quarta-feira, 7 de maio de 2014

Diário: UM TEATRO A VALER

Gostei de ver agora no Janela Aberta (TPA) os breves minutos de teatro com o grupo Oásis (ligado à Força Aérea Nacional). A peça era de intervenção e retratava distúrbios alimentares, numa prestação simplesmente bem conseguida. O personagem é um pedreiro que enfrentava indigestão, depois de ter ingerido gelado, funji, batata, tudo, em quantidades excessivas. É só apetite mesmo, sublinhava. Aí entra a mulher que lhe esfrega petróleo iluminante e passa com a vassoura sobre a barriga, suspeitando tratar-se de maus espíritos, até surgir uma terceira pessoa que aponta o caminho do hospital. Humor inteligente, mobilidade sóbria em palco, expressão muito próxima ao natural. Confesso que a minha impressão do teatro, de forma geral, não é a mais positiva, sendo muito previsível o retrato de violência e sobretudo recorrência temática. É por isso que a satisfação é muito grande quando vemos teatro com elevação estética. Parabéns, Oásis. Aliás, para um grupo que foi, entre outros, a base da radionovela Kamatondo, estranho era esperar algo inferior.
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terça-feira, 6 de maio de 2014

Diário: FRUSTRAÇÕES DE UM FOTÓGRAFO DE BRINCADEIRA


Passei ontem pela loja de um vietamita simpático onde encontrei uma lente/objectiva que me deixou com água na boca. É uma 18-200 mm para Nikon, o que me pouparia de andar, como sempre ando, com duas, sendo uma 18-55mm e ou 55-200 mm. O preço é que não era lá muito bom conselheiro, "apenas" 75 mil kwanzas (USD 750). Ainda tentei, por tentar apenas, reduzir para 60 mil. "Eu só baixa 2 mil, amigo". Para quem se dedica à fotografia por mero passatempo, you have to think twice before you open your savings hahaha. Mesmo sabendo que é vocação das lentes custar caro, saí com a decisão de esquecer tal ideia de compra, mesmo até porque - prémio de consolação? - de acordo com as aulas do curso, quanto mais zoom a lente tem, menos qualidade passa a ter, dada a quantidade de vidros no tubo que constitui o objecto. O que preciso mesmo deve ser mais é uma lente fixa, teoricamente mais clara. Duro ser "foteiro" neste deserto em termos de oferta de material fotográfico 

Foto de autor desconhecido
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EXCERTO


"O homem contemplava do cais do Tamariz, com os profundos olhos de sua alma, o navio que descrevia a última curva do seu destino, a Restinga, o Porto do Lobito. Vinha dos lados de lá. Onde, exactamente, não interessava saber na altura, talvez também não agora. O certo é que Veremos estava quieto, estático mesmo, de pé, só olhando.

Era 4 de Abril de 2002. A televisão e a rádio transmitiam em directo a cerimónia de assinatura do Memorando de Entendimento do Luena entre o exército governamental e as forças militares da UNITA. Estava Angola, finalmente, vestida de sonhos e verdejantes reencontros. Na ponta da caneta nascia o mais afinado cantar das pombas. Mas o dia tinha um motivo ainda mais medular para Veremos: a sua filha, do casamento com a falecida Chiquita, completava o segundo aniversário.

Envolto num silêncio sublimemente engrossado pelo bater das ondas na estrutura de betão, o homem flutuava no auge da abstracção, longe das controvérsias da vida fora do oceano. Que magia se escondia na cena que contemplava? Seria das águas que se rasgavam com a aproximação do navio? Seria da maresia, ou era a sensação de voar, não obstante os pés estarem assentes num solo esquentado pelo sol do meio-dia?

Horas após o navio passar, o homem continuava capturado pelo mar, seguindo as acrobacias do peixe. Plenamente parado no tempo, nem fome nem nada. O sol retirou-se primeiro, antes das dezasseis horas. Depois foram-se os peixes. Mas Veremos sempre ali".

Gociante Patissa, in «Não Tem Pernas o Tempo», pág. 94. União Dos Escritores Angolanos. 2013
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Emblemático

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Nota de imprensa: LANÇAMENTO DO LIVRO DE AIRES DE ALMEIDA SANTOS

Por incumbência da editora NósSomos, com sede em Luanda, dirigida pelos veteranos escritores Luandino Vieira e Arnaldo Santos, vimos pela presente solicitar a vossa divulgação e cobertura da sessão de lançamento do livro “MEU AMOR DA RUA ONZE” DE AIRES DE ALMEIDA SANTOS, que terá lugar no anfiteatro da Mediateca de Benguela, no domingo, 11de Maio, pelas 15:30 horas.

Propositadamente enquadrado na jornada de mais um aniversário da cidade de Ombaka, o lançamento do livro de AIRES DE ALMEIDA SANTOS presta singela homenagem à memória do poeta benguelense que imortaliza a cidade, principalmente pelo clássico literário “Meu Amor da Rua Onze”. As entradas serão livres e a apresentação do livro será feita pelo académico Francisco Soares e pelo Jornalista e escritor Carlos Ferreira “Cassé”, ambos vindos de Luanda.

Para além do lado lúdico, que compreende a apresentação formal e recital de poesia e trova, o livro estará também a ser comercializado ao preço de 500 (quinhentos) kwanzas. A organização do acto está a cargo dos escritores Gociante Patissa e MBangula Katúmua, desde já disponíveis para mais informações através dos telemóveis *******, respectivamente.

Cientes de que o vosso papel é determinante para a festa, subscrevemo-nos.

Benguela ao 5 de Maio de 2014

O organizadores,

Gociante Patissa

____________________

MBangula Katúmua
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sábado, 3 de maio de 2014

Diário: PEQUENOS "DEUSES DE FUMO"

Os escritores - na lógica de estar a pagar o justo pelo pecador - são uma "raça" não poucas vezes chata. Imaginam tanto, inventam tanto que volta e meia se acreditam possuidores de uma dimensão messiânica. Espero que não a tenha, mas, sendo uma vaidade negar defeitos, tentem ao menos perdoar-me, caso não me consiga livrar de tal tentação. A mim, na qualidade de espectador, chega quase a enojar o narcisismo que se desfila nas entrevistas avulsas ou na imposição do auto-valor em função de um acumular de prestígio desses "deuses de fumo". Há quem entre em quase ataque de nervos, não se poupando de apelar à saúde da sua próstata, pelo simples facto de, em casual circunstância, encontrar-se na mesma linha do equador em termos de receber e-mail de agremiação com algum nome de autor recém-revelado, por exemplo. Não faltam ainda aqueles que se arrogam o direito de qualificar poemas de outrem, desde que não se encaixem nos seus gostos ou escola, como simples diários ou letras de kizomba. Há vaidades para todas as despesas, incluindo transformar menores de idade em críticos de arte, se tal contribuir para publicitar o núcleo familiar como celeiro de intelectualidade. No outro dia, certo escritor, que vive as suas ideias e voz no mais veemente e recorrente êxtase, tentava convencer-nos de que a sua escrita era auxiliada por búzios. Dizia aquele "deus de fumo" que, em situação de tragédia na trama, ele jogava o búzio ao chão, cabendo a este artefacto decidir se o personagem morre ou sobrevive. Quer dizer, como se uma narrativa fosse um amontoado de pequenos desfasamentos. Tanto show off! A gente escreve, sim; dedica-se mais do que o cidadão comum, sim; tem imaginação provavelmente mais fértil, sim. Mas, por favor, isso é um trabalho como qualquer outro. Não é por mal, mas bem que podíamos poupar a sociedade de carregar para nós tão pesado palco imaginário.
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Diário: SÓCIOLINGUÍSTICA DO PASSEIO

Investi metade da tarde de ontem no centro da cidade do Lobito, deambulando como exercício de "queimar tempo", um pouco por incompetência de certa agência bancária, onde suportei longa fila até ouvir que "o colega que atendia Western Union saiu para almoçar, passa mais logo ou então amanhã". Procurei saber daquela simpática senhora que me atendeu se o banco fecharia caso o colega estivesse doente, ao que respondeu, a contra-gosto, que não. Bem, como discutir não me resolveria o problema, saí ao encontro da celebração da vida que é no fundo o quotidiano, os diálogos fortuitos e a observação de imprevisíveis fenómenos sociais. Numa rua da Zona Comercial, passo por duas senhoras, nessa mania muito angolana de estorvar o passeio. Uma era funcionária (em pé e de passagem), a outra mendiga (sentada, encostada entre a árvore e a parede). Era grande a empatia. A funcionária elogiava a bebé da mendiga, num registo de diálogo coloquial e terno, na língua Umbundu, que a seguir reproduzo, ciente embora da poesia que se perde com a tradução:
“Avoyo, mba wakula!” – Vejam como está grandinha!
“Oco, wakula!” – É, está mesmo grande!
“Omõlã mba ka vala!” – A criança não custa!
“Ocili, omõla ka vala, civala ño imo” – É verdade, o que custa mesmo é a gravidez.

E lá continuei a caminhada com a certeza de que algum troco a funcionária deixaria para a mãe da bebé, sem deixar de especular que o pai da criança, algures na cidade, aguardava pela esposa que faz da mendicidade o posto de ganha-pão.

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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

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