"Quando os presos falam ou vêem esses dos direitos humanos, ficam cheios de mania, não colaboram. Eu não gosto esses dos direitos humanos, complicam nosso trabalho" (de um jovem guarda prisional).
domingo, 7 de abril de 2013
Fiquei a pensar na ironia do latex. Quem lida com balões em festa de crianças acaba voltando para a casa com a mão cheirando a camisinha. Quer dizer, elas, as camisinhas, que em nada contribuem para que existam crianças, têm presença privilegiada, ainda por cima, na celebração do que tanto têm impedido. Latex, latex!
Crónica: Só me resta desconfiar da intenção das frutas

Foi de uma nutricionista que ouvi há alguns anos que
“mais importante do que os ingredientes são os nutrientes”. Encantou-me o que a
rima encerra, passando desde então a fazer pequenos exercícios mentais à
hora de comer ou beber, tendo em conta o teor do açúcar, gordura e afins.
Acontece entretanto que, desse exercício, costumam
resultar trapalhadas comprometedoras. Hoje por exemplo, numa festa pelo
baptizado da filha de uma pessoa amiga, foi com agrado que me deparei com uma
jarra de vidro cheia de limonada. Para não restarem dúvidas, estavam presentes
porções de limão. Qual cão de Pavlov, minhas glândulas não cabiam em si. Ora,
conhecendo as vantagens daquele citrino para a saúde, cuidei de encher um copo,
bem cheio mesmo!
“Essa limonada tem um paladar esquisito. Parece limonadas
de Israel, que se dizem naturais quando são de fábrica”, recorri ao companheiro
ainda a meio do primeiro gole.
“Ó sócio, cuidado, isso não tem álcool?”,
advertiu.
“Será? Deixa dar mais um gole”.
E nesse instante percebo que de facto era um líquido
da cor da limonada, recheado de limão, mas alcoólico.
“Isso é caipirinha, é bebida de meninas na discoteca,
ou daqueles que começam agora a beber”, esclarecia ele.
Estava eu ali à vista de tantos convivas, de copo
cheio, sem saber como me livrar dele. Lá tive de sair e entornar atrás da
árvore do pátio, que me perdoe a natureza se o capim morrer.
Constrangimento similar experimentei há coisa de cinco
anos no óbito de um companheiro quando eu andava no sector das ONG. Passavam do
meio-dia e estava ainda por sair o almoço. Entre as bebidas, uma embalagem
cativou-me pela variedade colorida de frutas tropicais. E na mania de misturar
sabores, minhas glândulas perspectivaram um agradável sumo. Foi só encher um
copo para sentir o sabor a álcool. Era sangria. E fácil não foi achar o meio de
entornar o conteúdo para o outro lado do muro.
Definitivamente, só me resta desconfiar da intenção
das frutas em eventos públicos.
Gociante Patissa, Bocoio 06/04/13
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Recordando hebraico
Estou a ver um filme no canal TVC2 (e não sou nada apegado a filmes) intitulado "A Viagem do Director". É basicamente sobre a morte em Jerusalém de uma funcionária de padaria que tem nacionalidade romena. Uma parte ocorre na capital de Israel, outra na Romenia. Está a servir para actualizar meu muito largo dicionário mental. Já ouvi "shalom" (paz, olá), "Todá" (obrigado). Ainda não ouvi "yimina" (à direita) nem "pita", este último significando pão, meu o alimento "étnico" preferido quando por lá passei no âmbito da 26ª edição da feira do livro. Conhecer cinco palavras de uma língua antiga como o hebraico deveria à partida equivaler a um mestrado na universidade hebraica, já agora, acho.
Divagações enquanto decorre a campanha na UEA
Decorre entre o primeiro dia a 18 de Abril a campanha eleitoral para os órgãos sociais que dirigirão a União Dos Escritores Angolanos no período 2013-2016. A votação é já no dia 20. Pela lista A concorre à sua recondução o secretário-geral cessante, escritor Carmo Neto, e na mesma condição o presidente da mesa da Assembleia Geral, o escritor Adriano Botelho de Vasconcelos. A lista B é encabeçada pelo escritor António Gonçalves para o posto de secretário-geral, com o escritor João Maimona concorrendo para presidente da mesa da Assembleia Geral. À semelhança de Carmo Neto, António Gonçalves também já foi secretário-geral da UEA. Outra coincidência entre as listas concorrentes reside no facto de Adriano Botelho de Vasconcelos e João Maimona terem também passagem pelo órgão directivo da instituição. Disse em ocasião anterior esperar, como membro, que a instituição saia mais fortalecida deste exercício democrático. Todavia, enquanto cidadão atento e com alguma experiência em gestão de projectos sociais e mesmo de cooperativas no movimento associativo (ONG), desenvolvi certa aversão a campanhas. E já em posse dos manifestos de intenções quer de uma, quer de outra lista, dá a impressão que ficou por dizer algo. Como, que via, que método, que mecanismo, que táctica, que estratégia, serão usados para que as intenções evoluam para resultados?
quinta-feira, 4 de abril de 2013
No balcão do catalogador de uma clínica no Lobito
“Quem está a seguir, a senhora à [esquerda], ou a senhora [à direita]?
“Sou eu, mas se achar que deve atender ela primeiro, também pode”.
“Então eu perguntei, e você diz que se achar que deve atender a outra…?”
“O senhor não tem feito outra coisa desde a primeira vez que cheguei senão atender os que chegaram depois de mim”.
“A senhora só pode estar de brincadeira comigo”…
“Brincadeira?! Olha, eu não quero discutir, faça só o seu trabalho, que estou preocupada com a doente que trago”.













