domingo, 30 de agosto de 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Partilhando leituras

Hoje trago o poema AMOR MUDO, que é uma versão do escritor português Herberto Hélder a canções de camponeses do Japão. 
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(Uelsmann)
AMOR MUDO
Ardendo de amor, as cigarras cantam: 
mais belos porém são os pirilampos, 
cujo mudo amor lhes queima o corpo!

Herberto Hélder. In «O Bebedor Nocturno», pg. 129. Porto Editora, 3.ª edição. Abril de 2015
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Vale recordar que o meu exercício de leitura é baseado numa pura questão de gosto/sensibilidade, sendo que no campo da poesia, encanta-me muito mais a escrita que se aproxima ao provérbio, ao espírito da tradição oral, ou quando os parâmetros de paralelismo e contraste são evidentes. GP
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Diário | Afinal já não 'habemus' o livro FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS | KERO do Lobito voltou a esgotar o stock

A subvenção do livro e a consequente redução dos preços parece ser - como de resto sempre se defendeu - uma saída fértil para o fomento da leitura. No KERO do Lobito, mais uma vez esgotaram-se os exemplares do meu livro FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (Grecima, 2014). Tal como os demais publicados pelo projecto governamental LER ANGOLA, custa quinhentos Kwanzas. Não sendo tudo mau, no mesmo KERO do Lobito estão também à venda os livros A ÚLTIMA OUVINTE (UEA, 2010) e o NÃO TEM PERNAS O TEMPO (UEA, 2013). A foto foi hoje tirada quando por lá passei com o intuito de comprar alguns exemplares, uma vez ter prometido regalar alguns amigos no âmbito do prémio pelo exercício de tradução em mais um concurso relâmpago que venho promovendo no facebook. Assim, já não havendo até onde sei exemplares do livro FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS, e caso concordem, receberão em substituição um exemplar do livro NÃO TEM PERNAS O TEMPO, também de minha autoria. Aceitam?
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Reportagem | «Na rua eu já escrevia»: Entre o sonho e a crueldade da vida, a história do jovem Mauro Solitário

Gociante Patissa (texto e fotos)

Mauro Solitário é como prefere ser chamado «o poeta» da Okutiuka, ONG que alberga crianças e pré-jovens vulneráveis na cidade do Huambo. José Litalato Graciano é o seu nome de registo. Tem 21 anos e destaca-se pela inclinação à arte. Sonha ser psicólogo e um grande escritor mas, antes, tem de estar acordado para a crueldade da vida real.

Por limite de idade, Mauro deverá abandonar o centro que o acolhe há uma década. Sem meios nem a quem se encostar, resta-lhe um futuro sombrio. A ligação com os pais parece ter-se ficado pelo biológico. «A minha tia me disse que estão vivos, mas nunca tive contacto com eles». Voltar a morar ao relento seria a última escolha, se escolher lhe fosse possível. Mas não é tudo. Deixou de estudar ainda na 9.ª classe, segundo disse, por ter perdido os documentos numa deslocação que fez a Luanda para tratar da saúde.

A reportagem do Blog Angodebates conversou com Mauro no domingo (23/08) à pala do poeta Chico Pobre, que organiza e faz tenção de incluir Mauro solitário no naipe de declamadores do festival de poesia aprazado para Setembro. Não foi possível contactar a responsável da Okutiuka, Sónia Ferreira, que não se encontrava nas instalações.

«A princípio, quando eu vivia na rua, já escrevia. Escrevia algumas coisas, tipo romance, mas os meus amigos não iam de acordo com aquilo. Gostaram mais quando um dia lhes mostrei poesia. Daí comecei a escrever coisas que fazem com que a pessoa sinta. Mas propriamente, comecei a me dedicar mais por aí há três anos», conta Mauro.

Os impulsionadores «são os meus amigos que deixei na rua mesmo», esclarece Mauro Solitário. Se ainda mantém contacto com eles? A resposta é negativa. O primeiro poema por si escrito, «era sobre uma namorada», revela, e logo acrescenta: «Já não me lembro, já passa muito tempo; é sobre a namorada dos meus amigos. Quando se deixaram, então eu escrevi uma prosa para ele, para que não pensasse mais assim muito nela.»

Guarda o projecto de livro no seu computador portátil mas, para não fugir à regra de reduzir a poesia à declamação, comum entre jovens aspirantes a poeta, Mauro Solitário guarda alguns temas em áudio no estúdio artesanal que um «irmão» seu montou ali mesmo no espaço da Okutiuka. «Tenho muitas dificuldades. A principal é de encontrar um apoio para que peguem ou patrocinem a minha obra. Outros apoios… é encontrar um sítio para ficar, porque daqui a mais um ano já poderemos sair», frisa o jovem.

Mauro, que faz da solidão a sua identidade e o fio condutor dos textos que escreve, conhece bem o valor do centro que o acolhe: «A Okutiuka representa para mim uma casa que nunca tive, uma família. Quando cheguei aqui na Okutiuka, vim por intermédio do maltrato da minha família. Passei muito tempo na rua, seis anos e tal. Então, tem uma pessoa que me acolheu, me trouxe cá em 2004», completa.

Diz gostar pouco de ler poesia, preferindo obras técnicas e científicas, o que soa um tanto dissonante para quem sonha consagrar-se como poeta. O livro mais recente que leu foi um «sobre a geografia do presente e do passado de Portugal». O acesso aos livros é outro luxo de que não dispõe, já que «a biblioteca encontra-se sem condições». Ainda assim, sonha ser psicólogo para poder «estudar a mentalidade de qualquer um». Da lavra de Mauro Solitário, escolhemos o poema que se segue:

A NOITE É COMO UMA CHUVA QUE CAI

A noite é como uma chuva que cai
Em um bairro isolado com caminhos apertados e parados ao mesmo tempo
Entre as marcas da solidão da beleza das pequenas coisas que fazem a vida valer a pena

A noite é como uma chuva que cai
Em um caminho perdido no cheiro do mar onde a história de um pobre órfão
Transforma-se em guerra num território virgem de segredos mais profundos
E mais sombrio entre os caminhos tão simples de oportunidades de vida mergulhados
Entre crimes do século de mágoas.

A noite é como uma chuva que cai
Em uma cidade perdida no meio do nada com caminhos tão simples resmungados
De esperança a um metro de distância.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

Edna Mateia anuncia para breve lançamento do seu primeiro disco

Foi com enorme ovação que o público reagiu à novidade na noite de sábado (21/08), durante um desfile de moda na cidade do Huambo, testemunhado pelo Blog Angodebates. Edna Mateia animou a noite com dois temas promocionais, o “para ti, mulher”, cantado na língua portuguesa, e "kafeko" (que significa mocinha na língua Umbundu). 

Por seu lado, o mestre de cerimónia, Otenásio Matias, como quem tem acesso privilegiado aos bastidores, sublinhou que o disco de estreia da Edna está para breve, muito breve, sem no entanto adiantar datas nem títulos.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Citação

"Estamos a trabalhar para melhorar a vida do nosso povo. Vamos criar condições para dar ao povo água potável e energia potável" (discurso devidamente potável atribuído a um certo governante, que entretanto me pareceu ser uma paródia)
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Desfazendo dúvidas | "Pakulamento" é corruptela do verbo "ko pakola/pakula" na língua Lingala


O verbo vem do tão simples Lingala - língua falada na RDC. Forçar a coisa é passar por parvos, mais do que os usuários dos mesmos produtos.

Como bom falante da Língua - no caso Lingala - irei pôr aqui os pontos nos iis.
Primeiro: A origem etimológica dessa expressão vem dos bairros que aos inícios dos anos 90 vinham populando Luanda. Bairros como Mabor, Petrangol e Palanca(o reino). Verdade seja dita, muitos dos falantes de Lingala eram angolanos regressados depois do aparente calar das armas e o período das eleições de 92.

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Diário | A propósito de "pakulamento", um enquadramento etimológico algo forçado

Chegou ao meu conhecimento que determinado compatriota nosso, em Luanda, ofereceu aos seus leitores uma origem etimológica de "pakulamento", termo usado para descrever a prática deliberada de clarear a pele, a "mulatização" para muitos, que volta à baila na sequência da adesão e publicitação que está a ganhar entre artistas (intelectuamente ocos e na sua maioria do piorio que o nosso mercado musical viu nascer), mas também entre líderes religiosos e políticos.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

Com tecnologia do Blogger.

TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

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