quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aventura na estrada: Viajando do Huambo a Benguela ao volante de triciclo motorizado


O Blog Angodebates foi tentado a entrevistar um anónimo recordista das estradas do centro e sul de Angola, um trabalho que só agora nos é possível divulgar em função da recente avaria do nosso computador.

Há dois anos que Luís Xavier foi transferido para a província do Huambo, onde representa uma ONG. No entanto, tem a família na cidade de Benguela, o que o leva a enfrentar com certa frequência os cerca de 800 quilómetros de autocarro para matar as saudades. A sua mais recente vinda foi marcada por uma aventura, no sentido literal do termo. Luís decidiu fazer a viagem ao volante do triciclo motorizado Bajaj, adaptado para pessoas que, como ele, têm deficiência dos membros inferiores.


Angodebates: Sei que veio ao volante da sua motorizada. Porquê?

Luís: Às vezes é preciso também ser um pouco atrevido, imaginar que nós podemos chegar até onde queremos. Eu, antes de fazer este percurso, Huambo-Benguela, de Bajaj de três rodas, fiz um cálculo. Porque só a nível da cidade, as trajectórias que eu faço, até à tarde, em termos de quilometragem seria uma caminhada idêntica a Huambo-Benguela.

Angodebates: Matematicamente, foram quantos quilómetros?

Luís: A minha motorizada já não está marcar a quilometragem, mas por aquilo que me apercebi, do Huambo ao Balombo são 170 quilómetros, do Balombo da Benguela são 160 quilómetros. E eu parti às 5h do Huambo, às 9h estava no Balombo, tive que descansar umas duas horas para não esforçar muito a motorizada. Às 12h30 continuei a caminhada. Como o troço Balombo-Amela ainda tem problemas, gastei quase três horas. O troço ali está muito mal. Entrei no Lobito deviam ser 17h. Se não fosse o troço que está mal, entraria por volta das 15h.

Angodebates: Em termos de combustível, quantas vezes teve de abastecer?

Luís: Abasteci no Balombo [10 litros de gasolina], mas, na altura, a motorizada ainda não tinha pedido reserva, ainda poderia andar até ao Bocoio [50km aproximadamente]. Atestei o depósito e a motorizada só começou a dar sinal a 30 metros da minha casa [cidade de Benguela]. Como a motorizada ainda é nova, o carburador é novo, não consome muito combustível.

De referir que os triciclos motorizados Bajaj, de origem indiana, surgiram com certa mediatização há seis anos na província de Benguela. Faziam serviço de moto-taxi nas cidades de Lobito e Benguela, sob gestão da Cooperativa de Pessoas Portadoras de Deficiência, iniciativa do projecto “Dignidade”, implementado pela Lardef (Liga de Apoio e reintegração dos deficientes).

Habituado a bater-se pelo direito à dignidade das pessoas com deficiência, Luís vê na viagem um motivo de intervenção social. «Na verdade, muitas [são]as pessoas que não estão a acreditar que vim de motorizada. Normalmente, as pessoas olham para essas motorizadas e, logo, a primeira coisa é reparar a pessoa que está a conduzir a motorizada. E olhar para onde? Para os seus pés. Quem está a conduzir esta motorizada. E vêm logo, “ah, é uma pessoa que tem deficiência”, e só depois é que olham para a motorizada. Naquele grau que diminuem na pessoa com deficiência, diminuem também o próprio meio que é conduzido pela pessoa com deficiência. Eu vim e foi bom!»
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Gociante Patissa, Benguela 2009
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Canhangulo, armamento destruído pela história... e ainda bem


Deve ser evidente que não tenho mesmo jeito com as armas, não? Pois já o sei, tanto assim que acho o quadro a coisa mais fotogénica. Nossa objectiva no município do Balombo.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Depois do Congo Brazavile, angolanos escorraçados da RDC

As imagens são desoladoras, os relatos um pouco piores. Centenas de angolanos viram-se forçados a abandonarem a vizinha República Democrática do Congo (RDC). Multiplicam-se denúncias de maus-tratos nessa expulsão compulsiva que não poupou estudantes nem os residentes em situação legal. Em causa, a “operação repatriamento” das autoridades migratórias angolanas, que visa expulsar estrangeiros ilegais, maioritariamente ligados ao garimpo de diamantes.

O quadro piorou uma vez que terminou ontem (06/10) o ultimato das autoridades da RDC, que tem o aval da Assembleia Nacional. Vários retornados ouvidos pela rádio nacional angolana referiram que foram expulsos sem terem a oportunidade de retirarem das residências os seus bens. Houve quem falasse em queima de haveres, incluindo viaturas, para além da perda de emprego.

Está em curso a máquina da diplomacia de ambas as partes, sem no entanto estar à vista uma data para a normalização da situação. O ministro da Reinserção Social, João Baptista Kussumua, entrevistado pela TPA, avançou que, numa primeira fase, os regressados estão a ser acondicionados em tendas na província do Zaire, para posterior identificação de seus familiares e zonas de origem. No entanto, pior ainda pode acontecer, a fazer fé nas palavras do jornalista Nicola Vadjon, ligado ao governo congolês, que, ouvido pela TPA ao telefone, falou de um plano de "expulsão massiva".

Há pouco menos de uma semana, as autoridades do Congo Brazavile tomaram a iniciativa unilateral de encerrar a fronteira que liga a província de Cabinda com a região de Ponta-Negra. Como resultado, vários angolanos ficaram retidos do outro lado, chegando-se inclusive a mobilizar a intervenção da Cruz Vermelha para assisti-los com mantimentos. Felizmente a situação já está ultrapassada.

Note-se que os dois Congos se queixam de humilhação, uma vez que, sustentam, não foram informados pelas autoridades angolanas em relação a expulsão dos seus concidadãos, não obstante as relações de irmandade existentes.

Gociante Patissa, 7 Outubro 09
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domingo, 4 de outubro de 2009

Crónica: "Acabou-se a mangonha do colega Comportador"

Foi assim mesmo que aconteceu, naquele dia que nunca terá perdão. É verdade que tem feito esforços a mais o nosso “colega”, se comparado com a sua morfologia. Um ano de convívio não tem sido fácil para ele, isso é de reconhecer, mas optar por desmaiar, numa altura em que todo o esforço é pouco, sinceramente, assim também não!

Para quem possa interessar: no passado dia 19 de Setembro, foi registado um gesto de insubordinação por parte de um dos fundamentais constituintes desta casa de Bloguismo denominada “Angola, Debates & Ideias”.

O respeitável senhor “Comportador” (já explicamos o porquê do nome) entendeu que devia demitir-se de algumas funções, sendo as mais relevantes a execução do programa de acesso à Internet via modem e a execução de vídeos. Julgamos desde já reprovável tal iniciativa, embora compreensível (já que a suposta endemia foi resultante da fornicação com reincidentes pen-drives sem preservativos eficazes).

Só hoje, vossas excelências, volta a entrar em campo o “colega”, depois de vários esforços em levá-lo para tratamento ao um kimbanda das teclas, que o incubou dias a fio sem tocar nele. Fomos felizes numa segunda tentativa, com um kimbanda das teclas que passou a noite inteira a esfregar as sarnas do “colega”. Veio diferente, um bocado menos original, mas com o essencial para dar o seu empenho.

Definitivamente, há muito que o computador deixou de ser apenas um meio. Aqui pensamos com/no computador. Sem ele, a criatividade não tem escoamento. Agora, diga-me lá: é ou não justo chamá-lo de “colega Comportador”?

Gociante Patissa, Benguela 4 Outubro 2009
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Poemas do meu dorso: "Loiça limpa"

Lavei a louça
toda ela
desta vez
toda
e se não cozinhar
é para não vê-la suja
outra vez.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Top dos Mais Queridos "devolve" ao músico Eduardo Paim a honra que merece

"Não, não, não. Não me peçam para chorar", um dia cantou Eduardo Paim "General Kambuengo". Mas ontem, 02/10, não foi preciso pedir, ele chorou de emoção no palco, enquanto figura homenageada pela edição 2009 do Top dos Mais Queridos, iniciativa da Rádio Nacional de Angola. Para além da sua actuação, a produção do Top fez uma série de reportagens, onde várias figuras contaram a forma como o maestro Paim entrou em suas vidas. O público presente levantou-se, aplaudiu e na mesma sintonia que os organizadores, manifestaram a Paim o carinho que merece pelo contributo na história da música Angolana. Jomo Fortunato que o diga!
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Já nos anos 1985, Paim e outros integrantes do grupo SOS cantavam e faziam cantar. Aliás, por diversas vezes, outro astro da música angolana, Paulo Flores, revelou ter contado em grande medida com a "formatação" de Kambuengo. Paulo chegou a atribuir, num passado recente, um diploma e os valores de vencedor de um concurso (cujo nome não nos vem agora à mente) ao seu companheiro Paim. Não sendo o único, Nelo Paim, o prodigioso tecladista, é também produto do trabalho do irmão, que possui tão-somente um dos melhores estúdios de música em Luanda.
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A carreira de Paim viria ser maculada por ausações de envolvimento em tráfico de drogas, quando se encontrava a residir em Portugal. Passada a núvem, Paim regressou a terra, sem nunca ter posto a música de parte. E já nos últimos anos, numa interacção com gerações mais recentes, fez um dueto com Matias Damásio, um convincente talento nascido no subúrbio da cidade de Benguela. O resultado não podia ser outro, que não o sucesso.
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Recorde-se que o Top dos Mais Queridos edição 2009 foi conquistado na final pelo artista Yuri da Cunha, que concorreu com Caló Pascoal, Pérola, para só citar alguns. Na categoria do prémio da crítica, Gabriel Tchiema, um investigador dos ritmos do leste (Lunda Cokwe) recheado de trova, foi o vencedor, de uma corrida em que participaram Margareth do Rosário, Patrícia Faria, entre outros.
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O blog Angodebates manifesta aos organizadores, homenageados, vencedores e participantes os seus parabéns. O que há de construtivo na música angolana deve ser, sim, enaltecido!
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(Foto retirada do Blog http://poesiangolana.blogspot.com/)
Gociante Patissa, Benguela 03 Outubro 2009
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nossa homenagem a Ilídio Cunha, um lendário "mágico" de Land-Rover

Há mais de duas décadas exercendo a mecânica, na cidade do Lobito, Ilídio Cunha, aliás mestre Ilídio, é já uma referência obrigatória que se confunde com uma conhecidíssima marca: Land-Rover. O prestígio de Mestre Ilídio inclui as habilidades como torneiro, electricista-auto e serralheiro. Para muitos que não conseguem custear as manutenções e reparações na representante, “União”, Ilídio é um heróico mecânico de quintal.

Hoje na casa dos cinquenta anos de idade, mestre Ilídio recorda: “iniciei o desejo de ser mecânico aos 13 anos de idade. Meu pai era carpinteiro, andei com ele para aprender mas não estava no meu desejo seguir esta profissão. Então optei pela mecânica. Comecei a aprender na Auto-Obelisco, aqui no Lobito, como bate-chapa, mas também não gostei. Fui para Luanda, fiquei lá um tempo”.

Como muitos, Ilídio deixou-se “corromper” pelas saudades da terra, abandonando a capital do país. “Quando regressei, inscrevi-me na escola Comandante Nzaji, onde fiz o curso de um ano e meio de mecânica. Terminado, consegui emprego na Renault durante cinco anos, Manauto 111. Quando saí dali fui para a Scania, que aqui no Lobito era Manauto 112. As condições também não eram favoráveis, então desisti. E veio o desejo de fazer meus trabalhos por conta própria”.

Em finais da década de 80 viria instalar-se no bairro da Santa-Cruz, onde actualmente reside. “Alguém mostrou-me este lugar, comecei a trabalhar em carros diversos. Mais tarde comprei um Toyota Land Cruiser, o qual vendi. Quis ter Land-Rover porque sempre tive paixão. Eu sabia que é carro de força, transpõe qualquer obstáculo. Foi quando eu comprei um. Andei um tempo com ele, depois vendi-o. Comprei mais outro, fui vendendo e posteriormente comprei um totalmente avariado, fui reconstruindo”.

Aquilo que um dia começou com intervenções paliativas de curioso ante as avarias do seu carrito viria resultar numa especialidade, ou melhor, uma raridade, Land-Rover. Há mesmo quem acredite profundamente que não há carro sem solução, desde que entregue em mãos certas, ou seja, as do mestre Ilídio. A sua viatura pessoal, que reconstruiu, digamos, peça sobre peça é também da marca... Land-Rover, ora pois. “Reconstruí-o lá vão três anos, ainda permanece um mimo. E para estar onde está…” (a frase é completada por um misto de sorriso e uma entoação arrancada do fundo da emoção). E remata: “é a minha paixão pelos Land-Rovers”.

Mestre Ilídio gostaria de ter um Toyota, desde que todo o terreno, sendo o Hilux a preferência em função do design. “Já tive um anteriormente e gosto, é moderno”.

Mais do que um quintal, Ilídio Cunha possui um recanto místico que lhe permite exercer a profissão e forjar mecânicos do futuro, os seus filh
os. Outra curiosidade: há coisa de três anos, surpreendeu a vizinhança ao reconstruir carcaça de mini-autocarro, que hoje faz serviço de táxi na rota Benguela-Luanda. E tão fértil é a mecânica de mestre Ilídio, que galinhas procriam na carroçaria de uma viatura que aguarda reparação.

Já a terminar a conversa, no seu jeito pausado e simpático, mestre Ilídio confidenciou-nos que se tem conseguido adaptar aos Land-Rovers modernos, a exemplo da frota dos administradores. Só não ousaria tocar nos “electrónicos de caixa automática”, sendo ele humilde, competente e com noção dos seus limites.
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Gociante Patissa, Lobito, Setembro 2009
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Opinião: A TV Zimbo e o espaço para o contraditório

Na sua recente passagem pelo programa Zimbando, a jornalista e editora de política do Jornal Angolense, Suzana Mendes, acentuou o elogio à TV Zimbo por esta dar maior espaço para o debate, opondo as duas maiores forças políticas angolanas, o MPLA e a UNITA.
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E foi com agradável surpresa que ontem, 24 de Setembro, a televisão privada do grupo Medianova brindou a audiência com mais um debate. Desta vez, os contendores foram os deputados Raúl Danda (jornalista e docente universitário, pela Unita) e João Pinto (jurista e docente universitário, pelo Mpla).
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Em causa o debate constituinte, em prol do estabelecimento de um modelo de governação, estando o país em fase transitória de Lei de revisão constitucional para a existência de uma Lei Constitucional. Ailás, estão já em posse da Comissão Constitucional da Assembleia Nacional as propostas de constituição dos partidos representados no parlamento, sendo de destacar que o PRS (Partido de Renovação Social) defende um sistema de governo federativo.

Como era de esperar, os ânimos "aqueceram" quando se tocou na controversa ideia de Angola adoptar o modelo de eleição presidencial indirecta, em que, como caracterizou Raúl Danda, funciona como aquele marketing "paga um, leva dois". A Unita defende a ferro e fogo a eleição directa, ou seja, um cidadão, um voto, e não a escolha do presidente pelo parlamento. João Pinto, por seu turno, lembrou que não se trata de decisões tomadas e sim uma oportunidade que se abre para se discutirem os mais variados cenários possíveis, o que em política é usual.

É na verdade a segunda vez em menos de três semanas, tendo tido o jornalista Amílcar Xavier como convidados, na primeira ronda, o jurista Raúl Araújo (ex bastonário da ordem dos advogados, pelo Mpla) e o político Abel Chivukuvuku (ex-candidato a presidente da Unita).

Havendo quem tenha voltado a franzir a testa face à actuação "arruaceira" do jurista João Pinto, a iniciativa como tal não deixou de ser mais um contributo para a necessária cultura do debate, conhecida pelo efeito de enriquecer a democracia.

Como angolano, só posso manifestar também os meus parabéns à TV Zimbo, que "arrisca" em abrir espaços de confronto de ideias, mesmo se tratando de temas um tanto sensíveis. Ganha o país, ganha o jornalismo.

Gociante Patissa, Benguela 25 Setembro 2009
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Crónica: As águas quentes do Kutokota e o sexo dos monumentos

Duas estradas paralelas, uma de entrada e outra de saída, separadas por um canteiro que só não é mais vistoso por lhe faltar relva, bipolarizam o centro da Vila do Balombo, que acolhe e/ou assiste quem vem do litoral em direcção ao centro e sul de Angola (ou vice-versa).

Tarde de sexta-feira. No ar a sensação de dever cumprido, o primeiro dia de capacitação das comissões de pais e encarregados de educação de três escolas correu pontual e lindamente. Embora cientes de que a nossa presença na vila não passava despercebida, serpenteávamos turisticamente a bordo do Land-Cruiser. Melhor ainda sabia a descoberta sem qualquer interferência, como seria o caso de sermos abordados por um pedinte, a quem nada teríamos para dar (mas disso falo daqui a pouco, ya?).

No grupo, eu era o único que tomava contacto com o Balombo pela primeira vez, por sinal o que me restava dos nove municípios que compõem a província de Benguela. Era incontornável a ansiedade: que mais me pode oferecer esta vila, para além da nascente do “Kutokota”, conhecida oficialmente (diria até erradamente)
por “Kotakota”? Não via a hora de apalpar com as próprias mãos as águas que há bué impressionam o mundo pelo fenómeno de saírem literalmente quentes da nascente.

A questão era esperar! No entanto, pelo já visto, a impressão da viagem era positiva. É verdade que teria sido mais “orgásmica” se as aldeolas ao longo da via tivessem uma espécie de placas/legendas. Outra coisa, achei preocupante que no Balombo não se tenha acesso à emissão radiofónica (aparentemente devido à inoperância dos repetidores da Rádio Nacional), ao contrário da televisão.

Voltemos às vantagens da paz. Lá vão os tempos em que as ONG’s eram um verdadeiro “poder”, por altura da emergência, quando um Land-Cruiser com a chapa de matrícula verde (ou vermelha) instigava no anfitrião o sonho de amealhar uma bem-aventurada dotação: comida, roupa ou uns dólares. Hoje, felizmente, o contexto é de desenvolvimento, ênfase para o combate à dependência de f
orças externas através de projectos e programas que visem potenciar os agentes locais.

Pouco depois das 16 horas. Estávamos (at last) às portas do Kutokota!!! Para a minha surpresa, o ímpeto da criatividade fotográfica era substituído pela auto-censura. Havia homens (muitos) e crianças a banharem completamente nus. E lá me levava o lado paternalista a advertir os colegas para terem cuidado ao fotografarem (por conta da ética).

Meia hora depois, estaciona um Jimmy, de um cidadão (seria estrangeiro?) que trazia a esposa, filhos mais uma mocinha à prodigiosa fonte. Eis que rebentava um alvoroço, com insultos de parte a parte.

– O lugar das mulheres é lá em baixo! Você é mulher de onde, que não respeita os que estão nus?
– Quem vos manda banhar nus aqui? – refila a cidadã, que trazia uma criancinha nos braços.

– Aqui é lugar dos homens, as mulheres é lá em baixo! – vociferavam os “ofendidos”, apontando o dedo para o distante lado norte do rio, onde certamente a água já não chegava quente.

– Mas quem definiu que aqui é lugar dos homens, se isso é um local público? – insistia a “intrusa”, confiante na justiça do seu argumento, sem contudo recuar a marcha em direcção ao monumento, enquanto que o marido aparentemente não intervinha na contenda.

– Os donos do Balombo é que definiram assim!!!

– Pois então definiram mal! – desafiava.

Amanhã enfrentaremos outra vez cerca de 200 quilómetros de estrada rumo a Benguela (haja nádegas!), mas foi proveitosa vinda ao Balombo. Muito obrigado à AJS pelo convite.

Gociante Patissa, Balombo, 18 Setembro de 2009
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Já agora, é para dizer "chinelo" ou "chinelas"?

Existe alguma diferença nestas duas imagens quanto à sua natureza? Bom, segundo as minhas sobrinhas, "citando" os vendedores de Benguela e o linguajar da moda, há dois indicadores:

1. Se for parecido a este, temos em mãos um par de "chinelos".




2. Se se parecer mais a este, não haja dúvidas, estamos em posse de "chinelas"


No telejornal de hoje, a repórter, que cobria a polémica na escola francesa de Luanda por causa do rigor na indumentária, realçou que doravante as meninas não poderão aparecer (...) de chinelas, como se estivessem a ir à praia.
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sábado, 12 de setembro de 2009

O cartão vermelho

O jogo do "Cartão vermelho" é um interessante gesto de reconhecimento que o Blog Angodebates ganhou ( indicação) do Blog "Estados de Alma" (http://osestadosdealma.blogspot.com/).
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Regras:"Cada um deve fazer uma lista com 10 assuntos aos quais mostra o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, uma palavra ou qualquer outra coisa que de alguma forma, nos incomoda - se achar por bem, justifique as suas escolhas. Após isso, seleccione cinco blogueiros, a quem reconheça consciência social, e passe o testemunho…"O que me incomoda e, por consequência, leva o meu cartão vermelho:
1. Guerra em Darfur.
2. Fome no mundo.
3. Degradação de valores e bons hábitos na sociedade angolana.
4. O cancro da corrupção em África e por cá.
5. Aos promotores e patrocinadores de concursos fúteis com altos prémios, a exemplo do "bumbum dourado", entre os demais.
6. Ao racismo e demais formas de exclusão social.
7. Às igrejas dúbias, entre elas a Igreja Universal do Reino de Deus pelo excesso de propaganda e milagres inexistentes.
8. À ainda pouca atenção e valorização das línguas nacionais, locais ou regionais angolanas, fazendo com que novas gerações as conotem (erradamente) com atraso e pouca cultura.
9. Aos que deixaram de acreditar na possiblidade de um jornalismo cidadão, isento e rigoroso.
10. Aos que cruzam os braços e deixam de lutar para a realização dos sonhos, preferindo identificar culpados para os seus fracassos.
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Indico (por muito que me custe sleccionar apenas cinco entree os vários blogues que acho valerem a pena) os seguintes:
Aos leitores e amigos do blog Angodebates, ficam os agradecimentos do vosso Gociante Patissa.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

Com tecnologia do Blogger.

TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

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