Há dias que não fotografo. Andam as bolsas almofadadas atiradas a um cantinho, nelas o património: lentes fixas e de zoom, corpo, flash e afins. O último retrato de jeito captei-o foi no dia de Natal. Fotometria no ponto, expressão ainda melhor, como só a ternura de criança sabe proporcionar. Hoje no entanto acordei com uma forte vontade de gravar a vida, pelo que recolhi o arsenal todo, repartido em três volumes, fora de contas estando o tripé e o monopé. Resta metade do dia ainda. E o problema é que estou aqui parado, de conceito e de técnicas sem bússola. Alguém me passa o Exif para capturar o futuro? Queria muito o meu. Ainda era só isso. Obrigado
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Composição
"Casas em Benguela
Enquanto dormes elas se partem com o ressonar.
Para consolo dos utentes, é melhor ir respirando devagar, não chupar todo o ar, ir poupando o oxigênio.
Oh casas de Benguela que te rachas com o vento!"
(Lauriano Tchoia, facebook)
Enquanto dormes elas se partem com o ressonar.
Para consolo dos utentes, é melhor ir respirando devagar, não chupar todo o ar, ir poupando o oxigênio.
Oh casas de Benguela que te rachas com o vento!"
(Lauriano Tchoia, facebook)
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
ÁUDIO (45min) | Abordagem sociocultural do escritor Gociante Patissa sobre 4 de Fevereiro na Radio Benguela 2018 (45 min)
O programa ENTRE NÓS, da Rádio Benguela, apresentado por Filomena Maria, convidou na edição do dia 05/02/2018 o escritor benguelense Gociante Patissa para uma abordagem sociocultural em torno do dia 4 de Fevereiro de 1961, data do início da luta armada de libertação Nacional em Angola. A par do aporte cultural fruto da recolha da memória colectiva e da tradiçao oral Umbundu, Gociante Patissa emprestou também à conversa a sua condição de neto de Manuel Patissa, líder religioso do interior do município do Bocoio e antigo combatente que por conta da sua postura subversiva foi preso político de 1961 a 1965 na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba, província do Namibe.
TRILHAS: Sulunlã (Bessa Teixeira) e Monangamba (Rui MIngas)
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domingo, 4 de fevereiro de 2018
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Nota solta | Gratidão ao director da escola José Samuel por manter a sua memória
Estive recentemente no bairro da Pomba,
subúrbio poeirento pendurado na Zona Alta do Lobito, para (mais) uma ocasião de
infelicidade. Lá reside o núcleo da minha família materna, que é das bandas da
Kanhãla, Ekovongo, Ebanga, confluência de Bocoio e Ganda.
Na hora da despedida
perguntaram-me se tinha chegado a visitar a foto do tio José Samuel que, como já em tempos referimos, foi filho de Samuel Ferramenta Kapiñala (morto na guerra pós 1992), primo-irmão de Gociante Kapinãla (que faleceu por
doença em casa de um dos filhos de Ferramenta, Isaac Samuel). Desta vez tive de
o fazer.
Posto no colégio público José Samuel, sito no bairro da Lixeira,
expliquei ao guarda em serviço que ia por motivos familiares para ter foto da
foto do tio que dá nome àquela instituição de ensino. Era já fora do horário
normal do expediente, pelo que me foi facultado um não. Instantes depois
aparecia um senhor da área pedagógica que se comoveu e autorizou a entrada.
Contou-me que a fixação do retrato logo à entrada resultara da boa-vontade do
director da Escola, José Raimundo, que fora compulsar os arquivos do comité
municipal do partido Mpla e que de sua iniciativa mandou lapidar a placa de
mármore.
Ainda desconfiei que o camarada director deverá ter algum parentesco,
pois o que menos se vê é empenhar-se em preservar a memória de "heróis
pequenos", num país reconciliado que mais facilmente eleva carrasco ao
patamar de "nacionalistas" e lídimos fazedores de opinião, por mais
controversos que sejam na sua acção e verbo. José Samuel, que dá nome ao
terreno adjacente ao banco de fomento da zona comercial (28) e ao comité do de
acção do Mpla ali também, para além da escola da zona alta, foi abatido em 1975 no calor da rivalidade com a Unita, sem nunca se ter levado os autores morais, bem
conhecidos por sinal, à justiça. Assim sendo, gratos, senhor director. Ainda
era só isso. Obrigado. Daniel Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com










