Terça-feira, Março 25, 2008

Quanto custarão os nossos salários?

Esta multidão é constituída maioritariamente por actuais e ex-funcionários da função Pública, que já têm os salários e as pensões do mês de Janeiro em atraso há mais de 25 dias. Entre eles existem alguns funcionários que, por imperativos das necessidades vitais, tiveram que abandonar os postos de serviço para levantarem o ordenado, na esperança de evitarem o corte de mais uma das refeições. Porque enquanto a panela se arrisca a enferrujar, o estômago não sabe esperar! Esta enchente já dura perto de uma semana.

A bancarização salarial, que põem fim ao pagamento até então feito no local de serviço, vem, felizmente, evitar o risco de roubo e os trbalhadores "fantasmas", mas afigura-se incómoda, enquanto existirem tão poucos balcões para tanta demanda. Os cidadãos são obrigados a suportar os empurrões e a poeira para coisas simples como saber o saldo, mas outros (a maioria) têm no interior impenetrável o seu “tudo”, que se traduz em humildes gorjetas – como o considerariam muita boa gente da classe média-alta.

Em função da dessa enchente, a segurança protectora do banco BPC, procura organizar o seu trabalho obrigando os cidadãos a formarem uma bicha a quem quer que seja, remetendo à muito a triste lembrança dos velhos tempos (tempos das “empas”) do comunismo. Até que não é errado organizar, mas ficar na bicha debaixo daquele sol abrasador e escaldante para se levantar o salário que o cidadão tem a certeza que já se empenhou por ele, é o cúmulo de tudo.

Vejamos, por exemplo, o caso do professor (educador), sempre tido como o espelho da sociedade, a figura pública, o exemplo em pessoa, o exercício da profissão mais nobre. É obrigado a perder mais de três horas numa bicha de pé e ao ar livre para levantar um mísero e atrasado salário, com o agravante da má reconversão salarial. Não será humilhante demais para quem se deve sempre fazer respeitar? Quanto tempo esta humilhação deseja durar?

Só para reflectirmos um pouco, na realidade de Benguela, concretamente no município do Lobito, existem apenas dois balcões do Banco de Poupança e Crédito, cada um apenas com dois caixas e um balcão da “Rede azul”. O cenário destes dois balcões quando chega a altura do pagamento das pensões é uma autêntica falta com o respeito aos nossos pais ou avós, que um dia deram o seu “cabedal" por esse imenso país. Só nos falta ver estes idosos a passarem noites à porta do banco para serem os primeiros na bicha, no dia seguinte, porque, no meio de tanta ansiedade, fácil se esquecem as boas maneiras de pôr os idosos na prioridade.

Agora, para além dos pensionistas, dos militares, dos funcionários de alguns ministérios e outros, acrescentam-se mais de 5 mil trabalhadores do ministério da Educação, no município (Lobito). Que indicador de progresso é esse? Que soluções estão a ser perspectivadas? Volto a perguntar, quanto tempo vai durar esta íngreme solução?

Para se livrarem dessa confusão e enchente, muitos clientes desse banco vêem no multicaixa a solução, e há os que nem estão informados dos encargos do mesmo. Será construtivo idealizarmos mudanças sem que estas, as mudanças, sejam proporcionais ao melhoramento dos pressupostos (homens, meios e vontade de bem servir)?

Por: Lofa Kakumba lofakakumba@yahoo.com.br

Sábado, Março 22, 2008

Lista completa dos partidos políticos

Retomamos aqui a lista publicada pelo Blog "Pensar e falar angola" http://blogdangola.blogspot.com/2008/03/lista-completa-dos-partidos-polticos.html, que cita, por sua vez, o Jornal de Angola.

001 – Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)
002 – União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA)
003 – Partido da Aliança Juventude Operária e Camponesa de Angola (PAJOCA)
004 – Partido Social Democrata (PSD)
005 – Partido Renovador Democrático (PRD)
006 – Partido de Renovação Social (PRS)
007 – Convenção Nacional Democrática de Angola
008 – Partido Nacional Democrático de Angola
009 – Partido Democrático Pacífico de Angola
010 – Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA)
011 – Partido Democrático de Angola (PDA)
012 – Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional de Angola (P.D.P.-A.N.A)
013 – Frente para Democracia (FpD)
014 – Partido Angolano Liberal (PAL)
015 – Partido Angolano Independente (P.A.I)
016 – Partido Liberal Democrático (P.L.D)
017 – Movimento de Defesa dos Interesses de Angola – Partido de Consciência Nacional (M.I.D.A/P.C.N)
018 – Partido Social Democrático Angolano (P.S.D.A)
019 – Partido Democrático Liberal de Angola (PDLA)
020 – Unificação Democrática Angolana (U.D.A)
021 – Partido Renovador Angolano (P.R.A)
022 – União Nacional para a Democracia (U.N.D)
023 – União Nacional da Luz para a Democracia e Desenvolvimento de Angola (UNLDDA)
024 – Partido Angolano Conservador da Identidade Africana (PACIA)
025 – União Nacional Patriótica para a Democracia (U.N.D.P)
026 – União Nacional para Democracia e Progresso (UNDP)
027 – Partido de Solidariedade e da Consciência de Angola (P.S.C.A)
028 – Partido Social Liberal (P.S.L)
029 – Partido Democrático Radical de Angola (P.D.R.A)
030 – Partido Socialista Angolano (PSA)031 - Partido de Apoio Para Democracia e Desenvolvimento de Angola (PADDA)
032 - Tendência de Reflexão Democrática (TRD)
033 - Aliança Nacional Democrática (AND)
034 - União Democrática dos Povos de Angola (UDPA)
035 - Partido de Expressão Livre Angolano (PELA)
036 - Partido Social da Paz de Angola (PSPA)
037 - Partido Angolano para os Interesses Democráticos (PAID)
038 - Partido Frente Democrática de Angola (PFDA)
039 - Partido de Convergência Democrático Angolano (PCDA)
040 - União Social Democrática (USD)
041 - Partido Nacional e Progressista de Angola (PNPA)
042 - Partido Nacional Independente de Angola (PNIA)
043 - Partido para a Unidade Nacional de Angola (PUNA)
044 - Aliança para Democracia dos Povos de Angola (ADPA)
045 - Partido Angolano Do Desenvolvimento Social (PADS)
046 - Partido Nacional Ecológico de Angola (PNEA)
047 - Frente Nacional de Desenvolvimento Democrático de Angola (FNDDA)
048 – Partido Independente Renovador (P.I.R)
049 – Partido de Convenção Democrática e Progresso (P.C.D.P)
050 – Partido da Comunidade Comunista Angolana (P.C.C.A)
051 – Partido Congressista Angolano(P.C.A)
052 – Partido Democrático Unificado de Angola (P.D.U.A)
053 - Partido de Apoio a Liberdade e Democracia de Angolana (PALDA)
054 – Partido Angolano para Unidade e Democracia e Progresso (P.A.U.D.P)
055 – Partido Democrático para o Progresso Social (P.D.P.S)
056 – Movimento Democrático de Angola (M.D.A)
057 – Partido de Aliança Democrática para a Liberdade de Angola (ADLA)
058 – Partido Angolano para Unidade e Desenvolvimento (P.AU.D.)
059 – Partido Republicano Social Democrático (PRSD)
060 – Partido de Aliança Livre de Maioria Angolana (P.A.L.M.A)
061 – Partido Progressista Democrático Liberal de Angola (P.P.D.L.A)
062 – Partido Restaurador da Esperança (P.R.E)
063 – Movimento para Democracia de Angola (MPDA)
064 – Partido Trabalhista de Angola (P.T.A)
065 – União Democrática Nacional de Angola (UDNA)
066 – Partido Nacional (PN)
067 – Partido Operário Social Democrático (POSDA)
068 – Partido Liberal para o Progresso de Angola (PLPA)
069 – Partido de Apoio Democrático e Progresso de Angola (PA.DE.PA)
070 – União Angolana pela Paz Democracia e Desenvolvimento (U.A.P.D.D)
071 – Partido Democrático dos Trabalhadores (P.D.T)
072 – Movimento Patriótico Renovador da Salvação Nacional (M.P.R./S.N.)
073 – Partido de Convergência Nacional (P.C.N)
074 – Partido Social Independente de Angola (P.S.I.A.)
075 – Partido da Comunidade Socialista Angolana (P.C.S.ª)
076 – Centro Democrático Social (C.D.S.)
077 – Partido Angolano Unificado para a Solidariedade (P.A.U.S.)
078 – Partido Angolano Conservador do Povo (PACOPO)
079 – Partido Salvação Nacional (P.S.N.)
080 – Partido Nacional de Salvação de Angola (P.N.S.A.)
081 – Partido Republicano Conservador Angolano (P.R.C.A.)
082 – Partido Conservador (P.C.)
083 – Partido Liberal para a Unidade Nacional (P.L.U.N.)
084 – Aliança do Povo Independente e Democrático de Angola (A.P.I.D.A)
085 – Aliança Nacional (A.N.)
086 – União Nacional Angolano – Partido da Terra (U.N.A.-P.T.)
087 – Congresso de Aliança Democrática Angolana (C.A.D.A.)
088 – Partido Angolano Republicano (P.A.R.)
089 – Partido Pacífico Angolano (P.P.A.)
090 – Partido de Apoio à Liberdade Linguística de Angola (P.A.L.L.A.)
091 – Partido Democrático Nacional (P.D.N.)
092 – Partido de Reunificação do Povo Angolano (P.R.P.A.)
093 – Partido de Massas Democráticos (P.M.D.)
094 – Frente Juvenil de Salvação/Partido Juvenil da Social Democracia (F.R.E.S.A./P.J.S.D.)
095 – Aliança Nacional Independente de Angola (A.N.I.A.)
096 – Partido Republicano de Angola (P.R.E.A.)
097 – Aliança Democrática Angolana – Cristã (A.D.A.C.)
098 – Partido Democrático de União Nacional de Angola (P.D.U.N.A.)

Lista de partidos políticos em situação ilegal

001 - União do Povo Angolano (UPA)
002 -Frente Unida Pacífica de Angola (FUPA)
003 - Fórum Juvenil Integral (FIJ)
004 - Partido de Reconstrução Nacional (PRN)
005 - Movimento Independente Democrático de Angola (MIDA)
006 -Partido da Aliança Pacífica e Progresso de Angola (PAPPA)
007 - União Nacional da Resistência Democrática (UNRD)
008 - Unidade Liberal Democrática (ULDA)
009 - Frente Social Democrática Para o Progresso (FSDP)
010 - Partido Nacional dos Camponeses Angolanos (PNCA)
011 - Partido Republicano da Juventude de Angola (PRJA)
012 - Partido Democrático Social (PDS)
013 - Frente de Esperança para Democracia de Angola (FEDA)
014 - Partido da Unidade Democrática de Angola (PUDAD)
015 - Frente Unida para Liberdade Democrática (FULD)
016 - Partido da Classe Operária Camponesa (PCOC)
017 - Movimento Nacional Democrático (MND)
018 - Partido Unido dos Renovadores Angolanos (PURA)
019 - Partido do Desenvolvimento Operário Angolano (PDOA)
020 - Movimento para Estabilidade e Progresso (MNEP)
021 - (PUFRAS)*022 - Partido Popular Social Democrata (PPSD)
023 - Partido Unido do Povo (PUP)
024 - Partido Liberal Democrático para Solidariedade Angolana (PLDSA)
025 - Frente Unida de Salvação de Angola (FUSA)
026 - Aliança Democrática Trabalhista de Angola (ADTA)
027 - Congresso Nacional Angolano (CNA)028 - Partido Comunista Renovador Angolano (PCRA)
029 - Partido Progressista Democrático de Angola (PPDA)

Fonte: Pensar e Falar Angola

Quinta-feira, Março 20, 2008

Páscoa Feliz a todos

Enquanto houver amizade

Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas enquanto houver amizade, faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas se a amizade permanecer, um do outro ha de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos
Mas se formos amigos de verdade a amizade nos reaproximará

Pode ser que um dia não mais existamos
Mas se ainda sobrar amizade nasceremos de novo, um para o outro

Pode ser que um dia tudo acabe
Mas com a amizade construiremos tudo novamente
cada vez de forma difrente sendo unico e inesquecivel
cada momento que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas coisas para viver sua vida.
Uma é que nao existe milagres
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre


PS: Poema enviado via e-mail pela amiga Adilia Silva
Foto Tirada durante o "FestiNamibe 2005" no Parque de Campismo na maginal da cidade do Namibe

REGRAS SÃO REGRAS!?

Um casal recém-casado vai viver para a sua nova casa e o rapaz diz:- Se queres viver comigo as minhas regras são as seguintes:

1). Às 2ªs feiras à noite vou tomar umas birras com meus amigos;
2). Às 3ªs à noite vou a Ponta da Restinga curtir;
3). Às 4.ªs vou ao cinema com o pessoal;
4). Às 5ªs, às 6ªs e sábados vou tomar umas birras e curto uma discoteca com os meus amigos.
5). Portanto, aos domingos deito-me cedo porque preciso de descansar. – E o jovem finaliza – Se queres, queres… Se não queres, eu “mando lixar!”


Ao que a rapariga responde: Para mim só existe uma regra: Cá em casa todas as noites há (fazer) sexo; Quem está, está… Quem não está, eu “mando lixar!”

Ps: Enviei por e-mails aos amigos em 2004

Um abraço a todos
Eu

Quarta-feira, Março 12, 2008

Humor: "Diploma"

Um velho fazendeiro (do Uíge) está em sua sala, proseando com um amigo, quando um menino passa correndo por ali. Ele chama:

- Diploma, vai falar para sua avó trazer um cafezinho aqui pra visita!

E o amigo estranha:

- Mas que nome engraçado tem esse menino!!! É seu parente??- É meu neto! Eu chamo ele assim porque mandei minha filha estudar em Luanda e ela voltou com ele.


(Recebida por e-mail)

Quarta-feira, Março 05, 2008

Os excessos do Jornal Chela Presss

Nota: A secção "Sociedade" da edição nº 94, de 01/03/08, do Jornal "Chela Presss", que tem como Director Editor o jornalista sénior Francisco Rasgado "Chico Babalada", surpreendeu. Num texto que duvidamos ser da autoria do editor, embora lhe deva ser atribuído uma vez não estar assinado, o leitor confronta-se com uma narração confusa (de notícia não tem cara; para crónica, faltou arte!) e distante dos princípios básicos, tais como a objectividade, a clareza e o apuramento dos dados, com uma página inteira (37) e três fotos. Não sendo de estranhar, o destaque atribuído a convidados com o mesmo sobrenome que o Editor quase ofusca o essencial da matéria, que é a festa de aniversário. Longe de querermos ensinar o padre rezar pai nosso, não podemos esconder que (do Chela Press) é nosso direito exigir qualidade e rigor! No texto aqui reproduzido, decidimos omitir os verdadeiros nomes das pessoas visadas, substituídos por nomes fictícios. Angodebates.
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Título: «Armindo Bernardo confundiu a festa de aniversário da Quininha e Gil»
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«Alarme falso no dia 23 de Fevereiro de 2008. a festa de aniversário não foi de Armindo Bernardo Júnior “Ndunda”. Apenas se utilizou a casa, sita na rua Nolasco Andrade, nº 20, em Benguela, propriedade de Anita Bernardo, esposa de Armindo Bernardo Júnior, para festejar o 42º aniversário de Julieta de Jesus Batazar Ferrão Fernando, esposa de Matias Gelly Nito, director da Soterra na Huila – Lubango.

Bernardo Júnior encontrava-se num “Cassítio” com muitas coisas, já mais para lá do que para cá, quando anunciou perante os demais da existência da festa em sua casa, mas não disse quem era efectivamente a aniversariante. Como era óbvio, dado o estado e as danças praticadas pelo Bernardo Júnior, ninguém acreditou na qualidade da festa. O homem estava possuído, endiabrado, com coisas no corpo. Até crianças do Infantário foram convocadas. E os presentes, por unanimidade, declararam que a festa do Bernardo era de “lomundo”.

A aderência foi mínima. Para consertar os estragos ou prejuízos criados por Bernardo Júnior, a festa teve que ser realizada em segunda edição no dia seguinte, 24 de Fevereiro, e no mesmo local. Aí sim… foi de partir a loiça.

Uma festa onde não faltou qualidade, diversão, gente adulta, saber, muita comida e bebida. Foi divertida.

Presentes estiveram [aqui os nomes são reais] Alice Tavares Joaquim Victor, a destilar charme e saber, Sérgio Rasgado, fecém-chegado de Portugal, ainda com cheiro de português, Belinha Monteiro, a patroa da Ritex em Benguela, Cláudia Assis, Aninhas Bendrau, a dona da casa e sempre senhora de si mesma e, com o seu perfeito auto-controlo, Gina Palma, chano Rasgado, o homem da diáspora, sempre pronto para passar o seu Know-how na área do desporto, Evaristo Leão, o engenheiro mais requintado da direcção da Habitação e Urbanismo, Dinho Monteiro (irmão do Man Nelas), um projecto falhado de agricultor, Sanu Monteiro, Cristina Frederico, Armando Bendrau Júnior, proprietário nas horas livre do pasquim “Águas Turvas” e criador de galinhas na varanda do apartamento de Matilde Bendrau, sua querida mãe, Rainha da Conda – Kwanza Sul, segundo Túlio Lopes Cordeiro, e outros mais.

Quininha e Gil, unidos novamente pela flecha do Cupido, aproveitaram o dia do aniversário para colocar mais achas na fogueira do amor, agora separados geograficamente. Na verdade, não há dias nem horas definidas para brindarem com afago ou uma carícia a pessoa amada, sobretudo num dia de aniversário. Portanto, todo o tempo é tempo e nunca é tarde quando a intenção é mostrar esse nobre sentimento que nasce das profundezas.

O casal Gil e Quininha beijaram-se muito, com raiva, e para provocar inveja. Que belo casal. O amor é belo, pena é o mundo ser gay.»

Lugar da Mulher é na cozinha? Porquê importar-se com o género? (Arquivo)

Há pouco menos de uma década, “o género” não fazia parte dos debates. A mulher era o foco de políticas ou programas virados à diminuição das desigualdades entre os sexos. Hoje, o paradigma mudou. Termos como “Saúde da mulher” foram substituídos por “saúde familiar”. As quotas para o acesso da mulher na política, no mundo académico e no comércio privado vêm sendo substituídas por políticas regulares de género.
Porquê pular de “mulheres” para “género”? Talvez estejamos a aprender que a desigualdade no género não é apenas um assunto feminino. Apercebemo-nos de que não se pode excluir os homens das oportunidades de micro-crédito sem causar ressentimentos, às vezes até violência, no lar. Os programas de saúde reprodutiva têm menos impacto se apenas metade da população é abrangida, e as mulheres – e não os casais – se encarregarem de tomar de forma isolada as decisões de planeamento familiar. Aumentar o número de mulheres no parlamento pelo critério de percentagens preestabelecidas, sem que haja uma mudança real de atitude, poderia aumentar a sua presença política, mas não o poder político.

Ademais, estamos a perceber que os estereótipos no género não são só prejudiciais para as mulheres, mas também aos homens. A noção de “trabalho feminino” restringe os homens de certas profissões. A pressão de ser o motor do “ganha-pão” limita nos homens a oportunidade de gastar mais tempo com os seus filhos. E a atitude de que “um homem nunca chora” força o homem a esconder as suas emoções, o que é um risco à saúde.

Finalmente, a sociedade no geral sofre os efeitos das desigualdades no género. As crianças têm mais saúde quando as mães têm educação formal. As sociedades são mais produtivas quando 50 por cento dos seus recursos humanos dão o máximo do seu potencial.

Com vista à trabalhar em prol de um mundo em que o homens e as mulheres têm oportunidades iguais, devemos identificar os estereótipos, entender como eles afectam as nossas vidas e reflectir sobre as suas origens. O que é desigualdade no género, como afecta as nossas vidas e sociedades, e como podemos minimizá-los?

Estava eu diante de um grupo de 15 mulheres angolanas e pensei: “o que é que estou aqui a fazer?”. Tinha entrado em Angola havia poucas semanas, o meu português era “péssimo”, e sabia muito pouco sobre a cultura. Ainda assim, encontrava-me a dar um workshop a mulheres rurais sobre “os estereótipos no género”.

Será que se importariam com o que eu iria dizer? Sairiam com o poder reforçado ou mais confusas? Para provocar a discussão, mostrei desenhos de um homem lavando a loiça e dando de comer um bebé e uma mulher reparando um carro e dando comícios políticos. Elas deram gargalhadas e disseram que era impossível – que o desenho não correspondia com a realidade. E quando perguntei porquê, houve silêncio na sala. “Quem decidiu que o homem devia fazer isso, e a mulher aquilo?”, perguntei, e de novo, silêncio. Na verdade, ninguém conhece a origem dos estereótipos. Serão biológicos e depois perpetuados pela cultura? Se for assim, até que ponto?

Os estereótipos no género limitam directamente as nossas oportunidades devido à discriminação. Porém, mais importante ainda, limitam as nossas ambições, autoconfiança e habilidade de sonhar um pouco mais sobre o futuro de cada um. Como podemos mudar os preconceitos sobre a relação entre o homem e a mulher se são biológicas, ou tão imbuídos na nossa cultura e perpetuamos por todos nós. Mas será que podem também às vezes ser positivos?

Muitas vezes questiono o meu papel na promoção da igualdade no género. Numa conferência juvenil sobre os estereótipos no Paraguai rural, um jovem rapaz me disse: “o teu sistema aqui não funcionaria. Os homens e as mulheres precisam ter diferentes responsabilidades para que a vida doméstica ande mais amenamente”. Será que os movimentos pró igualdade no género deviam ser mais endógenos (desenvolvidos dentro da cultura)? Caso não, como podem os agentes externos gerar mudança? Até que ponto a cultural pode justificar as desigualdades no género?
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(*) Traducão do artigo “Make your voice heard” (de Elizabeth Coombs, EUA, elicoombs@yahoo.com) , publicado no site da ONU para os assuntos sociais. Títulos, Boletim "A Voz do Olho", Projecto informativo, educativo e cultural da AJS e amigos; Foto: (menina do biópio batendo funji) por Gociante Patissa

Terça-feira, Março 04, 2008

Dei mais um passo

Desafiando os pés trémulos,
Dum tremor profundo, porque vem do coração,
Ou soberano, talvez, porque a ordem caiu do cérebro,
Dei mais um passo.

As nuvens andam cinzentas
à cor dos meus olhos ansiosos,
(Não é escuridão das chuvas,
Que quando fogem deixam saudades,
E quando vêm dão maçada)
É da ansiedade, da insegurança, que a tudo escurece

Esperar é um caminho espinhoso,
Quando são indefinidas as metas.
Também sei que bravura não é ir nadando ao mar,
Mas relaxar no momento de regressar.

Atiro-me, porém, à entrada procurando saída
(Quero lá saber se não são minhas as chaves?!)

O eufemismo colectivo choveu
nos recados e suspiros de amigos...
E lembraram-me que também consigo,
lembraram-me que o momento é sempre certo,
para quem se esforça e tem vontade!
Não pouparam oportunidades,
apanharam-me sem roupas, às vezes,
e incisivamente se instalaram.

Não consegui mais continuar a esconder a lavra.
Quando podia ter dito "não",
Eis que disse "sim",
Porque quero, porque também acredito.
Está agora a meio passo de ser pública
a logística com mais de doze anos...
E, com estas mãos, traçarei com orgulho
cada linha da minha marca -

A não ser que o mosaico todo não mereça...!

Gociante Patissa