gestor de projectos de desenvolvimento comunitário, tradutor/intérprete (Umbundu-Português-Inglês) e jornalista free lance. Entre 2003-2010, foi realizador e moderador de mesa redonda radiofónica sobre cidadania e saúde preventiva, editando ao mesmo tempo o Boletim informativo, educativo e cultural A Voz do Olho, ao serviço da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG angolana que ajudou a fundar em 1999. Serviu ainda a Save The Children e a Handicap International nas províncias do Huambo e Benguela.

Sky Culture e-Magazine: Qual o seu gênero literário? Quais obras publicadas?

Gociante Patissa: Eu escrevo contos, poesia, crónicas. De prosa mais extensa tenho uma novela.
OBRAS PUBLICADAS:
— Consulado do Vazio (poesia), KAT - Consultoria e empreendimentos. Benguela, Angola, 2008.
— A Última Ouvinte (contos), União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2010.
— Não Tem Pernas o Tempo (novela), União dos Escritores angolanos. Luanda, Angola, 2013.
— Guardanapo de Papel (poesia), NósSomos. Luanda, Angola / VN Cerveira, Portugal, 2014.
— Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas (contos). GRECIMA. Programa Ler Angola. Luanda, Angola, 2014.
— O Apito que não se Ouviu (crónicas).União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2015.
— Almas de Porcelana (poesia reunida). Editora Penalux. São Paulo, Brasil, 2016.

PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIAS:
— III Antologia de Poetas Lusófonos. Folheto Edições, Leiria. Portugal 2010.
— Conversas de Homens no Conto Angolano - Breve Antologia (1980 – 2010). União dos Escritores Angolanos, Luanda, Angola, 2011.
— Balada dos Homens que sonham - Breve Antologia do Conto Angolano(1980 – 2010). Clube do Autor, Lisboa, Portugal 2012.
— Di Versos - Poesia e Tradução, nº 18. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro 2013.
— A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua – Antologia Poética. Movimento Literário Kuphaluxa. Maputo, Moçambique, 2013.
— 800 ANOS / O Futuro da Língua Portuguesa. Bela e o Monstro, parceria entre o jornal PÚBLICO e o «Movimento-2014». Lisboa, Junho de 2014.
— Di Versos - Poesia e Tradução, N.º 22. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro 2015.
— Pássaros de Asas Abertas. A.23 Edições & União dos Escritores Angolanos. Lisboa, Portugal, 2015.
— Angola 40 Anos - 40 Contos - 40 Autores.Mayamba Editora, Luanda, 2015.

Sky Culture e-Magazine: Atualmente o Senhor está se dedicando a escrever algum livro? Se sim, fale-nos um pouco a respeito. Tem previsão de lançamento?

Gociante Patissa: Diria que sim, embora não possa avançar muito mais em termos de pormenores, enquanto ainda aguardo o resultado da avaliação por uma editora fora de Angola à qual sumeti sob sua proposta um livro de contos.
No ano passado tive uma grata experiência com a Editora Penalux, com sede em São Paulo, Brasil, que me contactou e fizemos uma parceria que resultou na publicação de «Almas de Porcelana», que reune a minha poesia publicada em dois livros e também em antologias dispersas, sem deixar de incluir textos inéditos.

Sky Culture e-Magazine: O que o Senhor tem a nos dizer a respeito da literatura angolana neste momento? Que autor ou autores o Senhor destacaria?

Gociante Patissa: A literatura angolana neste momento anda a dois tempos descompassados entre aquela produzina no país e a que é feita em Portugal (que é o mais visível canto da diáspora angolana). O principal problema da literatura feita em Angola, para todos os efeitos a mais representativa, tem que ver com a distribuição. O livro praticamente não circula. Como não temos uma indústria do papel, tudo por cá é importado e o produto acaba custando caro. O genérico é sairem mil exemplares de cada título publicado, quando o país tem mais de 20 milhões de habitantes. Já sem falar de uma inexistente crítica literária interna, uma vez que os estudiosos de letras enveredam logo para a docência, não havendo grandes estímulos para a pesquisa. Por outro lado, aqueles mais próximos de Portugal, por proximidade cultural ou por nele residirem, acabam beneficiando da acutilância de grupos editoriais europeus. A isso soma-se o “filtro” do lobby editoras-academia-imprensa (o que em certa medida se extende ao mercado brasileiro quando se olha para produção literária africana), o que é redundante em termos de autores visíveis. Temos assim um quadro em que mais facilmente se conhece como bom escritor angolano alguém que se estreie em Portugal do que os nomes internamente confirmados de uma geração que despontou ainda na geração de 80.
É difícil indicar nomes de autores a destacar, tendo em conta que os bons não são poucos. Dos autores angolanos mais “injustiçados” pelos critérios da visibilidade internacional, destacaria João Tala (médico e militar), que é um contista de mão cheia e internamente o mais premiado membro da União dos Escritores Angolanos. Abreu Paxe tem-se destacado também pela rotura constante em termos de forma. Mas há outros nomes, tais como Adriano Botelho de Vasconcelos, Roderick Nehone, entre vários.

Sky Culture e-Magazine: Como o Senhor ver a relação cultural entre Angola e a América Latina, especialmente o Brasil?

Gociante Patissa: Creio que podia ser melhor. Em certa maneira seria a meu ver mais fecundo que o Brasil não dependesse tanto da influência portuguesa quando o assunto é colher literatura africana. E neste capítulo, julgo que as áreas de cultura da embaixada brasileira deixam um tanto a desejar.

Sky Culture e-Magazine: Que autor brasileiro é mais conhecido pelos angolanos?

Gociante Patissa: Como o nosso sistema de educação (ainda) não obriga a leitura de obras inteiras, senão excertos, então é difícil aferir que autores internacionais são mais conhecidos. Penso que Jorge Amado pode ser o mais referenciado, muito em função de telenovelas brasileiras, acho eu. Há ainda, embora longe do campo da literatura, o nome de Paulo Freire. Paulo Coelho não deixa de cá dar o ar da sua graça, sempre envolto em debate quanto ao seu (não) valor literário. De qualquer modo, esse olhar a autores brasileiros também é bastante superficial, excepto para aqueles que se tenham formado no Brasil ou tenham dado na universidade a cadeira de literatura brasileira.

Sky Culture e-Magazine:  Como o Senhor ver o escritor e as novas mídias? O Senhor tem algum blog?

Gociante Patissa: As novas mídias são um recurso valioso. Para autores como eu, que não têem para já aquela máquina de agenciamento, um blog é uma janela útil para conhecer e dar-se a conhecer. Tenho feito determinantes amizades. Tenho dois blogs, sendo o www.angodebates.blogspot.com mais generalista (cidadania, literatura e fotografia) ao passo que o www.ombembwa.blogspot.com incide mais sobre o compromisso na pesquisa, tratamento e divulgação da tradição oral da língua/cultura umbundu, da qual sou originário.

Sky Culture e-Magazine: Deixe sua mensagem ao público brasileiro.

Gociante Patissa: Deixo gratidão pelo tempo que vão dedicar a este trabalho. Aproveito também agradecer a cordialidade de amigos brasileiros que tenho conhecido, quer inicialmente através dos meios virtuais, quer através do contacto durante a passagem por Salvador da Bahia, onde em 2013 participei na sexta Bienal de Jovens Criadores da CPLP. Obrigado!
Sky Culture e-Magazine: Muito obrigado!
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Utilidade pública

A quem possa interessar, está disponível nas bombas de combustível da Pumangol do Lwongo, Katombela, o livro de Raul David intitulado BENGUELA NO TEMPO E NO ESPAÇO. Com edição do INIC em 2014, o livro, que custa 999 kwanzas, reune poemas, crónicas e teatro. 
Como nota adicional, digo que é sabido que as obras de Raul David nem sempre têem a dimensão estética definida, na medida em que volta e meia temos o literário e o não literário no mesmo pacote, mas uma coisa é certa: o homem é das maiores referências no que respeita ao testemunho e legado para a experiência vicária na região centro e sul de Angola. Ainda era só isso. Obrigado
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domingo, 11 de dezembro de 2016

Fragmentos | A culpa

Como hoje houve já dias. E mais haverá. Dias de só breu, breu de sumir com o tio da meteorologia na TV. As crianças não metem, diz a sabedoria. Assis!(*), chamo eu. Estou aqui, tio! Assim, pronto, é ele, duas metades de metro com barriga e cabeça a correr, cinco velas queimadas só. Bonecos na sala à espera. Diz-me uma coisa, Assis. Sim, tio? Pelos teus conhecimentos, achas que vai chover? Um momento, ya, tio? Deixa ver. E lá vai aos saltos na empreitada de guardar o céu nos olhos. É rápido. Tio! Acho não vai chover esta noite. Achas? Com base em quê? Há estrelas tio, uma, duas, três, quatro, cinco; quando há estrelas a chuva não vem. Obrigado, filho, fico com a tua palavra. Amanhã preciso cedo do carro para trabalhar, termino eu com o pensamento no ligeiro, dois anos soma ele e não sei se o compraria hoje que sai pelo dobro do preço, quando a rua já sugere semente de arroz para plantação, lama, salitre e charcos. Más só uma coisa, tio, interrompe do pequeno: se chover, a culpa não é minha, tio.
(*) Nome propositadamente alterado
Gociante Patissa, Bairro do Kioxe, Benguela, 11 Dezembro 2016
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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