sábado, 1 de setembro de 2018

Bonga: "Não me fale da lusofonia se faz favor"


"É um mal que vem de longe e deram continuidade a um certo preconceito que existe e, portanto, não há a promoção normal dos não brancos, e isso chateia-me sobremaneira. Portugal tem a responsabilidade de ter ido lá, de ter fabricado gente de lá - quando digo fabricado se calhar é pejorativo, mas entrosou -, fez filhos, muitos voltaram, com a mesma tónica de instrução. Onde é que eles estão? Ponham lá os homens a funcionar. Só há um que eu conheço, que está no CDS [Hélder Amaral]. Não me fale da lusofonia se faz favor. Vamos à Alemanha e há miúdas com programas de rádio, de televisão, na França então... Por isso é que eu não gosto do termo lusofonia, CPLP. "Ai falamos todos em português." Está bem, mas eu nunca fui a tua casa. Ao contrário, já entraste na minha. Porque eu abro a porta às pessoas, e quando abro não estou a ver se é branco, preto, azul, encarnado, branco. Nunca entrei na casa dos meus vizinhos aqui. Não sei se temos de considerar aquele portuguesismo ou então aquele estado preconceituoso e receios e medos."

Bonga Kwenda, 75 anos, músico angolano radicado em Portugal (reportagem publicada originalmente no Diário deNotícias, conforme se retoma nas linha que se seguem)
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Em vésperas de celebrar 76 anos, músico angolano recorda a sua infância, a carreira e os truques para enganar a PIDE ao chegar à Portugal. Continuamos a correr até aos 75 anos sempre com Angola como pano de fundo, que em breve se tornarão 76, cuja passagem será celebrada num concerto-homenagem a 5 de Setembro, na Aula Magna, em Lisboa

Texto de: Mariana Pereira, Diário de Notícias, Portugal, 29.08.2018
Guarda as cartas que lhe enviam quem o ouve?
Quando há casos específicos. Porque houve um poema lindo e maravilhoso de alguém que narrou o espetáculo, filhos que nasceram com a música, mulheres que reencontraram o marido, velhos na agonia quase a morrer que põem a música do Bonga. Ainda no outro dia, em Braga, um homem de cadeira de rodas queria ver-me. Em casa era a filha que o ajudava e ali ele levantou-se da cadeira e andou. [Guardo] Principalmente a lágrima no canto do olho deste povo fervoroso, cada vez mais jovem, que me vem ver nos espetáculos e está ali com toda a emoção a cantar.
Mesmo quando é em kimbundu, não é?
Principalmente quando é em kimbundu. Eu quebrei o gelo daquela coisa do preconceito, porque há muita gente que não fala inglês e aceita a música inglesa normalmente. Por que não aceitar a minha música que é em kimbundu, que eles não compreendem, da mesma forma que não compreendem o inglês? Tive de me impor.
Mas tenho consciência de ter rebatido essa lacuna, para diminuir este preconceito de pensar que há culturas superiores. Vendo mais discos no exterior do que na minha terra, onde eles falam kimbundu.
Lembra-se de sons da sua infância no Kipiri?
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Gociante Patissa, escritor angolano na 2ª FLIPELÔ, Bahia (entrevistado pelo poeta Salgado Maranhão)

O escritor angolano Gociante Patissa participou na segunda edição da FLIPELÔ, a Festa Literária do Pelourinho,  de 08 a 12 de Agosto na cidade de Salvador, estado da Bahia, a convite da Fundação Pedro Calmon, tutelada pela Secretaria de Cultura do Governo da república do Brasil. O evento homenageou os escritores Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro em uma celebração da amizade. Sob os auspícios da Fundação Pedro Calmon, A FLIPELÔ realizou mesa-redonda denominada “Conversa com o autor, Com os Pés na África”. Inscreve-se como uma das principais na programação oficial, onde, na condição de escritor-palestrante internacional, Gociante Patissa será recebido pelo público para falar das obras e processos de escrita, conversa esta que contará com um moderador local. Daniel Gociante Patissa (1978) nasceu na comuna do Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela. É membro da União dos Escritores Angolanos, linguista de formação e defensor da divulgação de língua e cultura nacional Umbundu, pelo qual foi galardoado com o Prémio Provincial de Cultura e Artes 2012 na Categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Tem publicadas no mercado brasileiro as obras “Almas de Porcelana” (poesia reunida, 2016) e “O Homem que Plantava Aves” (contos, 2017), ambas sob chancela da Editora Penalux, com sede em São Paulo. A selecção de Patissa iniciou por uma sondagem da Fundação Pedro Calmon, parceira do Centro Cultural Casa de Angola na Bahia. Seguiu-se o crivo de um painel que aprovou por unanimidade a candidatura mediante a relevância do seu curriculum artístico. Trata-se, pois, de um precioso somar no processo da afirmação da diplomacia cultural por Angola, sendo esta a sua segunda deslocação à Bahia, por sinal o mais simbólico porto das raízes africanas na história do Brasil, onde há cinco anos integrou a delegação angolana na 6.ª Bienal de Jovens Criadores da CPLP. Segundo a Organização, o tema da presente edição da FLIPELÔ é a frase de Jorge Amado “a amizade é o sal da vida”, e é em homenagem ao escritor itaparicano João Ubaldo Ribeiro. Promove, em 13 espaços de cultura, acesso gratuito, mais de 50 atividades. Nos cinco dias são esperados cerca de 50 mil participantes, apaixonados pelo mundo das palavras.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Diário | O senhor não tem panelas, é isso?

“Bom dia, senhor. Posso ajudar?”
“Sim, claro! Obrigado, moça.”
“Nada a agradecer, senhor. É o nosso trabalho. Estamos aqui para prestar assistência pré-vendas ao cliente.”
“Muito bem…”
“E em que podemos ser úteis?”
“Olha, gostava de saber o preço destas panelas de tampa vidrada, por favor... Aqui está tudo baralhado, tamanhos e preços... a prateleira é uma só…”
“Só um momento, já venho...”
“Mas demora? É que estou a ver que o vosso caixa fica distante. É para lá que a moça vai confirmar o preço?”
“Não, isso vai ser mais rápido ainda do que imagina...”
“Pois, porque em outros supermercados há dispositivos de leitura electrónica, basta passar o código de barras no scanner, e já está...”
“Também temos aqui, senhor. Vai ser rápido.”
(...)
“Olha, já está. Foi rápido, viu? O valor é mesmo esse, senhor...”
“Ah, Ok. Obrigado.”
“O senhor vai levar então a panela, certo?”
“Sim.”
“O senhor gostou da panela, é isso?”
“Sim. O material parece bom…”
“Mas é mesmo esta que o senhor que levar, né?”
“Sim. Essa…”
“Ah, está bem. O senhor não tem panelas, é isso?”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 29.08.2018
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Utilidade pública | Atenção, gestores de ONG's e demais sociedade civil: EMBAIXADA AMERICANA EM LUANDA LANÇOU PROGRAMA DE FINANCIAMENTO DE PROJECTOS NA ÁREA DO EMPREENDEDORISMO

De acordo com a notificação que sua excelência eu acaba de receber por e-mail, assinada pela Secretária para Imprensa Cultura e Educação, Nafeesah Allen, esta oportunidade de financiamento que a Embaixada dos EUA em Angola acabou de lançar é de longo prazo com o objectivo de envolver o empreendedorismo em Angola e a comunidade de start-ups em implementar um projecto de acampamento e competição.

Os termos para a elaboração das candidaturas podem ser acedidos neste link https://ao.usembassy.gov/education-culture/local-grant-program/

As propostas devem ser enviadas para o endereço electrónico Pasinboxluanda@state.gov até ao dia 3 de Setembro de 2018.

Nota adicional: Antevendo já "confundibilidades", sua excelência eu esclarece que presta, com a divulgação deste anúncio, um auxílio de utilidade pública apenas, não tendo qualquer vínculo com a Embaixada nem tem poder para influenciar rigorosamente nada. Ainda era só isso. Obrigado

Gociante Patissa
www.angodebates.blogspot.com
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sábado, 25 de agosto de 2018

"Boss" Constantino


Das agridoces memórias de 2013, lembrei-me do "cara da foto", de seu nome Constantino Mendes, na altura chefe de secção da juventude no Ministério da Juventude e Desportos e o interlocutor directo dos delegados de Angola presentes na 6.ª Bienal de Jovens Criadores da CPLP, que teve lugar na cidade de Salvador, Bahia, concretamente na Biblioteca Central/Pública dos Barris. Escritores, inventores, artistas plásticos, joalheiros, modelos, fotógrafos, cineastas, músicos/cantores, enfim, um pouco de tudo em termos de potencial e prestígio. Só que nas mãos do "boss" Constantino, éramos todos tratados como recrutas, uma rispidez que entretanto se inibia diante das "estrelas" do grupo (no olhar da instituição que superintendia a delegação), como sejam Cabo Snoop e respectivo agente Ho Chi Fu, Namanhonga e respectivos bailarinos, assim como Madruga Yoyo. Aos olhos da mídia brasileira, todavia, já o promissor Kyaku Kyadaff despontava com o seu violão e sonoridade com matriz bakongo, ao lado de Tony do Fumo Júnior. Os ciclos de tensão na relação interpessoal acabavam diluídos em gargalhadas, de tão inusitado que era o génio mandão de um magrito hahahah. Já não voltamos a cruzar e fiquei a saber, poucos anos mais tarde, que Constantino (também promotor de concursos de beleza/mister pela sua agência Pango's), já não faz parte do mundo dos vivos. Onde quer que esteja, tenha paz a dobrar.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

E assim foi


Sua excelência eu com a emoção de missão cumprida no dia de "legressar ao país", trazendo na bagagem um enorme aprendizado, mais 20 kg em livros, discos e filmes ganhos nos dias da FLIPELÔ-Festa literária do Pelourinho, Brasil, que teve lugar na cidade de Salvador. A melhor parte foi ter lá estado a convite e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon (FPC), a cujo elenco faço vénia pela fabulosa experiência proporcionada e pelo degrau acrescido na carreira de escritor e palestrante. À Casa de Angola na Bahia não podia estar mais grato por todo apoio e amparo do seu director, Benjamim Sabby. Ao diplomata Adriano Mixinge, que me derrotou no Prémio Literário  Sagrada Esperança 2012 (venceu por unanimidade do júri com o romance "O Ocaso dos Pirilampos", enquanto sua excelência eu foi finalista com "Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas"), só posso reconhecer que foi o feliz caso de que "as vezes perder, é ser vencedor". Fico-lhe a dever um abacaxi da minha comuna natal, Monte Belo. À amiga escritora Deborah Dornellas, de gema carioca e de vivência brasiliense, autora do romance recém-lançado "Por cima do Mar" e enredado entre cá e lá, assim como ao amigo Kakau Kapa Reis, dos benguelenses mais cosmopolitas que se pode inventariar, há como não agradecer o amparo e acolhimento na vastidão de um paraíso que é quase ao mesmo tempo quase selva urbana chamado Sampa? Voltamos à "rotina habitual" e o consolo pode soar faltal mas vem  da sabedoria popular: "Alegria de pobrezinho dura pouco" Ainda era só isso. Obrigado hahahahah | www.angodebates.blogspot.com.com
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

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