Uma semana nos cornos, a primeira, porém não a última (Foto1 - Restinga do Lobito, foto2-representação em miniatura do abrigo e locomoção, foto3-não direi)...
domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
Humor: As rimas do Joãozinho (*)
- Então, meninos, quero que inventem um verso com rima.
Passados alguns minutos, lá surgia o rápido Joãozinho com uma:
“O Cangurú
leva flores no cú”
- Ah, Joãozinho, esse verso não fica bem, arranja outro.
“O Cangurú
leva flores na bochecha…”
- Ah, menino, mas assim não tem rima…
- Calma, professora, que ainda não acabei. Então é assim:
“O Cangurú
leva flores na bochecha…”
só não as leva no cú
porque a professora não deixa”
(*) piada recebida do amigo Martinho Bangula, que a foi desenterrar sei lá aonde.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Conto em construção: "Um turista, uma cidade, uma lua que anda"
Depois de muito, mas muito tempo com os olhos parcialmente vendados por uma lei da força chamada colonização, os habitantes de certa localidade viriam agitar as águas. Entre outras coisas, que só os olhos libertos podem alcançar, notaram que havia algo mais belo que espreitar o sol às escondidas, era ver a lua, a elegância de uma lua que anda. E baptizaram a sua cidade de Luanda.
Era domingo. Man’Toy desembarcava do autocarro à noitinha, e nada indicava que o frenesim no parque fosse terminar, como seria normal após a hora do jantar. De facto, Luanda não dorme.
Meia-noite no relógio e Man’Toy não conseguia pregar o olho, tal era o som ensurdecedor da casa ao lado! Alta farra para comemorar aniversário de bebé. Aliás, já foi dito, Luanda não dorme, pena é que nem sempre o motivo seja trabalho. Há quem leve a vida apenas a cantar, a dançar, e beber… Óbitos e aniversários não faltam, aliás, enquanto o fim-de-semana não chega para se “cair na noite”, de si já quase uma “religião”. Do outro lado da rua, guardas fazendo finca-pé ao sono, porque há quem também não dorme, na ânsia de uma oportunidade para roubar. Man’Toy sai para ver a beleza da lua que anda. Na portaria, depara-se com quatro mulheres de maquilhagem exagerada. E o guarda dissipa as dúvidas: “Chefe, vai uma fruta?” Para as prostitutas, era uma noite normal de serviço, já para Man’Toy um choque. “Fruta, não”, disse, e voltou ao quarto.
Que fazia então Man’Toy em Luanda? Ele considera-se um conservador moderado. Vive argumentado que conservador moderado é aquele que, não concordando com certas mudanças, usa o poder da máquina fotográfica para guardar memórias. Umas vezes fotografa por prazer, mas geralmente é por protesto. Assim é que tomou a iniciativa de ir aos Estados Unidos para fotografar Barack Obama na Casa Branca, antes que uma mudança repentina altere a ordem das coisas. Dois anos de salário acumulado cobrem a passagem. A questão era apenas a obtenção do visto.Sensibilizada pelo insólito motivo da ida de Man’Toy aos EUA, a funcionária, que não tirava os olhos do cabelo despenteado do homem, disse que o valor (atenção, 131 USD e não mil kwanzas) ficava por conta do povo americano. O passo a seguir era o tão esperado momento da entrevista. Ele imaginava-se já numa sala cheia de "brancos, muito brancos" de gravata e tal... pelo contrário, foi abordado por uma moça profissional que o fez sentir como se já a conhecesse. A terminar ela recomenda-o a voltar ao guichet inicial para fazer o pagamento final de 10 USD, ficando o passaporte por levantar às 10h do dia seguinte.
Compra então duas notas de 10 USD (não fossem os malditos faltar outra vez!) e volta ao guichet. Lá posto, a senhora emite o recibo e diz o que disse antes, “O senhor não paga, os emolumentos ficam por conta do povo americano”!
sábado, 17 de outubro de 2009
Crónica: "Desafiando o elástico dos olhos"
De acordo com o contador – de cuja fiabilidade não há motivos para desconfiar – este blog possui actualmente 610 Comentários em 287 Artigos! De parte a estatística, vem esta reflexão a propósito de dois motivos: primeiro, apresentar o nosso muito obrigado aos visitantes que de vários cantos do mundo nos chegam. Segundo, um olhar urgente à necessidade de desafiar o elástico dos olhos.
Em vários campos da vida, as perguntas costumam ser sagradas, quer pelo poder de darem ignição a conversas, quer pelo alcance filosófico que encerram. É neste prisma que julgamos justificar-se este texto, que surge em função de termos recebido, em jeito de comentário, uma visão preocupante. É crucial esclarecer que não se trata de “não levarmos desaforos para a casa”, porque tanto não se trata de desaforo, como nos sentimos em casa.
O desabafo em causa surgiu em reacção a uma crónica de viagem ao Balombo e a visita à fonte de águas quentes do “Kutokota”. «Com tanta coisa a acontecer no país e no Mundo vcs não têm vergonha de criar blogs para isso? Falem de algo que valha a pena. Estamos cansados...», diz o/a autor/a sob anonimato – o que por ora é irrelevante.
Depois de ler e reler o comentário, comecei a ter receios do que se queria sugerir. Era necessário desafiar o elástico dos meus olhos para capturar a expectativa do visitante. O que será que vale a pena abordar num blog face “a tanta coisa a acontecer no país e no Mundo”? Por muito que me custasse, fui obrigado a considerar a hipótese de que o autor (ou autora) é de nacionalidade angolana e daqueles que consideram coisa séria apenas os assuntos candentes da política. E é isto que acho profundamente preocupante, que as pessoas tenham o elástico dos olhos no limite, e não consigam apreciar as coisas belas na natureza e no lado interior das pessoas.
Para mim (e isso vincula o Blog) a denúncia de defeitos e incongruências humanas é tão séria quanto a publicitação de virtudes humanas, a ascensão social na base de valores como o trabalho, a solidariedade e a honestidade. Há emoções virtuosas que não devem passar sem registo, sob pena de nos arrependermos um dia. Se a natureza quiser sorrir, lá estaremos com a máquina fotográfica e caneta. Nalguns casos, melhor do que gritar é desafiar o elástico dos olhos.
Portanto, é muito grave, e abala-me, a ideia de deixar que a indignação diante dos erros dos poderosos nos impeçam de ver o que há de belo, de construtivo, de cultural e de harmonioso no pensar das pessoas, que lutam para vencer na vida.
A terminar deixo um desafio: continuemos a desafiar o elástico dos nossos olhos. Pode ser?
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Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 17 de Outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Crónica: “Quando a pedra afinal é parte de nós”
Está difícil. Sei que lá vai um bom tempo que da minha lavra não sai uma crónica, daquelas que algumas pessoas sentem falta (sendo eu uma delas, claro). E não julgue que é por falta de vontade. Tenho até tentado capturar os múltiplos vultos de ideias que passam pela ponta do meu nariz, mas, quando chegam na cauda do funil, atolam-se (permitam-me brasileirismo).
Sou, antes de escritor, um sentidor. Daí referir que as ideias passam pela ponta do nariz. O facto de nascer num berço camponês permite-me desde cedo sentir os mundos, do abstracto ao concreto. E não foram poucas as vezes que se confundiram um com o outro, digo, chegando mesmo o abstracto a ser rijo como uma pedra.
Ultimamente não são só as ideias que se atolam no cu do funil, mas também as emoções, umas destacando-se por não serem usuais. Talvez tenha empurrado a pedra a vida inteira para caminhar. A pedra sempre lá, antecipando-se a cada alcance. Agora, mais emoções agradáveis que o oposto, é verdade; mas, para um sentidor, não é determinante. É, às vezes, preferível que as emoções tenham um só sentido a terem que se misturar de forma intensa e ao mesmo tempo.
Sim, faz-me bem que em algum lado me valorizem em função do potencial interior – não vou fingir o contrário, é inútil! Fase difícil da vida. Deu-se início, em 2003, o cultivo com vista ao escoamento do excedente dos sonhos. E, sinceramente, com mais de uma coisa agora a exibir frutos quase maduros… talvez eu não esteja preparado. É como se a pedra já não estivesse no local, esperando ser empurrada antes de cada alcance.
«Mas é como se tivesses receio, parece um processo emocional violento», diz a amiga de Sines com quem tomo café no messenger, «porque as coisas que estão acontecendo são positivas». E ela segue digitando, eu de olhos exageradamente abertos sigo o raciocínio, rezando só para a ligação da Internet não falhar. «Serão várias pedras, e vais removendo algumas, mas elas estiveram lá tanto tempo, que quando não as vês nem sabes bem o que sentir».
Preciso, acho que sim, de expert em gestão de emoções. A solidão à porta fechada já deu o que tinha a dar neste papel. Mas que entenderão de gravidez espiritual da criação os que me rodeiam? Conseguiriam vislumbrar a dimensão da pedra, esta, que, até sabe mover-se à vontade para qualquer direcção? Sentiriam a ansiedade de uma viagem saída da lotaria para ver outro continente, dezasseis anos depois de se apaixonar pelo Inglês?
No outro dia, falei com uma pessoa que presta, pedindo ajuda para empurrar a pedra que me mantém, qual prostituta de subsistência, preso ao estômago. A acontecer, "posso morrer, já vi Angola [do meu ego] independente". Nesse dia, juro, parecia não existir a pedra, diria mesmo que não a tive de empurrar, para chegar à pessoa.
«Serão várias pedras, e vais removendo algumas, mas elas estiveram lá tanto tempo, que quando não as vês nem sabes bem o que sentir». Ora, se a minha amiga de Sines tiver razão, então o meu será daqueles casos de se dizer que a pedra afinal é parte de nós.
Gociante Patissa, 14 Outubro 2009
Aventura na estrada: Viajando do Huambo a Benguela ao volante de triciclo motorizado
O Blog Angodebates foi tentado a entrevistar um anónimo recordista das estradas do centro e sul de Angola, um trabalho que só agora nos é possível divulgar em função da recente avaria do nosso computador.
Há dois anos que Luís Xavier foi transferido para a província do Huambo, onde representa uma ONG. No entanto, tem a família na cidade de Benguela, o que o leva a enfrentar com certa frequência os cerca de 800 quilómetros de autocarro para matar as saudades. A sua mais recente vinda foi marcada por uma aventura, no sentido literal do termo. Luís decidiu fazer a viagem ao volante do triciclo motorizado Bajaj, adaptado para pessoas que, como ele, têm deficiência dos membros inferiores.
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Há dois anos que Luís Xavier foi transferido para a província do Huambo, onde representa uma ONG. No entanto, tem a família na cidade de Benguela, o que o leva a enfrentar com certa frequência os cerca de 800 quilómetros de autocarro para matar as saudades. A sua mais recente vinda foi marcada por uma aventura, no sentido literal do termo. Luís decidiu fazer a viagem ao volante do triciclo motorizado Bajaj, adaptado para pessoas que, como ele, têm deficiência dos membros inferiores.
Angodebates: Sei que veio ao volante da sua motorizada. Porquê?
Luís: Às vezes é preciso também ser um pouco atrevido, imaginar que nós podemos chegar até onde queremos. Eu, antes de fazer este percurso, Huambo-Benguela, de Bajaj de três rodas, fiz um cálculo. Porque só a nível da cidade, as trajectórias que eu faço, até à tarde, em termos de quilometragem seria uma caminhada idêntica a Huambo-Benguela.
Angodebates: Matematicamente, foram quantos quilómetros?
Luís: A minha motorizada já não está marcar a quilometragem, mas por aquilo que me apercebi, do Huambo ao Balombo são 170 quilómetros, do Balombo da Benguela são 160 quilómetros. E eu parti às 5h do Huambo, às 9h estava no Balombo, tive que descansar umas duas horas para não esforçar muito a motorizada. Às 12h30 continuei a caminhada. Como o troço Balombo-Amela ainda tem problemas, gastei quase três horas. O troço ali está muito mal. Entrei no Lobito deviam ser 17h. Se não fosse o troço que está mal, entraria por volta das 15h.
Angodebates: Em termos de combustível, quantas vezes teve de abastecer?
Luís: Abasteci no Balombo [10 litros de gasolina], mas, na altura, a motorizada ainda não tinha pedido reserva, ainda poderia andar até ao Bocoio [50km aproximadamente]. Atestei o depósito e a motorizada só começou a dar sinal a 30 metros da minha casa [cidade de Benguela]. Como a motorizada ainda é nova, o carburador é novo, não consome muito combustível.
De referir que os triciclos motorizados Bajaj, de origem indiana, surgiram com certa mediatização há seis anos na província de Benguela. Faziam serviço de moto-taxi nas cidades de Lobito e Benguela, sob gestão da Cooperativa de Pessoas Portadoras de Deficiência, iniciativa do projecto “Dignidade”, implementado pela Lardef (Liga de Apoio e reintegração dos deficientes).
Habituado a bater-se pelo direito à dignidade das pessoas com deficiência, Luís vê na viagem um motivo de intervenção social. «Na verdade, muitas [são]as pessoas que não estão a acreditar que vim de motorizada. Normalmente, as pessoas olham para essas motorizadas e, logo, a primeira coisa é reparar a pessoa que está a conduzir a motorizada. E olhar para onde? Para os seus pés. Quem está a conduzir esta motorizada. E vêm logo, “ah, é uma pessoa que tem deficiência”, e só depois é que olham para a motorizada. Naquele grau que diminuem na pessoa com deficiência, diminuem também o próprio meio que é conduzido pela pessoa com deficiência. Eu vim e foi bom!»
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Gociante Patissa, Benguela 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Canhangulo, armamento destruído pela história... e ainda bem
Deve ser evidente que não tenho mesmo jeito com as armas, não? Pois já o sei, tanto assim que acho o quadro a coisa mais fotogénica. Nossa objectiva no município do Balombo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Depois do Congo Brazavile, angolanos escorraçados da RDC
As imagens são desoladoras, os relatos um pouco piores. Centenas de angolanos viram-se forçados a abandonarem a vizinha República Democrática do Congo (RDC). Multiplicam-se denúncias de maus-tratos nessa expulsão compulsiva que não poupou estudantes nem os residentes em situação legal. Em causa, a “operação repatriamento” das autoridades migratórias angolanas, que visa expulsar estrangeiros ilegais, maioritariamente ligados ao garimpo de diamantes.O quadro piorou uma vez que terminou ontem (06/10) o ultimato das autoridades da RDC, que tem o aval da Assembleia Nacional. Vários retornados ouvidos pela rádio nacional angolana referiram que foram expulsos sem terem a oportunidade de retirarem das residências os seus bens. Houve quem falasse em queima de haveres, incluindo viaturas, para além da perda de emprego.
Está em curso a máquina da diplomacia de ambas as partes, sem no entanto estar à vista uma data para a normalização da situação. O ministro da Reinserção Social, João Baptista Kussumua, entrevistado pela TPA, avançou que, numa primeira fase, os regressados estão a ser acondicionados em tendas na província do Zaire, para posterior identificação de seus familiares e zonas de origem. No entanto, pior ainda pode acontecer, a fazer fé nas palavras do jornalista Nicola Vadjon, ligado ao governo congolês, que, ouvido pela TPA ao telefone, falou de um plano de "expulsão massiva".
Há pouco menos de uma semana, as autoridades do Congo Brazavile tomaram a iniciativa unilateral de encerrar a fronteira que liga a província de Cabinda com a região de Ponta-Negra. Como resultado, vários angolanos ficaram retidos do outro lado, chegando-se inclusive a mobilizar a intervenção da Cruz Vermelha para assisti-los com mantimentos. Felizmente a situação já está ultrapassada.
Note-se que os dois Congos se queixam de humilhação, uma vez que, sustentam, não foram informados pelas autoridades angolanas em relação a expulsão dos seus concidadãos, não obstante as relações de irmandade existentes.
Gociante Patissa, 7 Outubro 09
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Crónica: "Acabou-se a mangonha do colega Comportador"
Foi assim mesmo que aconteceu, naquele dia que nunca terá perdão. É verdade que tem feito esforços a mais o nosso “colega”, se comparado com a sua morfologia. Um ano de convívio não tem sido fácil para ele, isso é de reconhecer, mas optar por desmaiar, numa altura em que todo o esforço é pouco, sinceramente, assim também não!Para quem possa interessar: no passado dia 19 de Setembro, foi registado um gesto de insubordinação por parte de um dos fundamentais constituintes desta casa de Bloguismo denominada “Angola, Debates & Ideias”.
O respeitável senhor “Comportador” (já explicamos o porquê do nome) entendeu que devia demitir-se de algumas funções, sendo as mais relevantes a execução do programa de acesso à Internet via modem e a execução de vídeos. Julgamos desde já reprovável tal iniciativa, embora compreensível (já que a suposta endemia foi resultante da fornicação com reincidentes pen-drives sem preservativos eficazes).
Só hoje, vossas excelências, volta a entrar em campo o “colega”, depois de vários esforços em levá-lo para tratamento ao um kimbanda das teclas, que o incubou dias a fio sem tocar nele. Fomos felizes numa segunda tentativa, com um kimbanda das teclas que passou a noite inteira a esfregar as sarnas do “colega”. Veio diferente, um bocado menos original, mas com o essencial para dar o seu empenho.
Definitivamente, há muito que o computador deixou de ser apenas um meio. Aqui pensamos com/no computador. Sem ele, a criatividade não tem escoamento. Agora, diga-me lá: é ou não justo chamá-lo de “colega Comportador”?
Gociante Patissa, Benguela 4 Outubro 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Top dos Mais Queridos "devolve" ao músico Eduardo Paim a honra que merece
"Não, não, não. Não me peçam para chorar", um dia cantou Eduardo Paim "General Kambuengo". Mas ontem, 02/10, não foi preciso pedir, ele chorou de emoção no palco, enquanto figura homenageada pela edição 2009 do Top dos Mais Queridos, iniciativa da Rádio Nacional de Angola. Para além da sua actuação, a produção do Top fez uma série de reportagens, onde várias figuras contaram a forma como o maestro Paim entrou em suas vidas. O público presente levantou-se, aplaudiu e na mesma sintonia que os organizadores, manifestaram a Paim o carinho que merece pelo contributo na história da música Angolana. Jomo Fortunato que o diga!.
Já nos anos 1985, Paim e outros integrantes do grupo SOS cantavam e faziam cantar. Aliás, por diversas vezes, outro astro da música angolana, Paulo Flores, revelou ter contado em grande medida com a "formatação" de Kambuengo. Paulo chegou a atribuir, num passado recente, um diploma e os valores de vencedor de um concurso (cujo nome não nos vem agora à mente) ao seu companheiro Paim. Não sendo o único, Nelo Paim, o prodigioso tecladista, é também produto do trabalho do irmão, que possui tão-somente um dos melhores estúdios de música em Luanda.
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A carreira de Paim viria ser maculada por ausações de envolvimento em tráfico de drogas, quando se encontrava a residir em Portugal. Passada a núvem, Paim regressou a terra, sem nunca ter posto a música de parte. E já nos últimos anos, numa interacção com gerações mais recentes, fez um dueto com Matias Damásio, um convincente talento nascido no subúrbio da cidade de Benguela. O resultado não podia ser outro, que não o sucesso.
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Recorde-se que o Top dos Mais Queridos edição 2009 foi conquistado na final pelo artista Yuri da Cunha, que concorreu com Caló Pascoal, Pérola, para só citar alguns. Na categoria do prémio da crítica, Gabriel Tchiema, um investigador dos ritmos do leste (Lunda Cokwe) recheado de trova, foi o vencedor, de uma corrida em que participaram Margareth do Rosário, Patrícia Faria, entre outros.
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O blog Angodebates manifesta aos organizadores, homenageados, vencedores e participantes os seus parabéns. O que há de construtivo na música angolana deve ser, sim, enaltecido!
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(Foto retirada do Blog http://poesiangolana.blogspot.com/)Gociante Patissa, Benguela 03 Outubro 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Nossa homenagem a Ilídio Cunha, um lendário "mágico" de Land-Rover
Hoje na casa dos cinquenta anos de idade, mestre Ilídio recorda: “iniciei o desejo de ser mecânico aos 13 anos de idade. Meu pai era carpinteiro, andei com ele para aprender mas não estava no meu desejo seguir esta profissão. Então optei pela mecânica. Comecei a aprender na Auto-Obelisco, aqui no Lobito, como bate-chapa, mas também não gostei. Fui para Luanda, fiquei lá um tempo”.
Como muitos, Ilídio deixou-se “corromper” pelas saudades da terra, abandonando a capital do país. “Quando regressei, inscrevi-me na escola Comandante Nzaji, onde fiz o curso de um ano e meio de mecânica. Terminado, consegui emprego na Renault dura
Em finais da década de 80 viria instalar-se no bairro da Santa-Cruz, onde actualmente reside. “Alguém mostrou-me este lugar, comecei a trabalhar em carros diversos. Mais tarde comprei um Toyota Land Cruiser, o qual vendi. Quis ter Land-Rover porque sempre tive paixão. Eu sabia que é carro de força, transpõe qualquer obstáculo. Foi quando eu comprei um. Andei um tempo com ele, depois vendi-o. Comprei mais outro, fui vendendo e posteriormente comprei um totalmente avariado, fui reconstruindo”.
Aquilo que um dia começou com intervenções paliativas de curioso ante as avarias do seu carrito viria resultar numa especialidade, ou melhor, uma raridade, Land-Rover. Há mesmo quem acredite profundamente que não há carro sem solução, desde que entregue em mãos certas, ou seja, as do mestre Ilídio. A
Mestre Ilídio gostaria de ter um Toyota, desde que todo o terreno, sendo o Hilux a preferência em função do design. “Já tive um anteriormente e gosto, é moderno”.
Mais do que um quintal, Ilídio Cunha possui um recanto místico que lhe permite exercer a profissão e forjar mecânicos do futuro, os seus filh
Já a terminar a conversa, no seu jeito pausado e simpático, mestre Ilídio confidenciou-nos que se tem conseguido adaptar aos Land-Rovers modernos, a exemplo da frota dos administradores. Só não ousaria tocar nos “electrónicos de caixa automática”, sendo ele humilde, competente e com noção dos seus limites.
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Gociante Patissa, Lobito, Setembro 2009












