quarta-feira, 22 de abril de 2009

Estão-nos mentindo sobre os piratas[traduzido] (*)

Johann Hari: The Independent, UK
Quem imaginaria que em 2009, os governos do mundo declarariam uma nova Guerra aos Piratas? No instante em que você lê esse artigo, a Marinha Real Inglesa – e navios de mais 12 nações, dos EUA à China – navega rumo aos mares da Somália, para capturar homens que ainda vemos como vilãos de pantomima, com papagaio no ombro. Mais algumas horas e estarão bombardeando navios e, em seguida, perseguirão os piratas em terra, na terra de um dos países mais miseráveis do planeta. Por trás dessa estranha história de fantasia, há um escândalo muito real e jamais contado. Os miseráveis que os governos 'ocidentais' estão rotulando como "uma das maiores ameaças de nosso tempo" têm uma história extraordinária a contar – e, se não têm toda a razão, têm pelo menos muita razão.

Os piratas jamais foram exatamente o que pensamos que fossem. Na "era de ouro dos piratas" – de 1650 a 1730 – o governo britânico criou, como recurso de propaganda, a imagem do pirata selvagem, sem propósito, o Barba Azul que ainda sobrevive. Muita gente sempre soube disso e muitos sempre suspeitaram da farsa: afinal, os piratas foram muitas vezes salvos das galés, nos braços de multidões que os defendiam e apoiavam. Por quê? O que os pobres sabiam, que nunca soubemos? O que viam, que nós não vemos? Em seu livro Villains Of All Nations, o historiador Marcus Rediker começa a revelar segredos muito interessantes.

Se você fosse mercador ou marinheiro empregado nos navios mercantes naqueles dias – se vivesse nas docas do East End de Londres, se fosse jovem e vivesse faminto –, você fatalmente acabaria embarcado num inferno flutuante, de grandes velas. Teria de trabalhar sem descanso, sempre faminto e sem dormir. E, se se rebelasse, lá estavam o todo-poderoso comandante e seu chicote [ing. the Cat O' Nine Tails, lit. "o Gato de nove rabos"]. Se você insistisse, era a prancha e os tubarões. E ao final de meses ou anos dessa vida, seu salário quase sempre lhe era roubado.

Os piratas foram os primeiros que se rebelaram contra esse mundo. Amotinavam-se nos navios e acabaram por criar um modo diferente de trabalhar nos mares do mundo. Com os motins, conseguiam apropriar-se dos navios; depois, os piratas elegiam seus capitães e comandantes, e todas as decisões eram tomadas coletivamente; e aboliram a tortura. Os butins eram partilhados entre todos, solução que, nas palavras de Rediker, foi "um dos planos mais igualitários para distribuição de recursos que havia em todo o mundo, no século 18 ".

Acolhiam a bordo, como iguais, muitos escravos africanos foragidos. Os piratas mostraram "muito claramente – e muito subversivamente – que os navios não precisavam ser comandados com opressão e brutalidade, como fazia a Marinha Real Inglesa." Por isso eram vistos como heróis românticos, embora sempre fossem ladrões improdutivos.

As palavras de um pirata cuja voz perde-se no tempo, um jovem inglês chamado William Scott, volta a ecoar hoje, nessa pirataria new age que está em todas as televisões e jornais do planeta. Pouco antes de ser enforcado em Charleston, Carolina do Sul, Scott disse: "O que fiz, fiz para não morrer. Não encontrei outra saída, além da pirataria, para sobreviver".

O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.

Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes.

Quem conta é Ahmedou Ould-Abdallah, enviado da ONU à Somália: "Alguém está jogando lixo atômica no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos." Parte do que se pode rastrear leva diretamente a hospitais e indústrias européias que, ao que tudo indica, entrega os resíduos tóxicos à Máfia, que se encarrega de "descarregá-los" e cobra barato. Quando perguntei a Ould-Abdallah o que os governos europeus estariam fazendo para combater esse 'negócio', ele suspirou: "Nada. Não há nem descontaminação, nem compensação, nem prevenção."

Ao mesmo tempo, outros navios europeus vivem de pilhar os mares da Somália, atacando uma de suas principais riquezas: pescado. A Europa já destruiu seus estoques naturais de pescado pela superexploração – e, agora, está superexplorando os mares da Somália. A cada ano, saem de lá mais de 300 milhões de atum, camarão e lagosta; são roubados anualmente, por pesqueiros ilegais. Os pescadores locais tradicionais passam fome.

Mohammed Hussein, pescador que vive em Marka, cidade a 100 quilômetros ao sul de Mogadishu, declarou à Agência Reuters: "Se nada for feito, acabarão com todo o pescado de todo o litoral da Somália."
Esse é o contexto do qual nasceram os "piratas" somalianos. São pescadores somalianos, que capturam barcos, como tentativa de assustar e dissuadir os grandes pesqueiros; ou, pelo menos, como meio de extrair deles alguma espécie de compensação.

Os somalianos chamam-se "Guarda Costeira Voluntária da Somália". A maioria dos somalianos os conhecem sob essa designação. [Matéria importante sobre isso, em
http://wardheernews .com/Articles_ 09/April/ 13_armada_not_solution_ muuse.html : "The Armada is not a solution".] Pesquisa divulgada pelo site somaliano independente WardheerNews informa que 70% dos somalianos "aprovam firmemente a pirataria como forma de defesa nacional".

Claro que nada justifica a prática de fazer reféns. Claro, também, que há gângsteres misturados nessa luta – por exemplo, os que assaltaram os carregamentos de comida do World Food Programme. Mas em entrevista por telefone, um dos líderes dos piratas, Sugule Ali disse: "Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam nosso peixe." William Scott entenderia perfeitamente.



Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se matar de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente os pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram- se no caminho pelo qual passa 20% do petróleo do mundo... imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.

A história da guerra contra a pirataria em 2009 está muito mais claramente narrada por outro pirata, que viveu e morreu no século 4º AC. Foi preso e levado à presença de Alexandre, o Grande, que lhe perguntou "o que pretendia, fazendo-se de senhor dos mares." O pirata riu e respondeu: "O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador." Hoje, outra vez, a grande frota europeia lança-se ao mar, rumo à Somália – mas... quem é o ladrão?




Recebido por e-mail de http://vidaemsociedade.ning.com/
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Crónica: Esses locutores, a gente só não lhes disparata já porque…


Deu-me cá uma vontade de lançar um daqueles disparates ao Salú Gonlçalves, que vou te contar…! – bom, só que, no momento, me lembrei de dois travões: o primeiro é que ele não me ouviria mesmo, e, o segundo, já alguém disse que os disparates sujavam quem os proferia.

Continuando, não é que, no programa dele romântico de domingo, entendeu que tinha de interromper uma música, daquelas que a pessoa acha que foram feitas mesmo para ela… Uma keta de mais velho, cantada em Umbundu, a duas vozes. A primeira, bem me pareceu ser de Bela Chicola, enquanto a segunda, macacos me mordam se me enganaria!, era a do kota Waldemar Bastos. E é justamente na hora em que Waldemar entrava, que Salú entendeu fazer o corte… para anunciar o fecho do programa. Acabaste de falar, manda já o operador continuar, não… meteram Gabreil Tchiema, que também muito adoro, mas isso não justifica…

Salú, eu até respeito o beef que mandaste “sou kambuta, mas permaneço na moda”, mas, veja bem. Ouvir Rádio Luanda, em Benguela, já é um “sacrifício”. Então, é assim que nos agradeces por acompanharmos o kiandandu?! Ara sissas, pá!

Vou já apanhar-te no próximo domingo, quero ver se vais me ver a sintonizar mais o kiandando ou kia lumingo, sei lá, … Mesmo que a rádio Lobito resolva retransmitir através da frequência 104.9. Não esquece o que os mais-velhos sempre disseram… esperto só almoça, não janta…

PS: Quantas vezes, sem querer, uma descoordenação entre o operador e o locutor não acaba por lesar o ouvinte! Um abraço a todos os fazedores de rádio!

Gociante Patissa, Benguela, 20 de Abril 2009
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sábado, 18 de abril de 2009

Faróis “longos”, um extra perigoso – será que o novo código de estrada se lembrou de os proibir?

O novo código de estrada tem suscitado – isto é, das poucas vezes que acontece – discussões por causa do realce que dá ao capítulo das multas. Excessivo para alguns, bem-vindo para outros, o que é indiscutível é a sua finalidade: reduzir a sinistralidade rodoviária.

Porém não nos lembramos de ter ouvido falar
– e talvez se tenham esquecido também os fazedores do código de estrada – é dos faróis de longo alcance. Como qualquer objecto de moda, é difícil distinguir quando é que são originais ou aplicados na oficina mais perto de casa. São um luxo bastante perigoso para as estradas do nosso país, geralmente sem iluminação, já que os faróis emitem uma luz azul bastante “arrogante”. Ademais, não raras vezes ouvimos relatos policiais a atribuírem ao encandeamento boa fatia de culpas nos acidentes nocturnos.

A vigorar há pouco menos de dois meses, o novo código de estrada é “responsável” pelo aumento da noção da importância do uso do cinto de segurança, bem como por se evitar o uso de telemóvel (sem auscultadores) quando se estiver a conduzir.

Vale recordar que
164 acidentes de viação foram registados só na província de Benguela em Janeiro de 2009, de que resultaram 33 mortos, numa cifra de um por dia, segundo revelou recentemente o 1º Superintendente Conceição Gomes, Director Provincial de Viação e Trânsito. Na primeira semana de Fevereiro ocorreram 28 acidentes, dos quais três mortos e 36 feridos. Entre as principais causas, o oficial apontou o excesso de álcool, bem como a imprudência nas manobras e na velocidade.

Gociante Patissa
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

(Há quem diga que demorou, mas...) Mabi de Almeida (já) foi afastado do comando técnico da selecção angolana de futebol

Depois de muitos “solavancos”, eis que, por fim, a Federação Angolana de Futebol (FAF) aplicou mesmo o pontapé de saída. Mabi de Almeida já não é seleccionador nacional de futebol, os Palancas Negras ficam temporariamente em mãos de Zeca Amaral.

Reconhecido pela sua competência enquanto preparador físico, Mabi de Almeida viria “pecar apenas” por dar azo à ambição de assumir o comando técnico da selecção de todos nós – não se sabe se por dinheiro (muito, para variar) ou por patriotismo mesmo -, mas é quase consenso que deveria ter saído quando se deu a rescisão do contrato com Oliveira Gonçalves, de quem Mabi era adjunto.

Com Mabi no comando, a selecção angolana de futebol viria ser a mais “generosa”, só perdeu, perdeu e perdeu, fazendo baixar a sua reputação no ranking mundial, enquanto as outras faziam o oposto. As reacções não podiam ser as menos "fervecentes", ou não estivesse Angola em preparação para o campeonato africano das nações (CAN), que (por acaso até) vai albergar em 2010. A sátira desportiva dava Mabi como o técnico melhor projectado em termos de lobby, já que contava com assessoria de dois deputados à Assembleia Nacional, no caso Fabrício Alcibíades Maieco “Akwá” e a vedeta Joaquim Diniz “Brinca na Areia”.

Há também observadores que sustentam que Mabi é apenas a ponta visível da imensa fragilidade que assola a nossa estrutura desportiva. Diz-se mesmo que não temos jogadores de relevo, isso, sem esquecer falhas de carácter organizativo do órgão reitor da modalidade.

Em apenas seis meses, Mabi de Almeida teve um consulado polémico qb, lembrando o desaire de Manuel “Necas” – de quem os angolanos viriam saber que em Portugal não terá passado de guarda-roupas do Benfica, por intermédio do correspondente Óscar Coelho a partir da cidade invicta do Porto.
leia a seguir notícia da Angop sobre o assunto:
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Futebol: FAF rescinde com Mabi de Almeida
17-04-2009 12:56

A Federação Angolana de Futebol (FAF) rescindiu contrato com o seleccionador Mabi de Almeida, que desde Outubro último se encontrava no comando da selecção nacional, por maus resultados.

O adjunto Zeca Amaral vai se encarregar do comando técnico dos Palancas Negras, de acordo com o presidente da FAF, Justino Fernandes, que deu a conhecer o facto hoje à imprensa, em Luanda.

Quanto à contratação de outro técnico, o dirigente prometeu pronunciar-se nos próximos tempos, sendo que estão em curso contactos neste sentido.
Justino Fernandes não adiantou nomes, mas fala-se nalguns círculos desportivos nacionais e não só na possibilidade de contratação de técnicos como o brasileiro Luiz Felipe Scolari, o português Manuel José (do Al Ahly do Egipto), Marinho Peres (ASA) e Bernardino Pedroto, do Petro de Luanda.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nossa homenagem a João Micelo, um exemplo de força de vontade

Manda o espírito de equipa que o brilho colectivo deve estar acima do brilho individual. Nisto estamos de acordo. A outra verdade, porém, é que determinadas pessoas têm um empenho digno de homenagem no crescimento das suas instituições.

A OHI (Organização Humanitária Internacional) atravessa um bom momento da sua história. Tem em execução seis projectos de desenvolvimento comunitário nas vertentes de cidadania, prevenção de acidentes com minas e saúde pública. E é da OHI que trazemos o perfil de João Micelo da Silva, 31 anos, que é visivelmente o responsável pelo lobby e angariação de fundos e parcerias.

«Fui colhendo várias experiências, quer na vida, quer em outras situações. E no meu dia-a-dia, tenho estado com outras pessoas a partilhar experiências do ponto de vista da formação, quer profissional, quer académica».

Fundada em 2001, a OHI é uma Organização da sociedade civil angolana, com sede na província de Benguela. Micelo lembra como se concebeu o sonho.

«Queríamos contribuir com acções, mais concretamente no processo de educação cívica. Era no sentido de trabalhar na consciencialização do cidadão no sentido de ter uma atitude e comportamento eficientes perante aquele contexto em que nos encontrávamos. Felizmente isso foi possível, foi uma relação muito eficiente com as instituições do governo, e permitiu a realização dos nossos sonhos. Mas em função da dinâmica da mudança, do contexto de emergência para o desenvolvimento, novas luzes foram surgindo no sentido de reestruturarmos as nossas acções para um desenvolvimento sustentável na comunidade».

A dedicação a tempo integral na Organização reduz consideravelmente o tempo de Micelo para outras tarefas sociais. Tanto assim que se viu forçado a recorrer à formação à distância. Já no segundo ano no curso de gestão administrativa, Micelo aponta vantagens do método.

«No meu caso concreto, que tenho muitas tarefas a fazer em termos de acções viradas ao desenvolvimento comunitário, tenho muito pouco tempo de estar no sistema mais directo. E a vantagem é que facilita a pessoa ter mais um auto-didactismo e perceber melhor quais são as circunstâncias».

Para terminar, pedimos a João Micelo da Silva, na sua qualidade de activista, para “confessar” se temia mais o risco de acidentes com minas ou a infecção pelo VIH (SIDA).

«Em minha opinião, quer uma, como a outra, são questões que devem ser trabalhadas», sustentou, para adiante acrescentar que «a questão primordial baseia-se no comportamento e nas atitudes, em como é que a sociedade deve dar a sua contribuição em relação a estas problemáticas».
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(*) Rubrica “Nossa Homenagem-um reconhecimento às pessoas pelo seu exemplo de sucesso” emitida na edição nº 11, de 14/04, do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, que teve como tema "a juventude e o acesso ao primeiro emprego". Viver para Vencer é uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.
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terça-feira, 14 de abril de 2009

Crónica: Vamos brincar de guerra?

A guerra tinha o hábito de entrar muito cedo na vida de alguns angolanos. Na minha também.

Há já dois anos que, ao contrário de muitos, o meu dia preferido no serviço é a segunda-feira, quando cada colega chega e conta como foi o fim-de-semana… atenua a chatice de desempenhar uma função sem prazer nenhum, entretanto impotente para desempregar-se, qual prostituta apenas atrás do pagamento.

Esta semana, por exemplo, um dos colegas queixava-se do cansaço físico. E eu, todo ouvidos, fui agarrado de surpresa ao saber que era devido à “kitota” (guerrilha). E enquanto o meu lado tendencioso especulava qualquer coisa como “andar na rosca”, lá vinha o desenvolvimento da notícia. “Uma kitota mesmo a sério… com balas de tinta”. Puxei os lábios para trás, como que a sorrir, enquanto procurava entender o sentimento que me “possuía”. O colega e amigos tinham-se divertido à brava, no Vale do Cavaco, brincando de guerra.

Sem estragar o entusiasmo do outro – legítimo aliás para quem andou envolvido num passatempo radical –, quando dei por mim, já a mente vagueava nas memórias de infância.

A nossa vida na comuna do Monte-Belo, antes mesmo de completarmos cinco anos, resumia-se em duas palavras: uma era brincar e a outra guerra. Atenção, nunca combinadas! Incluíamos no pólo do brincar coisas como ir à escola, apanhar gafanhotos, correr atrás da jante ou arco qualquer que aparecesse, fazer amizade com soldados (sobretudo os cubanos, que passavam de quando em vez em colunas para o Huambo). Já no pólo da guerra incluíamos o cuidado a ter com a manta (o frio era impiedoso no mato, e a noite durante um ataque parecia nunca mais acabar!), bem como o respeito pela mãe (em cujas costas nos agarrávamos na hora de fugir).

Foi assim até 1985, quando, por fim, os meus pais se convenceram de que restava vir ao Lobito, onde era (um pouquinho mais) possível viver. E lembro-me bem da viagem, de como a minha mãe chegou, de certo modo, a ser obrigada a se esconder no frigorífico (desligado, claro, ou eu choraria até estragar o plano); tudo, porque as forças tinham de impedir que a força camponesa se evadisse para a cidade.

Voltando à conversa com o colega, as marcas do impacto das balas na pele enrubescida não deixavam dúvida, ou seja, doía um pouco mas era a brincar. Não era nada de verdade, como o é a cicatriz na bochecha da minha mãe, “tatuagem” do estilo de cauda de lagartixa, desenhada por uma bala “perdida” a meio da noite, quando ela me trazia às costas… (não fosse a “péssima” pontaria do atirador, ter-se-ia alojado na minha cabeça o chumbo, e você ficaria livre da maçada de ler esta crónica.)

Li algures que só se é criança uma vez, sendo os anos mais maravilhosos da nossa vida. O que o livro não dizia era se havia borracha para fazer “delete” de certas lembranças. Se hoje, por exemplo, me disserem, “shii, cala-te, você fala muito!”, algo que acho que não gosto muito de ouvir, automaticamente me lembro da primeira vez que mo disseram: foi na mata (porque quem se esconde deve estar calado).

Por que não brincar de guerra hoje, eu também? Mas será que cheguei algum dia a desarmar o conceito de guerra? Lembro-me de ter ganho, já no início da década de noventa, uma metralhadora de brinquedo, preta, coronhada móvel, bonita mesmo diga-se, de balas plásticas vermelhas. Mas não cheguei a usá-la porque fazia parte daqueles brinquedos que, sendo nossos de nome, eram para enfeitar, por isso, bem penduradinhos longe do alcance das crianças (anos depois, quando me foi entregue, já o mecanismo do gatilho havia ressequido). A euforia de inaugurar uma arma, como aquela, talvez ajudasse a me “familiarizar” com a guerra
– bom, agora quem vai saber?!

De qualquer modo, agradeço aos militares e aos políticos! É que, como dizia o outro, “ninguém, excepto os vermes do cemitério, ganhou com a guerra”. Viva a PAZ, viva Angola!
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Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 12 de Abril de 2009
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Finalmente já em fase de arrumar a nova morada


Oi, se não pensasse na gratidão que devo aos que acompanharam o meu drama de jovem inquilino de uma mulher sem escrúpulos, juro que não teria a tranquilidade que tive na primeira noite na nova morada. Só espero que tenha mais sorte desta vez, acho até que vou mesmo ter, já que passados cinco dias ainda não me chamaram de "Manuel".
Abraços! Gociante Patissa
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Conheça o angolano que frequenta duas universidades em simultâneo (*)

As pessoas que não se deixam derrotar pelas agruras da vida, merecem a nossa homenagem. Hoje é a vez de um jovem que frequenta duas universidades, uma no Lobito e outra em Benguela. Trata-se do irmão Dickyamini Bocolo, de 33 anos de idade, Secretário do Conselho-Fiscal do Círculo Rasta Fari de Benguela.

«Eu estou no Direito [Universidade Católica] e estou no Isced. Foi sempre meu sonho, pretendo ser no futuro um jurista, quiçá constitucionalista. Mas como também estou ligado à área das ciências de educação, então, não posso abandonar a educação; quem sabe, um dia possa vir a ter essa chance de ser professor na faculdade de Direito! E essa parte da educação, como é uma vocação, e o Direito, um desejo, e até porque são dois cursos que se complementam, então sigo História e Direito», justifica.

Agora no 2º Ano, ele conta apenas com sua motorizada para galgar diariamente os 70 Km que correspondem à ida e volta entre Lobito e Benguela. É caso para dizer que Dickyamini Bocolo é “sinónimo” de vencer desafios. O seu dia-a-dia é exemplo disso mesmo.

«Lecciono de manhã [no bairro do Alto-Chimbuila, na zona alta do Lobito], de tarde estou no Isced [Universidade pública, cidade de Benguela], e de noite estou na Universidade Católica [bairro da Caponte, Lobito]. Então, o que me dificulta mesmo conciliar é a parte de professor com as duas faculdades. Mas digo que a vida não é fácil, os sacrifícios muitas das vezes são importantes. Há pessoas que podem estar a dizer que “esse gajo vai frustrar-se, é um maluco”. Mas enquanto tivermos fósforo e capacidade intelectual, então, vamos continuar neste desafio».

De seu completo Dickyamini Sebastião Bocolo Rodrigues é natural da Ingombota, Luanda, residindo em Benguela há 13 anos. Por cá constituiu família, sendo pai de três filhos. Foi também em Benguela que Dickyamini aderiu ao Círculo Rastafari de Benguela.

«Assim que cheguei, aderi logo ao movimento rasta-fari, que era já um sonho fazer parte desta família revolucionária, uma família de jovens que decidiu apoiar o progresso social. Desde aí, fui ascendendo a determinados cargos. Comecei como secretário para actividades do Círculo Rastafari de Benguela, depois fui para secretário para relações públicas. Em 2000 fui eleito como secretário executivo. De 2001 a 2002, tivemos uma outra eleição, onde fui reeleito, pelo trabalho que fui prestando ao CRB».

Amigo da música, do teatro e da literatura, Dickyamini é também professor do ensino primário há cinco anos. No entanto, reconhece que nem sempre um rasta é bem encarado pela sociedade.

«Ao longo da minha trajectória como activista, tive algumas dificuldades com a minha inserção social por ser membro de uma comunidade que ainda, em alguns círculos sociais, é discriminada, a comunidade rastafari. Mas soube sempre mostrar às pessoas que a revolução não se faz com os fracos. E até hoje, àquelas pessoas que fazem de mim um “monstro”, tenho também feito o possível esforço de transmitir que a vida não é fácil».

Só nos resta reforçar os votos de êxitos ao batalhador, esperando muito sinceramente que a defesa de tese não seja agendada para o mesmo dia, já que a lei da física não permite estar em dois lugares no mesmo instante. Até lá, irmão Dickyamini, força!
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(*) Matéria emitida na edição nº 10, de 07/04. “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nossa homenagem à Maria Pacatolo, uma jovem mãe, estudante, trabalhadora

«Chamo-me Maria Pacatolo, tenho 29 anos de idade, sou chefe do gabinete do Coordenador da Comissão de Gestão da Empresa de Águas e Saneamento do Lobito».

Actualmente, Maria Pacatolo mora no bairro da Bela-Vista, Lobito. Mas foi no São-João onde ingressou no escutismo a jovem Bela Saudades, como também é conhecida.
«Comecei também no escutismo em 1995. Em 2002 fiz a formação de dirigente, trabalhei com os Caminheiros e com os Juniores. E, desde que me casei, não participo activamente».

O escutismo ajudou a entrada ao movimento de ONG’s. «Ajudou, ajudou o trabalho na APDC, principalmente com as crianças, porque o escutismo tem brincadeira e animação».

Há quatro anos funcionária da Empresa de Águas, Maria Pacatolo está satisfeita. «Sim, eu acho que é o sonho de qualquer pessoa entrar na função pública. E também os colegas ajudam, tenho um chefe bom».

Será que ainda se lembra da Coligação “Ensino Gratuito, Já!”, da qual foi secretária? «Eu trabalhei quatro anos na Coligação, com o Omunga, APDC, e aprendi muito com o Edmundo, Patissa, Patrocínio, [que] a me ensinaram a fazer cartas”. Gostei!», revelou.

Com um ensino médio do PUNIV, terminado há mais de cinco anos, Maria Pacatolo voltou a estudar este ano. «Eu quis sempre entrar na faculdade. Consegui este ano, estou a fazer o primeiro ano de gestão de recursos humanos».

Nem sempre é fácil dar resposta a “tantos” compromissos sociais. Mas, para isso, Maria Pacatolo tem o braço do marido para se apoiar. «Como mãe, tenho tido pouco tempo de estar com a minha filha. Eu saio às 8h e volto às 22h por causa da escola. Com estudante, o ano começou há bem pouco tempo, ainda não encontrei dificuldades».
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(*) “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.
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domingo, 5 de abril de 2009

Crónica: Nós e a coabitação

Sempre que chega o sábado, tenho a obrigação de ir ao trabalho às 5H30. E é com o sentimento de estar a ser sub-aproveitado (na busca do poder de compra) que dou de caras com a rua. Quase que dá para ouvir a vizinhança e gente normal a ressonarem. Mas, quando passo pelo Café perto de casa, vejo gente a trabalhar e me dou conta do quanto a minha cruz não é seguramente a mais pesada. Eis um convite para desfazer o meu semblante de mártir.

Sem tirar a mente do relógio, ocupo uma mesa, abro um livro ou rabisco um papel qualquer, enquanto espero que as meninas me venham atender. Um quarto d’hora é o máximo dos máximos que me resta gastar ali, pelo que seria desperdício passá-los na sala climatizada, quando se tem uma esplanada e uma rua meio acordada para apreciar.

Como sempre, algo perturba-me. Com todo o respeito que tenho pelas pessoas que fumam, há que aceitar que o fumo do cigarro cheira mal, um contraste até ao gesto elegante com que se fuma. Mas enquanto o meu lado intolerante se lembra das teorias de “como fumam os que não fumam?”, revoltando-me em silêncio contra o papel de fumador passivo, cala-me um detalhe: a esplanada é lugar para fumadores, portanto quem se sente mal acomoda-se na sala climatizada. Aliás, está de parabéns a gerência por facilitar tal coabitação.

Gosto desta palavra, “coabitação”, que é sinónima de precaução. E procuro sempre não incomodar os outros nos espaços públicos, à luz da idosa máxima
“não faça aos outros o que não gostares que te façam”. Lembro-me de uma pessoa chegada, que preferia faltar às aulas a ter que suportar as guedelhas do professor, um intelectual rastafariano. Para dizer que as pessoas, às vezes, incomodam-se pelos mais inesperados motivos. Mas o que me surpreendeu (mesmo!) foi a cena de anteontem no “Quintal da Tia Xica”, um sítio para comer e beber na cidade de Benguela.

Sob minha influência, decidimos (éramos cinco colegas) preterir a feijoada da “Mangueirinha”, optando pelo funji com carne grelhada e lombi. Mas como o tempo é dinheiro, vi-me forçado a aproveitar a demora da chegada do almoço para atender a incumbência urgente de converter em PDF um relatório e proposta de projecto da AJS. Não seria a primeira vez que trabalharia por cima do joelho num restaurante – por acaso até seria a terceira na “Tia Xica”.

Nisto, explodiu de nervos Mr. Pirle, um homem do futebol interbairros
– no entanto um ilustre desconhecido para mim até aquele dia – que tomava as suas cervejas. “AQUI É LUGAR PARA COMER, NÃO É PARA LIGAR ESTAS COISAS DE INTERNET!”, condenou. Não entendendo até que ponto um computador ligado daria cabo do sabor da cerveja, tratei de tranquilizá-lo: “não é nada de pornografia, ya!?”. O homem irritou-se ainda mais com o “ya!”, arranhando o limite da estupidez. “O senhor não me conhece, nem sabe o que estou a fazer…”, contra-ataquei, em vão. Finalmente entra em campo o garçon em serviço, que vem ter comigo e manda desligar o computador. Foi então que abandonamos o local, deixando o outro “em paz”, em direcção à “Mangueirinha” atrás da feijoada. Mas não sem antes oferecer um livro (da minha autoria), que foi imediatamente jogado ao chão.

Sinceramente, é cada vez mais imprevisível o grau de intolerância do ser humano. Será que teremos de arranjar, nos restaurantes, um espaço também para “confinar” os utentes de computador?

Gociante Patissa, 05 de Abril de 2009
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sábado, 4 de abril de 2009

poemas do meu dorso: "Entre muitos"

A voar
a voar
na vertical
mas sempre a voar
e quando o vento e o ruído te fizerem tombar
tenta a pé caminhar
ou rouba asas aos honestos que (ainda) restaram.

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Gociante Patissa
Benguela, 04 de Abril de 2009
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quem serão os três felizardos? (Governo de Benguela promete financiar obras literárias)

O governo da província de Benguela comprometeu-se a apoiar a publicação de pelo menos três obras literárias de autores locais, ainda este ano. A garantia foi feita pelo porta-voz do "palácio da praia-morena", Alexandre Lucas Tchilumbo, que é também Director Provincial da Comunicação Social.

Tchilumbo, que fez questão de enfatizar que se tratava de uma decisão do governador, general Armando da Cruz Neto, discursava durante a cerimónia de lançamento do livro de contos, "O guardador de memórias", da escritora angolana Isabel Ferreira, na noite de sexta-feira, 03/04.

Sem falar dos critérios de selecção nem da entidade que se encarregará do processo, o representante do governo instou apenas os criadores a aprimorarem as suas obras.
Gociante Patissa
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lázaro Dalas é bom exemplo de jovem batalhador (*)

Fomos descobrir mais uma história de vida que merece homenagem. A conversa é com Lázaro Bernardo Dalas, ou Mr Dalas, um jovem que se tornou professor aos 17 anos de idade.

«Realmente! Eu até entrava na turma e os alunos, se calhar, pensavam que eu fosse também colega deles. Mas aquela ética profissional realmente distinguia entre alunos e professor», contou.

Natural do Huambo,
Lázaro Dalas veio a Benguela quando criança ainda. Pelo sonho de concluir o ensino superior, Dalas fez um sacrifício. Perdeu o emprego numa companhia do ramo dos petróleos.

«Eu tive mesmo que decidir, entre deixar os nossos dólares e optar mesmo pela formação. Porque previa que a formação futuramente poderia ser um apoio para mim. Então, é uma decisão que todos os amigos lamentaram, algumas famílias deram-me muito apoio em que pudesse mesmo esquecer e seguir a formação», sustentou.

Mais do que licenciatura, a força da paixão pela língua Inglesa.
«Eu estou a fazer linguística Inglês, vou terminar este ano, e acredito que no próximo ano estarei a trabalhar na minha defesa de tese».

No Lobito, Mr Dalas teve uma experiência como mobilizador social voluntário. «Eu fui convidado, fiz parte desta associação durante seis meses. E fez-se um estatuto e, os meus amigos viram que eu era uma pessoa com certas habilidades, fui eleito vice-presidente [APDC -Associação de Promoção do Desenvolvimento Comunitário]. Desenvolvemos muitas acções, como por exemplo, apoio a crianças desfavorecidas».

Houve uma altura na vida em que, tal como muitos outros adolescentes oriundos de famílias de baixa renda, Dalas viajou para Luanda a fim de fazer pequenos negócios. Talvez conhecedora das potencialidades do rapaz, uma parente sua opôs-se à ideia de ver Dalas no papel de zungueiro. Pelo contrário, pagou um curso de informática. Seis meses depois, Dalas regressava ao Lobito.
Daí que nos vimos tentados a perguntar: quais foram os momentos mais difíceis?

«Por exemplo ter deixado um emprego, naquela altura a ganhar mais de 800 Dólares, e decidir estudar. Tu ficas apenas com um emprego limitado de 240 Dólares. Uma das outras situações marcantes, realmente, foi a perda de uma pessoa que para mim foi uma grande escola, mãe, irmã. Mas, pronto, isto é a dinâmica da vida e estamos realmente consciencializados».

Dalas conta também momentos de alegria. «
Bem, foi ter visto o meu [entre os candidatos admitidos] no ISCED [Instituto Superior de Ciências da Educação]», disse para a seguir acrescentar que «uma outra coisa, são mesmo os desafios a que todo o jovem está sujeito. Os meus empregos, tirando a função pública, foram sempre de luta porque, não tendo ninguém para puxar-te, a tendência é sempre batalhar».

Quanto ao perigo do VIH e SIDA, Lázaro Dalas considera positiva a preocupação da sociedade em sensibilizar jovens e não só. E diz mais: «Eu acho que já é altura de mudarmos as nossas consciências e assumirmos mesmo este tipo de doença».
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(*) Matéria publicada na passada terça-feira, 31/03, no programa de mesa redonda radiofónica "Viver para Vencer", que teve como o tema "O papel do pai no acompanhamento de jovens e adolescentes".
Refira-se que a rubrica “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade
(AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....
AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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