Atletas quenianos em representação do clube angolano Kabuscorp do Palanca dominaram segunda-feira (31/12/07), em Luanda, a tradicional corrida pedestre do fim-de-ano disputada em várias ruas da cidade capital, num total de 15 mil e oitocentos e cinquenta metros. quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Atletismo: Kabuscorp do Palanca domina São Silvestre de Luanda
Atletas quenianos em representação do clube angolano Kabuscorp do Palanca dominaram segunda-feira (31/12/07), em Luanda, a tradicional corrida pedestre do fim-de-ano disputada em várias ruas da cidade capital, num total de 15 mil e oitocentos e cinquenta metros. sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Lubango terá nova rádio comercial em 2008 (enquanto o Projecto da Rádio Ecclésia "dorme")
A administração municipal do Lubango vai criar em 2008 uma rádio comercial em cuja gestão do empreendimento estará entregue as próprias autoridades administrativas da cidade capital da província da Huíla, anunciou no Lubango o administrador municipal.
Vigílio Tyova, que falava por ocasião dos cumprimentos de fim de ano, anunciou ainda como medidas que visam a injecção de nova dinâmica na estrutura de funcionamento do município em 2008, algumas mexidas na estrutura governativa do Lubango, fazendo recurso ao novo estatuto da cidade já publicado em Diário da República.
Referindo-se à abertura no próximo ano daquela que se irá designar Rádio Lubango, o administrador municipal, disse encontrar-se já nacidade todo o equipamento de suporte da emissora estando em curso a criação das respectivas instalações. «Também ainda no próximo ano teremos portanto a inauguração de uma rádio cidade designada Rádio Lubango para a qual estamos a preparar as instalações pois os equipamentos já estão disponibilizados pelo Ministério da Comunicação Social».
Segundo o homem forte da capital da província da Huíla, a falta de recursos financeiros forçou a não execução de vários projectos que visavam o desenvolvimento da cidade, que diga-se pouco ou quase nada registou no ano que se presta em terminar.
São muitos os projectos de obras que se transferem para 2008, que vão desde à melhoria no abastecimento de água e energia aos munícipes até a urbanização e loteamento para a construção de residências unifamiliares e unidades fabris. «A carência de recursos financeiros condicionou e adiou mais uma vez a execução de importantes acções e projectos prioritários para a administração municipal do Lubango designadamente, a recuperação dos passeios da cidade a recelagem das ruas e avenidas da cidade, a reabilitação dos principais jardins da cidade, a melhoria do abastecimento de água às populações, o fornecimento de energia eléctrica, a urbanização e loteamento de zonas para a concessão de terrenos para a construção de residências unifamiliares e unidadesfabris e outras de grandes superfícies, a construção de novo cemitério e a construção de uma nova morgue principal».
A cidade do Lubango considerada como a mais importante no eixo das quatro cidades que compõem a região sul, nomeadamente Namibe, Ondjiva,na província do Cunene, e Menongue, no Kuando Kubango, precisa de da routro salto qualitativo em matéria de desenvolvimento se quiser mantero estatuto que ostenta na região.
As autoridades municipais acreditam que com o novo estatuto domunicípio e a aprovação pelo governo central da lei que confere aosmunicípios o estatuto de unidades orçamentais a partir de 2008 possamessas medidas conferir outra dinâmica no desenvolvimento da antiga Sáda Bandeira. (TA)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Elogio da poesia, do escritor João Melo (*) In Jornal de Angola, 12/11/07
Essa pergunta não tem resposta. Com efeito, a poesia está vinculada à aventura humana desde os primórdios.
Quando os homens se viram subitamente sozinhos, no meio da imensidão do planeta, inventaram a primeira forma de poesia: o grito. Depois, inventaram o canto. Finalmente, transformaram o silêncio, emprestando-lhe todos os sentidos possíveis.
Grito, canto e silêncio correspondem a funções essenciais da poesia, da súplica ou da revolta ao protesto tenso e contido, passando pela exaltação e louvação. Os teóricos encerram essas funções em categorias: engajamento, lirismo, épica, experimentalismo, hermetismo.
Em qualquer uma das suas formas-funções, a poesia é para ser partilhada. Por isso, a poesia e a música sempre estiveram juntas. Daí, também, as reuniões onde se dizia e escutava poesia. Hoje, à falta delas, posso assegurar aos leitores que ler poesia em voz alta pode ajudar a “captar” melhor todo o seu mistério.
É por essa razão – o imperativo de comunhão que está por detrás da poesia – que decidi partilhar o presente elogio de poesia com os leitores desta coluna.
Recordo, por exemplo, o meu encontro com a poesia angolana. Foi em casa do grande músico, atleta e hoje empresário da educação, Ruy Mingas, em Lisboa. O ano: 1970. Eu tinha apenas 15 anos. Quando li a Antologia de Poesia Negra de Expressão Portuguesa, organizada por Mário de Andrade, foi uma revelação. Um “Alumbramento”, diria o brasileiro Manuel Bandeira.
A poesia de Viriato, Neto, Jacinto, Ayres, entre tantos outros, era um grito a que ninguém podia ficar insensível. Por isso era perseguida. Por isso tinha de circular clandestinamente, de boca em boca, de ouvido em ouvido.
A poesia angolana também soube ocupar espaços disponíveis. Na primeira metade dos anos 70, os poemas de Arnaldo Santos, Jofre Rocha, Henrique Guerra, António Cardoso, João Abel e outros ensinaram-nos, entre as suas linhas cifradas, que atrás das grades havia pássaros que cantavam.
Soubemos mais tarde que a guerrilha também tinha produzido poetas. O maior deles: Costa Andrade (Ndunduma), o grande poeta épico da luta de libertação nacional. Merece, há muito, uma antologia final, com capa dura e papel de luxo.
Enquanto isso, quase em silêncio, três poetas produziam um trabalho pessoalíssimo, que, por isso mesmo, precisou de tempo para ser reconhecido: David Mestre, Ruy Duarte, João Maria Vilanova.
Nos primeiros cinco anos de independência, a poesia e o discurso oficial pareciam confluir (e identificar-se) na utopia revolucionária comum, mas a poesia cedo descobriu que entre o discurso e a prática havia um problema: “o discurso pôs-se à frente da prática/e agora anda à deriva/ como um cego”.
Henrique Abranches, em “Canto Barroco”, deu o primeiro aviso. Durante os anos 80, a poesia angolana foi profundamente renovada. Novos sujeitos, novos temas, novas formas, novas grafias ocuparam o seu espaço na cena política. Nada unia esses novos elementos, a não ser a decisão de fazer uma poesia livre de quaisquer programações, cumplicidades orgânicas ou calculismos.
A poesia cumpre, assim, a sua “missão” primordial: salvar o homem de todas as amarras.
Ninguém pode, portanto, vilipendiá-la.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
«A língua portuguesa é património dos portugueses e de mais ninguém»?
Conservadora e efusiva nos seus argumentos, a pedagoga convidada considerou o acordo de unificação como sendo uma questão de “lobby” político do Brasil, que se “arroga” (termo nosso) do simples facto de ter uma população maior. Mesmo porque a língua não é estática, o que pressupõe dizer que os brasileiros, que impõe tal unificação, estão sujeitos a dinâmica evolutiva da língua e o neologismo continuará a ocorrer. Ou seja, quantos acordos de unificação mais serão necessários?
domingo, 16 de dezembro de 2007
A difícil arte de criticar
Tínhamos acabado de descer do autocarro da companhia de aviação, meia hora após o desembarque de regresso a casa, ávidos de gozar do merecido descanso, ontem, 15/12. A agitação característica das capitais é sempre um agente de fadiga para “provincianos” como nós. Mas, infelizmente, algo não corria bem na feira de ONG’s em prol da “Educação para todos até 2015”, com base na cimeira de Dakar, na qual vários estados do mundo (Angola inclusive), assumiram o compromisso de garantir o acesso à educação e melhorar a qualidade da sua oferta até 2015.Já no cair da tarde, fomos abordados por um “jornalista” da Delegação Regional da Televisão Pública da Angola (TPA), sem saudar nem nada, molestando-nos, ao meu produtor e a mim, face ao erro notado num dos dísticos: “Rede das ONG’s da Sociedade Civil?”, questionava com razão aquele cidadão. “Há por acaso ONG do Governo?”. A resposta imediata foi que não (embora a realidade em Angola demonstre que sim). Tratava-se mesmo de um erro involuntário. E acrescentamos que era um “pleonasmo feio”. E o "perfeito" megalómano apresentador de TV aproveitou as palavras para reforçar a sua correcção: “Um pleonasmo muito feio, até...!”, disse. Na verdade, tratava-se de um erro do qual nos apercebemos ao chegar ao local. Só que, ao megalómano jornalistazinho faltou o faro da busca da certeza e perguntar, no mínimo, quem havia produzido o referido dístico – porque o meu produtor e eu não podia ter sido. Basta para isso lembrar que andávamos em Luanda e, obviamente, que não temos o dom de estar em dois lugares ao mesmo tempo, não fisicamente, digo.
Acto contínuo, o companheiro do “Jornalista” vem também ter connosco, desta vez por causa de um antetítulo no Boletim “A Voz do Olho”, edição de Outubro. "Terá faltado respeito em Joanesburgo? Lucky Dube assassinado por batuqueiros”. A implicância residia na interpretação daquele intelectual, segundo o qual se deveria escrever “Terá faltado com o respeito”?”, como se a razão da morte de L. Dube tivesse sido o insulto a alguém. Tentamos, enquanto autores e responsáveis pelo Boletim, informar ao jovem que se tratava de uma pergunta no futuro do condicional, usado geralmente quando não há certezas: ou seja, ao invés de dizer “Joanesburgo, cidade sem respeito?”, optou-se por estruturar o antetítulo daquela forma, aproveitando a convicção do artista, de que com o respeito o mundo pode sim ser um bom lugar para se viver. Aliás, “Respect” era precisamente o título do último álbum daquele terapeuta do reggae moderno (já agora, meu músico preferido). Tentamos ainda, em vão, aconselhar o nosso crítico a ler a matéria toda e entender o seu contexto, o que em nada lhe fez recuar na apreciação de que se tratava de um antetítulo mal concebido. “O único problema é que permite dupla interpretação”, desdramatizamos.
E quando acreditávamos que esse choque tivesse já terminado, eis que o nosso jornalistazito dá prova de que não é só baixo de estatura, mas também possuidor de muito baixo grau de civismo e humildade. Resolveu então, no alto da sua estupidez, pegar num exemplar do boletim segurá-lo no mais expressivo gesto de desprezo e afirmar “isso aqui não tem nada de importante!”, até ser contrariado por uma cidadã que, até, não tem nenhuma ligação com a AJS. "É que já o li e está extemporâneo", rectificou. Como o leitor deve imaginar, não respondemos: por um lado por acharmos legítimo o direito dele a emitir opinião, mas também por considerarmos um desperdício de forças estar a discutir com alguém que, sem estar embriagado sem nada, revelou tão baixo carácter. Aliás, já dizia o outro, “os tambores vazios são os mais barulhentos”. Ademais, este tipo de atitude é alimentado por um grupo de infelizes, enciumados e perdidos no tempo e no espaço, para quem alguém do Lobito não se deve destacar na praça intelectual de Benguela, enquanto cidade.
sábado, 15 de dezembro de 2007
Cemitério é lugar para fazer publicidade?
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Debate: “O Impacto das TIC no Comportamento juvenil” . Vídeos pornográficos nos telemóveis: uma questão de falta de educação e comportamento infantil
Ela e ele encontram-se em casa ou no carro. Vai um beijo, abraços, o clímax aquece e fazem amor como sempre fizeram, como é direito dos namorados. Só que, desta vez, ele tem em mãos um telemóvel novo, caro e cheio de funções. E, pondo em prática a máxima de que “amar e ter juízo não é possível”, ele decide filmar o acto sexual. Ela, um tanto perdida no calor do momento, ou se calhar nem por isso, sorri de surpresa, nega um bocado, mas “como ele é o dono”, deixa filmar. Depois do acto o casal ri-se do que foi capaz de fazer, quando ambos viajavam de excitação. Ela parte para a casa e “está tudo bem”. Mas só após o namoro terminar é que percebe o quão parva chegou a ser ao deixar-se filmar tal como veio ao mundo e logo na hora de obedecer a libido. Mas já é tarde: a imagem já circula na Internet e no telefone de quem quiser. Desengane-se, caro(a) leitor (a), que não se trata de um caso de ficção, mas de uma realidade que se repete. O progresso das tecnologias de informação e comunicação, dentre as quais a informática e a Internet são os mais gigantes tentáculos, lançou o mundo para uma revolução irreversível. Como é dialéctica da vida, infelizmente, paralelamente às incomensuráveis vantagens, a globalização faz com que as fronteiras entre as nações se desvaneçam, ainda que virtualmente, permitindo que um acontecimento na mais remota comunidade seja acompanhado em tempo real em qualquer parte do mundo. E as sociedades menos desenvolvidas vêm-se então em maior desvantagem ainda para a sobrevivência de alguns dos seus aspectos culturais mais sagrados, perante as influências políticas, culturais, etc., das sociedades mais desenvolvidas.
A sociedade angolana, e a benguelense em particular, vê-se apanhada desprevenida por este fenómeno atípico da sua forma de ser e de estar. É urgente a necessidade de promover reflexões permanentes sobre o impacto e as implicações do (mau) uso das tecnologias de informação e comunicação, TIC, no comportamento das pessoas. Foi com esta preocupação que a produção do programa “Viver para Vencer” agendou para debate, a 20/11.
Pouco depois do anúncio do tema, da cidade do Lobito ligou um cidadão, que preferiu anonimato, chamando atenção da sociedade para o uso racional dos telemóveis: «De princípio têm uma utilidade boa para a nossa evolução, mas por outro lado temos umas grandes falhas, como o caso destas imagens que estão a aparecer agora. Acho que temos que ter mais responsabilidade com os telemóveis para que não sejam uma coisa para brincar, mas sim para resolver problemas, coisas urgentes. E dou um apelo a todo o pessoal, que se organize!». O mesmo ouvinte partilhou connosco uma experiência pessoal em que o telemóvel foi a tábua de salvação: «Foi a altura em que estava a sair de uma discoteca, o camião estava parado e como eu vinha com excesso de velocidade, cambaleei e o telemóvel foi a saída para pedir socorro», revelou.
O mundo guarda ainda frescas as polémicas imagens captadas à revelia por um telemóvel, denunciando a humilhação perpetrada por aqueles que se julgavam implementar a justiça na cena do enforcamento do antigo presidente iraquiano, Sadam Hussain. Na verdade, a ênfase ao telemóvel foi só um chamariz para uma abordagem mais alargada sobre as TIC.
Entretanto, como realça a “Gazeta Online” do Brasil, «o fosso entre os países em relação ao acesso a tecnologias de informação ainda é enorme no mundo: o habitante de um país desenvolvido tem 22 vezes mais chances de ser usuário de internet do que o de um país subdesenvolvido. No entanto, o acesso as TIC tem aumentado e se tornado mais igualitário, de acordo com o "Índice de Oportunidade Digital" da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad)». Acrescenta ainda aquele órgão informativo que, até 2006, «os países com maior índice digital são Coréia do Sul (0,79), Japão (0,71), Dinamarca (0,71) e Islândia (0,69). O Brasil não é citado no relatório resumido divulgado à imprensa. E segundo o levantamento, que será divulgado anualmente até 2015, há 3,3 bilhões de usuários de celular no mundo, o equivalente a 51,76% da população mundial. Na Europa, esse percentual chega a 124,32%, ou seja, algumas pessoas têm mais de um aparelho no continente. Na África, o percentual é de 15,92% e nas Américas, 78,94%».
O Dr. Jorge Crisóstomo, presente ao debate em representação do Comando Provincial da Polícia Nacional, considerou que as TIC são, hoje em dia, um factor importantíssimo a nível do universo. «Há necessidade, no caso de Angola, investir-se muito na educação. Porque nós estamos a ter a tecnologia e vai haver uma grande parte da sociedade que vai estar excluída deste grande contexto de obtenção de informação aproveitando as tecnologias de informação».
Quanto à Internet, cada vez mais frequentada pela juventude, os participantes ao debate defenderam a necessidade de se investir na educação desde a base para uma melhor aproveitamento. «Porque vivemos num universo de informação global. Agora, é preciso saber educar os nossos adolescentes e jovens como ir buscar esta informação importação», já que, tratando-se de uma sociedade com poucos hábitos de leitura, «vão buscar pornografia, vão para jogos na Internet, mas há muita coisa mais importante. Então é preciso incutir desde a Escola, tudo que é lixo deve-se desprezar», recomendou o Dr. Jorge.
Por seu turno, o Reitor do Seminário Maior Bom Pastor, Padre José Cassanji Santos, acredita que as estruturas do Governo estão a acompanhar e a arranjar mecanismos para a introdução daquilo que considerou de Disciplina Global de Informação. «Porque é um risco, é uma mentalidade que se adquire, que, depois dentro de 50 anos, nós vamos sofrer as consequências, alertou para a seguir apontar que «o mau uso das TIC pode prejudicar não só os utentes como também as famílias. Porque as informações podem deturpar o modo de entender dos amigos», advertiu.
Já o estudante do curso de direito, José Sikuete Viagem, sublinha a ideia de que o débil diálogo dos pais em casa para com os filhos pode contribuir para o mau uso das TIC. «Essa informação que ele não consegue com os pais, vai busca-la na televisão, na rua», referiu. Quanto à exposição da privacidade de outrem através de fotografias e vídeos, Viagem julga ser reflexo generalizado da falta da cultura jurídica. «Há direitos de personalidade que são invioláveis. Então eu se não estiver informado sobre o direito de personalidade, à integridade física, ao nome e à honra, e for para um meio público, vou fazer o uso do meu telefone de tal modo que não respeite estes elementos, porque eu entendo que o telefone, por ter câmara, é para captar tudo que é imagem mesmo sem o consentimento destas pessoas», ilustrou.
Mas será que o facto de ser namorado dá o direito de filmar a rapariga e expor a sua nudez? O «Não!» foi unânime. Para o doutor Jorge, não se trata de comportamento patológico, mas sim de comportamento infantil e que «à nossa juventude falta conhecimentos básicos para se viver em sociedade condignamente e passa necessariamente pela educação». O Pe. Cassanji Santos defende que os princípios éticos sob os quais nos guiamos deviam ser claros, na medida em que pessoa deve sempre «ser vista como um fim e nunca como um meio. Todo aquele que quiser lesar, por brincadeira que seja, a integridade física ou moral de quem quer que seja, atenta contra os princípios sagrados da privacidade e do direito individual» rematou.
Gociante Patissa (publicado na edição de Novembro/07 do Boletim "A Voz do Olho", projecto informativo, educativo e cultural dos amigos da AJS-Associacao juvenil para a Solidariedade, ONG, no Lobito)
«As mulheres são os melhores condutores que temos», diz Inspector
O Chefe do Departamento de Prevenção Rodoviária
da Direcção Provincial de Viação e Trânsito, Inspector Pinto Caimbambo, denunciou que a negligência está na base da maioria dos acidentes que se assistem nas estradas. Enquanto isso, os mototaxistas, vulgo kupapatas, representam 40 por cento dos acidentes, ao contrário de automobilistas do sexo feminino, cuja taxa de acidentes é quase nula.«A situação da sinistralidade rodoviária na nossa província, e no nosso país em geral, é bastante preocupante», considerou o Inspector Caimbambo, apontando entre os factores um certo entusiasmo da parte dos automobilistas dada a melhoria que se verifica um pouco por todo o país nas estradas. “Isto provoca com que os homens aumentem a sua auto-estima e, se calhar, considerem que os seus veículos são os melhores e tentam dar o máximo. E isto tem causado consequências bastante graves”, considerou o Inspector Caimbambo ao participar do debate sobre “Os acidentes na estrada”, que foi tema da 55ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer, oferecido pela AJS através da Rádio Morena, no passado dia 08/11.
Da mesma opinião partilha Simão Marques, membro da AJS. «Num outro ponto - disse - eu acho que talvez é a ignorância dos próprios condutores que passam por cima da lei».
«Penso que é um problema de mentalidade dos homens do volante. E penso que temos que mudar porque senão vamos continuar a morrer ingloriamente. Porque em quase todos acidentes registados há sempre uma transgressão. Se não é excesso de velocidade, é falar ao telefone ou ter a música demasiado alta», denunciou, para a seguir surpreender: «Eu faço uma apreciação positiva, sobretudo da parte das senhoras, hoje. O nosso balanço em termos de acidentes de viação o número de mulheres é quase zero. Se calhar eu consideraria as mulheres de mais prudentes. Porque, a mulher, quando estiver a aproximar uma viatura, mesmo com prioridade, não avança. As mulheres são as melhores condutoras que temos hoje».
Mas são os acidentes a principal causa de mortes ou a débil capacidade de resposta dos serviços de urgência? Este é um debate “incómodo” suscitado por vários intelectuais e observadores atentos, por exemplo na realidade de Portugal, que questionam se os acidentes é que são mortais ou se a capacidade de resposta dos serviços de emergência é que, às vezes, não chega tarde demais... quando chega.
A mesma questão foi colocada ao Chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Central de Benguela, Ernesto Gomes, que avançou que «os serviços de saúde a todos os níveis estão criando condições cada vez mais para que esses casos de acidentes tenham a sua condição rapidamente suprida». E para os casos de acidentes que aconteçam longe dos bancos de urgência, «o hospital Central de Benguela está apetrechado de ambulâncias. Tem acontecido que, nalguns casos de acidentes, pessoas de boa fé comunicam ao banco de urgência e nós movimentamos uma ambulância para a busca do sinistrado e levamos para a área mais próxima», revelou, pondo à disposição do público o terminal telefónico 917 335 308, o de emergência hospitalar.
Quanto ao argumento de muitos automobilistas que se recusam prestar socorro com suas viaturas temendo serem apontadas como culpados do acidente, o Inspector Caimbambo garantiu que os dados recolhidos pela polícia servem apenas para completar as formalidades de ocorrência, sendo que em caso de inconsciência do sinistrado o automobilista serve apenas de contacto. Entretanto lamentou também haver casos de automobilistas que atropelam e se fazem passar por inocentes.
E como a figura do kupapata é já uma referência obrigatória em qualquer análise dos fenómenos do trânsito em Angola, foi solicitado do representante do Comando Provincial da Polícia Nacional um pronunciamento sobre a medida mais badalada, que é o uso do capacete. «É uma medida que está a ser acolhida mal, mas era bom que as pessoas nos compreendessem. A nossa intenção não é criarmos o desconforto às pessoas, é sim evitar as mortes na via pública”, lembrou. «Porque, se imaginássemos que uma mota, uma Delop que percorre uma velocidade instantânea de cerca de
Sem contudo revelar dados estatísticos locais, aquele oficial da Viação e Trânsito adiantou que, em termos percentuais, as motas contribuem com cerca de 40 por cento de acidentes registados semanalmente pela Polícia Nacional
Por Gociante Patissa (publicado na edição de Novembro/07 do Boletim "A Voz do Olho", projecto informativo, educativo e cultural dos amigos da AJS-Associacao juvenil para a Solidariedade, ONG, no Lobito) (
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Crónica: "A Catumbela já não corresponde"
Gosto particularmente de escrever-te, porque sinto que me remetes sempre aos nossos tempos de adultos forçados pela conjuntura, anos em que a luta para ser alguém na vida (trabalhando ou esforçando-nos para tirar notas altas na escola) nos retirava o direito de sermos adolescentes normais, como qualquer um da nossa idade. Perguntas sobre muita coisa cá da banda, mas é sempre difícil apresentar um retracto de uma localidade em que se reside há tantos anos e com a qual temos uma espécie de amor eterno. Primo, azar teu de não poderes ainda regressar!
Você nunca foi de fraca memória, primo, por isso ponho a mão no fogo em como não se esqueceu do nosso “Kacipaio”, aquela casa cantoneira amarela entre Lobito e Catumbela, a dos guardas Kamigue e Nguendo, do velho Napokwenhe, da cana cascada. Não é que certo boss bem intencionado concluiu que a reconstrução nacional consistia em aplicar um belo alicerce no caminho que saia do Vikundo…! É impressionante, primo, mas vinte anos depois de passares por um caminho deixado inclusive pelo colono e pela falida Açucareira, com estacas e arame farpado alguém atira p’ro esgoto o passado do nosso místico Kambandjo e de sua gente, que via no acesso à linha 11 um recurso para emergências, para já não falar de funerais.
Gociante Patissa (publicado na edição de Outubro/07 do Boletim "A Voz do Olho", projecto informativo, educativo e cultural dos amigos da AJS-Associacao juvenil para a Solidariedade, ONG, no Lobito)
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Chipilica recua e retira queixa contra AJPD
A informação é do padre Pio Wakussanga, promotor da vigília de ecuménica marcada para hoje, em solidariedade com os membros da prestigiada ONG cívica.
Os arguidos teriam de responder a tribunal nesta quarta feira, depois da notificação recebida no meio da semana passada.
«A vigília que podia juntar cristãos de varias denominações e membros da sociedade civil já não se vai realizar, pelo facto do D. Paulo Chipilica ter retirado a queixa, no passado dia vinte de Novembro», explicou Padre Pio Wakussanga à Rádio Ecclésia.
No entanto fontes daquela estação radiofónica da capital, revelam que foram envidados esforços para ouvir Paulo Chipilica, mas não houve qualquer pronunciamento do seu advogado por enquanto.
A mesma fonte indica que também, a AJPD, liderada pelo jusrista Fernando Mcedo, prefere manter-se em silêncio enquanto não dispor de qualquer documento formal, que confirme a viravolta do governante.
Nov 27, 22:50 Texto: Angonoticias/ Fonte:Rádio Ecclésia/Apostolado
Embaixada de Angola critica entrevista do Programa do Jô
"Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal", afirma a embaixada de Angola em comunicado divulgado à Agência Lusa.
A nota da embaixada afirma ainda que "mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de marketing para vender jornais, programas de rádio ou de televisão de má qualidade".
As denúncias contra o programa de Jô Soares surgiram há dez dias e ainda não há uma conclusão da procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Márcia Morgado, responsável pelo caso, declarou nesta terça-feira à Lusa o Ministério Público (MP).
No Programa do Jô, que foi exibido no último dia 18 de junho, o angolano Ruy Morais e Castro, atualmente taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo de seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.
Em um dos exemplos, o entrevistado diz que o penteado de uma mulher na faixa dos 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clitóris para que se tornasse tão "apertada" quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciariam a vida sexual.
"Foi uma atitude bizarra do Programa do Jô, que deveria nos dar um direito de resposta. A entrevista com o taxista foi uma aberração porque expôs, execrou a mulher, e não levou em conta os valores de uma cultura e de sua ancestralidade", disse à Lusa uma coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro.
Essa entidade, que impulsionou outras organizações sociais a entrarem com queixa no Ministério Público contra o Programa do Jô e a TV Globo, considera que a entrevista foi "ofensiva a todas as mulheres, em particular às mulheres negras, pelo tom de deboche e desrespeito às mulheres muila".
Segundo outra representante do movimento negro brasileiro, Alvira Rufino, houve uma "violência psíquica contra a mulher negra".
"Não se pode analisar a cultura de um povo e fazer críticas a costumes pré-estabelecidos partindo de uma visão eurocêntrica. O programa foi preconceituoso, racista e teve a intenção de desvalorizar os costumes de um povo", disse à Lusa a presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra.
A organização não-governamental feminista E'leèkó - Gênero, Desenvolvimento e Cidadania-, se manifestou igualmente contra o programa e qualificou a entrevista como "desrespeitosa para com a mulher angolana".
"O preconceito saiu do taxista, mas o Jô não só entrou na brincadeira, como foi jocoso e também riu muito. Temos mesmo que procurar a justiça para reeducar a sociedade, porque não temos no Brasil o exercício do cotidiano da cidadania", disse à Lusa a representante da ONG, Rosália Lemos. As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro deverão ser concluídas em um mês.
De acordo com a assessoria de comunicação do MP, se for comprovada a existência de irregularidades no programa, a procuradora Márcia Morgano poderá entrar com uma ação na justiça ou atuar de maneira extrajudicial, fazendo apenas uma advertência ao Programa do Jô e à TV Globo.
Texto: ngonoticias (citando a Lusa)Nov 28, 07:30
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Terá faltado respeito em Joanesburgo? Lucky Dube assassinado por "batuqueiros"
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| Foto de autor não identificado |
mundo, quando apanhados desprevenidos pela velocidade sanguinária da violência urbana na África do Sul. Segundo a polícia, Lucky Philip Dube, de 43 anos, foi assassinado por supostos ladrões de carros, ou “batuqueiros” como são conhecidos entre nós, no dia 18/10, depois de ter deixado dois filhos adolescentes, à noitinha, em casa de um irmão em Rosettenville, subúrbio de Joanesburgo. Os meliantes surgiram de súbito, abriram a porta de seu Chrysler e dispararam à queima-roupa, uma cena assistida pelo filho, que chamaria pela polícia instantes depois, enquanto o artista tentava fugir, até a viatura embater num obstáculo metros adiante e perder a vida. A polícia já deteve quatro presumíveis assassino, entre 31 e 35 anos, nomeadamente, Sifiso Mlanga e Julius Gxowa, de nacionalidade sul-africana, e os moçambicanos Thabo Mafoping e Mbofi Mabe, cuja sessão de discussão em tribunal deveria acontecer no fim de Outubro, de modo a permitir-lhes a constituição do suporte legal a que têm direito.
Temos vergonha das nossas línguas?

«A nossa população nem toda consegue entender o português. E, na sua maioria, a juventude, pelo contrário, não entende a língua nacional e também tem dificuldade em se expressar, como tal, em português» caracterizou Adriano Justo (AJ). E atribui tal fenómeno ao desprezo que o colonizador, durante séculos, impôs às nossas línguas nacionais, «de tal modo que os pais não transmitiram estas aos filhos»,
defendeu AJ.
Do mesmo ponto de vista alinha Adelino Kosengue (AK), do Departamento Provincial da Cultura, que julga necessário debater-se sobre o assunto: «porque a nossa juventude, muitas vezes não percebe o que é a língua nacional e se calhar dá importância a outras línguas e deixa aquilo que é natural, do seu país, da sua origem», descreveu.
Questionado sobre a razão de trazer a utilidade das línguas nacionais para debate, o Produtor do programa, Júlio Lofa, argumentou: «nós estamos também preocupados com as pessoas que vivem nas comunidades muito distantes das zonas urbanizadas», para adiante notar que «há muitos projectos a serem desenvolvidos aqui; e o problema da saúde preventiva não é só das cidades, mas também daquelas comunidades onde não se fala o português ou fala-se com muita dificuldade. Portanto, há toda uma necessidade de nos avaliarmos, nós activistas que estamos neste desafio, se, de facto, estamos em condições de levar a mensagem lá onde existe pessoas que precisam de uma outra língua para terem uma informação correcta», justificou.
Com base na sua experiência de jovem promotor da saúde, João Pedro (JP), do projecto da Cáritas Diocesana, “Vida com Esperança”, conta que a dificuldade aumenta à medida que se deixa as sedes municipais, e se atinge as zonas recônditas, exigindo do técnico a adaptação à realidade local para o êxito da missão.
AJ sublinha ainda como incentivo à juventude no uso das línguas nacionais o enquadramento de novos quadros em vários sectores da função pública, ante a necessidade de se adaptarem, para a vital comunicação, ao uso da língua dominante nas áreas em que são inseridos. «Na área de saúde, o conhecimento da língua local é muito importante, porque quando o técnico se expressa na língua materna, o doente tem mais liberdade de se expressar», disse.
«Tenho um sobrinho que, hoje mesmo, perdeu a oportunidade de “agarrar” um emprego por não saber falar a língua nacional», lamentou ainda AJ.
César Kangwe (CK), músico e locutor da língua Umbundu há 23 anos ao serviço da Rádio Nacional, denunciou que na sociedade benguelense o quadro da rejeição virtual da língua materna é mais notório, contrariamente ao que se assiste com os kimbundu, Cokwe, por exemplo.
«Até há pessoas mesmo que sabem falar Umbundu e fingem que não o falam. Procuram formas, quando quiserem pronunciar uma ou duas frases em Umbundu, de fugir um pouco da fonografia da língua, desafinam, que é para darem a entender que não falam. Esse é um pecado que a sociedade vai cometendo», condenou CK.
Mas como fazer com que os termos correntes nas cidades não representem um lesar dos costumes e sensibilidades uma vez levados às zonas rurais? JP reconhece ser uma constante difícil, mas superável: «uma das grandes vantagens que têm feito com que não tenhamos tantas dificuldades, é a recruta dos activistas comunitários locais. E estes submetidos a uma formação, também vão nos ajudar a levantar os termos, especificamente, na língua materna», revelou.
Por seu turno, o Coordenador do Projecto “Viver Contra a Sida-3”, Salomão Gando, é de opinião que o contacto com as línguas nacionais para técnicos de saúde deve iniciar mesmo durante o processo de formação, durante a fase de estágio curricular.
A reportagem simultânea do programa radiofónico “Viver para Vencer” e do Boletim “A Voz do Olho” ouviu Justino Tchapwiya, professor e responsável da Associação dos amigos da língua inglesa (Afela). Tchapwiya recorreu ao exemplo das igrejas na veiculação do evangelho para ilustrar a utilidade da língua local para que a população compreenda a mensagem que lhe é transmitida. Contudo, considera ser necessário trabalhar-se mais com o activista, o mobilizador comunitário, em termos de seminários, palestras e treinamento para passar a informação de base, cooperando com sobas e agentes comunitários, uma recomendação também reforçada por Armindo Jonatão, funcionário do Departamento Municipal do Lobito da Cultura.
O representante do Departamento Provincial da Cultura, AK, lembrou algumas recomendações do 2º Encontro Sobre as Línguas Nacionais: «Que se proceda a integração das línguas nacionais em todos os domínios para que elas possam contribuir para o desenvolvimento global do país; que se proceda a valorização, protecção e divulgação das línguas nacionais como forma de preservação da cultura nacional e consolidação da integridade cultural».
Entretanto algumas iniciativas mereceram elogios dos convidados ao debate. Tal é o caso dos painéis com mensagens de boas vindas “Akombe veya”, por ocasião do Afrobasquete 2007.
Fonte: Boletim "A Voz do Olho", projecto informativo, educativo e cultural da AJS e amigos, edição de Outubro/2007











