Ouvi esta manhã o spot promocional da Rádio
Benguela sobre as inscrições em curso para o concurso "Benguela, Gentes de
Música". E pensei cá com os meus botões: Eu tenho duas composições
musicais inéditas, que por acaso não são assim tão más, uma em trova/soul e
outra que tanto daria para um kizomba ou para semba, mas... não tenho voz de ir
por aí além a cantar. Neste caso, se alguém tiver talento em interpretar mas
lhe faltarem temas de sua autoria, eu bem que podia ceder o que tenho. Bastava
uma viola para demonstrar os acordes, a melodia. Pense nisso hahaha
segunda-feira, 10 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
Surrealismos à moda Óscar Pistorious
Acompanhando à inevitável distância o
julgamento de Oscar "Pistolas", o atleta sul africano que se livrou
da namorada com uns 4 tirinhos, justo num dia 14 de Fevereiro... mesmo até para
cimentar, com a força dos milhões que tem, a tese de ter confundido a namorada
com um assaltante quando ela usava o WC a meio da noite, só falta a defesa
provar que cientificamente mulher vira homem, sempre que em contacto com uma
sanita. Ora, assim sendo, liberdade para o atirador, que por acaso possuía arma
ilegal, declare-se culpada a falecida. Francamente!
Nós e o problema com as horas
Estava para 13h de hoje o início da celebração da
vitória do grupo carnavalesco Bravos da Victoria, da Catumbela, somando com a
presente um total de 26 títulos em 36 edições. O representante da administração
municipal, que falou ontem à Rádio Mais, foi suficientemente mobilizador,
anunciando desfile, moções institucionais e várias surpresas. Daí eu pensar em
ocupar a minha tarde de domingo a fotografar tal evento. A marginal estaria,
imaginava-se, apinhada de gente e emoções. Entretanto, quem por lá passou,
mesmo depois das 14h, não viu uma única mosca fantasiada. Muita boca, pouca
pontualidade, pior combinação não podia haver!
sábado, 8 de março de 2014
Diário
Quando, numa relação laboral, um importante gestor de uma
linha de acção pede alguns meses de salário antecipado, sob a alegação de
resolver necessidade familiar, e o pedido é satisfeito pelo líder, que por sua
vez vem a ser confrontado com a ausência total do colaborador, quer em termos
de presença no escritório, quer em termos de atender o telefone ou prestar
contas/relatórios, facilmente se chega ao facto: a instituição terá sido burlada e a liderança caído por
ingenuidade. Triste é cruzar com o artista, 6 anos depois, e perceber que
este vive dificuldades provavelmente piores do que antes, com o agravante de
lhe faltar coragem para olhar firme para os carros que passam, entregue ao sol
e suor da paragem de táxi, olhos ao chão, qual suíno. Moral da história: se
for para sair, melhor sair com dignidade.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Ponto de situação
Finalmente em Benguela, fechando o ciclo de mais
uma aventura por estrada. Desta vez, a partida deu-se na manhã de 2ª feira em
direcção ao sul. Lubango foi a primeira paragem, com oportunidade de observar e
fotografar animais da nossa selva. Dali seguiu-se para Oshakati, Namíbia,
obviamente ao volante até Santa-Clara (Ondjiva, Kunene), onde viria a passar
ontem, de regresso e já com mais vagar, memoráveis momentos na companhia do
confrade Capelenguela. Daqui a pouco partilho fotos e a entrevistas que concedi
à Rádio Kunene. Até já
domingo, 2 de março de 2014
Absurdos e contratos de adesão atrás da porta, coisas que o cliente só vê depois pagar.
está lá, velhinho como o próprio quarto. É um lugar que me decepcionou ha uma semana e meia, tanta fama para tão poucas condições/conforto. Mas como não havia saúde para procurar mais longe, passei lá a noite
sábado, 1 de março de 2014
Crónica: ASSINAR NO LOBO
Com
tudo o que há de discutível nas frases feitas, parece ser inquestionável a fatalidade
que a citação supra encerra, bastas vezes faísca para o azedume nas relações humanas. Devíamos mesmo
emprestar dinheiro? Mas, do lado oposto, vem a questão: e se fôssemos nós a
precisar? A resposta seria seguramente um evasivo “depende do caso”.
Como já abordado, há uma correlação entre a
dívida e o conflito no sistema de valores dos Ovimbundu. Vamos aos adágios: “Pesinsa panyãle ongolo, pukamba panyãle
ofuka” (o joelho dá cabo da esteira, a
dívida dá cabo da amizade) e, ainda, “olevalisa eye onjaki” (quem
empresta é o conflituoso). Como a dialéctica é lei, temos a expressão “walevalisa wasolekisa” (Quem empresta
reserva), só usada quando o final é feliz.
Qualquer dia surgirá uma lenda a explicar quem
foi o primeiro caloteiro mundial. Até lá, continuamos a ser esse universo representativo,
com os ingénuos (vítimas da sua sensibilidade ou dimensão humana), os que nunca
erram (devem, fingem que esquecem ou dizem não gostar que se lhes cobre, mas exibem
bens mais caros do que o valor devido), bem como os honestos (raros). Há ainda os
avalistas (por cuja credibilidade uma terceira parte obtém crédito). É nesta
última classe que nos atemos hoje.
Ora, estamos em finais da década de 90 do século
20, com o mercado de trabalho difícil, tendo em conta a instabilidade política
e militar. Pouco investimento do sector privado, baixos salários na função
pública, o maior empregador de todos os tempos. E o mês dura uma eternidade, quando se ganha pouco. A dívida passa a ser o meio-termo.
Numa importante
empresa no centro da cidade do Lobito, vários funcionários fidelizam-se com o
bar do Lobo, onde passam a almoçar religiosamente um refrigerante com ovo
estrelado, em jeito de alternativa à ementa do refeitório do estaleiro. Mas como
a sombra nunca acolhe a todos, só a alguns é reservado o direito de “assinar no
Lobo”, entenda-se registar no caderno o vale a ser honrado ao final do mês.
Ter fome e
passe de serviço eram secundários, determinante mesmo era ter um “avalista”. Mas
como o mal não vem só, ocorriam sanções, com a publicação na vitrina da empresa
do nome de cada caloteiro, o que era, concordemos, vexatório. Para não passar
por isso nem pelo desconto compulsivo com base na lista do bar, impunha-se
pagar atempadamente ao avalista o valor. Sim, só se podia pagar na presença
deste.
Vai daí que
certo utente de ovo estrelado, dias após honrar com o avalista, de quem veio a
garantia de dívida saldada, seria levado pela intuição a confirmar no bar, de modo
a não aparecer na vitrina, de si já na iminência. Curiosamente, a dívida
permanecia. Perante isto, insistiu para pagá-la directamente, algo entretanto
negado pela balconista.
O que se
seguiu foi um manifesto de indignação do avalista. “Você me traiu”, defendia. Na
dificuldade de perceber quem teria traído quem, o outro deixava de assinar no
Lobo.
Gociante
Patissa, Lobito, 1 Março 2014
Citação
"Eu sou Padre e patriota, mas não pertenço a nenhum partido, porque um partido é sempre incompleto" - D. Alexandre Cardeal do Nascimento, in «Semanário Angolense», EDIÇÃO 554 ANO X. Luanda. 01/03/14
























