quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Anonimato

Como num empate sem golos, deste encontro nada sobra como evidência. É como se não existisse. 
Share:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Utilidade pública (conforme e-mail recebido): Isabel Lhano, pintora e professora, apresenta a exposição “AQUI”. Vai ser no Centro de Memória de Vila do Conde, Portugal, sábado, 26/11

Isabel Lhano, pintora e professora, apresenta a exposição “AQUI” onde assina 30 anos de carreira. No próximo Sábado, pelas 22 horas, inaugura no Centro de Memória de Vila do Conde.


São 30 anos de arte e de trabalho, sentidos, vividos e transportados para a tela, que encontram no Centro da Memória o local certo para serem expostos: um espaço de memória, uma arqueologia de sentimentos. de destacar a festa que decorre no momento da inauguração, onde serão apresentados projectos inéditos nas áreas da poesia, dança e música, organizada com os amigos que acompanham a Isabel Lhano ao longo dos anos.
______________________________________
sábado, 26.11.2011 , 22 horas, Centro de Memória de Vila do Conde


programa inauguração
______________________________________
Centro de Memória de Vila do Conde


22H00 inauguração da exposição
22h30 poesia SILÊNCIO DA GAVETA + ISAQUE FERREIRA
23H00 música KANUKANAKINA/MIGUEL PIPA + ANA DEUS
23H30 dança COMPANHIA AO VENTO + música LUÍS COSTA
24H00 concerto PAPERCUTZ
______________________________________
DJ sets [*local a designar]
valter hugo mãe, Esgar Acelerado, Urbanoid

Share:

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Opinião: Ecos e defeitos na conversa sobre “A proposta de lei sobre o estatuto das línguas nacionais”


Vai subindo de tom a conversa sobre “A proposta de lei sobre o estatuto das línguas nacionais”, apresentada pelo Ministério da cultura e que alguns deputados e estudiosos acham que deve mudar a designação para "línguas de origem africana". Como é de esperar num país com tão fresco "complexo de assimilado", não faltam fazedores de opinião que rotulam de preconceituoso quem apoia a tentativa de maior protecção e divulgação das línguas nacionais (as indígenas de outrora). Desenterrou-se como “arma de arremesso” o facto histórico de os khoisan serem os mais antigos no território que hoje é Angola. Está-se mesmo perto de dizer que o Kimbundu, o Cokwe, o Kwanyama, o Ngangela, o Umbundu, entre outras de origem Bantu, bem como a dos khoisan, chegaram para cá à mesma época que o capitão Paulo Dias de Novais ou o descobridor Diogo Cão.

Sou de opinião que, conquistada a independência, se negligenciou um bocado a gestão das políticas culturais na vertente das línguas nacionais (entenda-se promoção de estudos sobre aspectos de identidade etnolinguistica e tudo a isso inerente). A prioridade recaiu para a busca da estabilidade nacional e formação de quadros.

É certo que a vontade e a visão do detentor do poder acabam prevalecendo sempre, quando se fala de políticas públicas. Ainda assim, porque posso também falar, digo que não me parece justo, no mínimo, tentar agora equiparar a língua portuguesa, que, tendo em conta o seu avanço estrutural e científico, significaria claramente sobrevalorizá-la relativamente às já citadas. A nossa língua de união e oficial vai bem. E ainda bem. Mas deixemos que o Ministério da Cultura avance. A questão é, diz-se, que a Constituição não se refere a elas como línguas nacionais, mas como línguas nacionais de origem africanas. A pergunta de retórica é se terão sido consultados os nossos antropólogos na feitura da constituição. Enfim...

Os defensores da "secundarização da noção de pertença" apresentam os seus argumentos de razão legítimos e devidamente fundamentados, embora me pareça, de certo modo, um reeditar da "atitude" de "línguas indígenas". Dizem por exemplo que as línguas mais faladas em Angola são o Umbundu e o português, que não representam mais de 30% da população. Mas, só mesmo por curiosidade, por acaso dominam eles alguma dessas "línguas de origem africana", ou é o tecnicismo puro a se confundir com exotismo? Como diria M. Rodrigues Lapa, “os puristas têm a ruim tendência para considerarem uma só forma correcta” (Gramática do Português Actual, 2009. Pág. 4).

O semba e o ku-duro, muito apoiados institucionalmente, já agora bem podiam ser considerados "apenas" estilos musicais de origem africana, tal como diríamos do kwanza (apenas símbolo monetário de origem africana). Que tal?

Gociante Patissa, Benguela, 24 Novembro 2011
Share:

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Línguas de origem africana - I

A questão linguística no país voltou à baila desde, visivelmente, o passado dia 26 de Outubro, quando a Assembleia Nacional a agendou na sessão em curso. A ministra da Cultura introduzira-a no documento intitulado “Proposta de Lei do Estatuto das línguas nacionais de origem africana”. Após a primeira peneira nas comissões de especialidade do parlamento, o enunciado ficou “Proposta de Lei que Aprova o Estatuto das Línguas de Origem Africana”. O formato passou então na generalidade, estando agora o conjunto do texto a ser esmiuçado com vista a aprovação definitiva numa segunda plenária.

A peneira preliminar argumentou contra a expressão “Línguas Nacionais”, sublinhando que a mesma perdera a nomenclatura constitucional. O parecer recordou taxativamente, citamos: 
«A designação de ‘Línguas Nacionais’ constante da Proposta de Lei fere os princípios constantes do artigo 19º e alínea n) do artigo 21º da Constituição, cujo teor em nenhum momento faz referência a ‘Línguas Nacionais». Razão, pela qual o mesmo parecer avançou a alteração para a “Proposta de Lei que Aprova o Estatuto das Línguas de Origem Africana”.


De acordo com peritos ouvidos por nós, ambas as formulações prolongam o mesmo vício lógico e literário, que importa superar. Ambas acusam uma tautologia, linguisticamente desaconselhável na perspectiva até pedagógica da lei fundamental. A bronca é a expressão ‘origem africana’. ‘Línguas angolanas’ e ‘línguas nacionais’ são sinónimos em termos de designação da genuína pertença. E uma língua angolana ou nacional é naturalmente africana.


 Ora, aqueles enunciados, em pingue-pongue entre os eleitos, dão a entender um tratamento exótico de uma língua africana qualquer a partir da Europa. Uma Europa que estaria a dar-lhe um asilo no seu berço. Não faria sentido nenhum em Portugal, por exemplo, o português ser chamado “língua nacional de origem europeia”.


Toda língua faz parte da idiossincrasia de um povo. O português faz parte da idiossincrasia lusa. As africanas, dos respectivos povos, para além da abertura mostrada em relação aquelas que acostaram nas suas terras. Nacional, etimologicamente, implica a naturalidade, o natural, o indissoluvelmente associado ao chão de um território, enfim, ao autóctone. Em África, o francês, o espanhol, o inglês, o português ou o russo, são línguas de origem europeia, para lá dos sentimentalismos de toda a estirpe.



Como, afinal, os nossos eleitos vão debelar tão óbvio belisco entre um princípio constitucional e a correcção gramatical? A ver, vamos. 


Voltaremos proximamente ao tema, nesta África, ora expectante em receber e ouvir amanhã a Exortação Apostólica do Papa Bento XVI. Um documento que será publicado no Benin, selando as 57 propostas da II Assembleia Sinodal para a África. A Assembleia decorreu no final de 2009, sob o profético lema: «A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz. “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14)».

(Uma co-produção de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Mário Santos)

Share:

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Humor Inteligente"

Chamou-me atenção este conceito que achei em nota publicitária de uma empresa (nada conhecida) de Luanda. ACHO QUE É O QUE PRECISAMOS CADA VEZ MAIS, NESSA PROLIFERAÇÃO QUE SE ASSISTE NO RAMO CÁ NA BANDA. "Humor Inteligente".
Share:

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

escala

oito dias
ó pão
respira fundo.
Share:

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crónica: Há lugares virgens, tão virgens que a lei não os conhece


Acordei tarde no domingo, digo tarde porque me teria de apresentar no serviço às 7h30 da manhã. Na aviação, no que à empresa em que trabalho diz respeito, há somente dois feriados por ano: o Natal e o Ano Novo. Os demais são conforme a escala de serviço. No domingo não me apeteceu trabalhar, uma indisposição que não entendia, em princípio, bem porquê. Faltou-me ânimo, que muito precisa quem anda no atendimento público. Por isso mesmo, decidi faltar. Isso poderá melindrar quem anda no desemprego, mas não tenho razões para fingir.

Há somente dois lugares onde me sinto completo, em casa da minha mãe e em estúdio de rádio. Ora, não estando no radialismo activo, não restavam dúvidas sobre o que fazer. Peguei no volante, em direcção ao Lobito, para a casa da minha mãe.

Lá posto, os semblantes eram de desolação. Tinha chegado notícia do assassinato da tia Verónica Chilombo, esposa do tio Abílio Gociante, irmão mais velho de minha mãe. Faleceu na remota povoação de Ekovongo, na sequência do espancamento ocorrido dois dias antes na vila da Ganda, aproximadamente 200km da cidade de Benguela. As primeiras informações diziam que a tia se teria envolvido em briga de noras rivais, esposas do primo Lucas, professor e pedreiro. Uma pedrada na cabeça terá aberto o caminho para cinco pontos de sutura.

Como de costume, uma recolha de dinheiro foi accionada, para custear alguns víveres e as passagens de minha mãe e irmão mais velho, a quem recai a responsabilidade de representar a família, desde que partiu o pai, em Julho de 2001. Por volta das 16h00 de domingo, partiram as delegações familiares de Benguela e Lobito num veículo familiar. Só hoje se deu o regresso à base, com uma narração ainda mais tenebrosa das circunstâncias da morte da tia Verónica.

Num belo dia, primo Lucas entende visitar a casa de sua amante, convidando um amigo. Até aqui, nada fora do normal. Há, entretanto, um detalhe que muda tudo: os filhos da senhora não aceitam por nada deste mundo a relação do meu primo com a mãe deles. Ao encontrarem um homem no pátio da sua residência, procuraram saber ao que vinha. Ter-se dito amigo do Lucas foi suficiente para merecer espancamento. E não bateram pouco!

Tia Verónica, que se encontrava na Ganda a passar uns dias, socorreu-se do direito costumeiro que a idade lhe conferia e foi para lá manifestar-se indignada pela agressão dos rapazes ao amigo do potencial padrasto. A iniciativa foi vista como outro insulto pelos rapazes, que retribuíram com sova, ao ponto de a pobre anciã perder o controlo: mijou-se e defecou ali mesmo. No dia seguinte, terão surgido os mesmos agressores, desta vez apedrejando a mais-velha. Feitos os primeiros socorros, a tia entendeu recolher-se, caminhando para a remota povoação de Ekovongo, onde viria a falecer.

Pouco ou nada se diz dos agressores. Fugiram! É bem provável que se fique por isso mesmo, já que, para a minha revolta, as delegações se limitaram a evitar a surra que outros familiares sugeriam para o primo Lucas, visto como a porta de entrada da desgraça. Para agravar as coisas, Ekovongo é um lugar tão virgem, tão virgem, que a lei do Direito por lá não passou. Enquanto isso, a lei costumeira, até onde sei, preocupa-se apenas em prevenir a vingança. Não me parece haver mecanismo para a responsabilização, a não ser lá onde se pratique o “dente por dente, olho por olho”.

A última vez que estive com a tia Verónica foi no ano passado. Guardo dela aquele “espanto” que manifestava, por eu já “ser homem!”, como se na cabeça dela vivesse eternamente criança!

Gociante Patissa, Benguela, 8 de Novembro 2011
Share:

domingo, 6 de novembro de 2011

(Um exemplo de luta contra exclusão baseada na cor da pele) - Africana acusa restaurante de Ghana de racismo

Elizabeth Okoro diz que não houve
 engano nem erro de interpretação (Foto: BBC)
Fonte: BBC Brazil, 2 de Novembro, 2011 (Brasília)

Uma campanha realizada por uma africana no site de relacionamentos Facebook, relatando um suposto episódio de racismo em um restaurante, gerou comoção em Gana.

Elizabeth Okoro, 26 anos, se disse chocada por ouvir do gerente do restaurante de frutos do mar The Atlantic Lobsters and Dolphins, na capital de Gana, Acra, que o local era "apenas para brancos".

"Meu amigo espanhol começou a preencher o cadastro de clientes e, naquele momento, eu disse: 'Com licença, eu também gostaria de entrar para este clube', e ele respondeu: 'Não, desculpe, é só para brancos'", disse Okoro à BBC.

"Eu não estou parafraseando, eu não interpretei mal, não foi um erro de tradução... foi uma declaração precisa", disse ela.

'Piada'

Restaurante acabou fechado pelas autoridades
de turismo de Gana (Foto: BBC)
O gerente do restaurante, o italiano Marco Ranaldi, não nega ter feito a afirmação, mas alega que tudo não passou de uma brincadeira.

"Quando eu estava dando o cartão de sócio para o espanhol, a senhora perguntou, 'Por que você não me dá um?' e eu fiz uma piada estúpida. Ela me respondeu dizendo algo como: 'Ah, mas se você fizer isso, amanhã eu volto com a polícia', e riu", disse ele.

"Eu achei que estávamos brincando. Quer dizer, eu fiz uma piada boba, mas achei que ela tinha levado como piada."

A polícia está investigando o incidente. Após uma visita do vice-ministro de Turismo de Gana, James Agyenim Boateng, as autoridades acabaram fechando o restaurante por ele não ter as licenças necessárias.
Share:

A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

Com tecnologia do Blogger.

TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

Categories

Tags

Publicações arquivadas