domingo, 12 de novembro de 2017
(arquivo) Diário | Ah, fala o namorado dela?
"Wey, estás a ver essas miúdas?"
"Ya, wi."
"Ya, wi."
"Lhes pára ainda!"
"Xé, garinas, venham cá!"
"Boa tarde, moços."
"Boa tarde, moços."
"Tudo bem, bebés?"
"Tudo."
"Vocês moram aonde?"
"Na Fronteira..."
"Aié? Passem aqui vossos números de
telefone, já, já!"
"E o contacto da outra?"
"Ela ainda não tem."
"Olha, o meu amigo e eu vamos vos procurar,
ouviram? Não vale a pena só desligar ou dar uma de quem não viu, estão a ver
né? Eu fico lixado! É atender, ouviram bem, né?"
"Está bem, moço, não há makas. Vamos
atender."
"Ok. Podem bazar!"
"Tchau."
"Wey, já viste o mambo? Estão já a nos
tremer. Essas miúdas, logo mais, é só arrastar, mano. A mais boa é minha, você
fica com a mamudinha. Damas muito fracas… hahaha"
“Esse mundo está estragado. Assim nos fizeram um
zoom e deram conta que vamos lhes resolver minimamente a necessidades, estás a
ver, né? Até só falhaste em lhes despachar rápido, mô wi, porque essas mboas,
com um bitoque mesmo, é só levar. Eu tinha então uma pequena que lhe fazia
ideia, mas quê? Assim mesmo do nada, me receberam com ela num burro à toa…”
“Ehéé! Mas não há-de-ser maka, fica só calmo,
vais bater lá. Te garanto…”
"É, né? Aí falaste! Essas gajas hoje é tudo
bandida. Porque você analisa mesmo só bem. Um desconhecido é que você vai lhe
dar número do terminal?!..."
"Tá nosso! Dá ainda um ‘cool’, brother. Deixa
ainda lhes dar já um beep no número que elas deram. Alô! Está? (Wey, tipo
é voz de homem) Esse número não é da fulana? Ah, fala o namorado dela?
Deve ser engano, meu velho, vai-me desculpar."
"Filho da mãe dessas miúdas, meu! Nos
enganaram, deram número que não é delas, madres de merda, pá…"
"Nos deram de boelos, né? Foogo! Esse comportamento delas assim é de bem? Vamos fazer
como, agora que já foram embora?"
www.angodebates.blogspot.com | Gociante
Patissa | Benguela 03 Março 2016
sábado, 11 de novembro de 2017
(arquivo) Diário | Os preços que pratica contribuem para a paz dos espíritos?
"Vamos abreviar o tempo e tentar ser
objectivos, pode ser? Venho ter consigo uma conversa de homens..."
"Isso não vem ao caso! Estou aqui como entidade. Como deve
saber, estamos a ensaiar o modelo de comissões de moradores, já que as
autarquias são um bicho de muitas cabeças, né? Pronto. A pessoa que lhe fala é
a Coordenadora."
"Seja bem-vinda à nossa unidade de produção..."
"Eu lhe chamaria, antes, unidade de preocupação..."
"Unidade de preocupação?! Peço desculpas, mas aqui a papelada
está em dia, os impostos e tudo. Há algum ressentimento da vossa parte?"
"Nem ressentimento nem consentimento..."
"Então qual é o problema, senhora Coordenadora?"
"O problema é que o seu papel na diversidade e robustez da
economia é questionável. Até as minhas entidades superiores já quase me
consideram fonte insegura. Se cada mês que reporto, ou altera o valor ou altera
o volume, né?..."
"Mas o mercado é dinâmico..."
"O caro empreendedor acha que os preços que pratica no pão,
que até é bíblico, contribuem para a paz dos espíritos?"
"Mas eu não importo..."
"O SENHOR É MESMO ATREVIDO! Pão, que é a primeira coisa que a
pessoa come ao acordar, vai custar 40 kwanzas, e ainda dizes que 'não me
importo', ó senhor?!"
"Eu disse que não importo farinha, a matéria-prima. Logo,
tenho de vender de acordo com o mercado. O preço tinha que subir."
"E o tamanho baixar?! Não sei se já reparaste mas com este
tamanho, eu meto na boca dois pães de uma vez só e ainda consigo falar à
vontade. Ou vais-me dizer que tens a coragem de negar?"
www.angodebates.blogspot.com
| Gociante Patissa | Benguela, 21 Junho 2016
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
(arquivo) Diário | É só aí já que falhei, né?
"O PRÓXIMO!"
"Dá licença?"
"ENTRE!"
"Bom dia... Quer dizer, boa tarde
já."
"Boa tarde. Pode sentar-se. Bem-vindo
à entrevista. Bem disposto?"
"Sempre, Engenheiro."
"Senhor, para mim, já está bom. Só
tenho o médio do industrial ainda."
"Está certo."
"Vamos ao que interessa. Sabe para
que tipo de trabalho está a concorrer?"
"Bem, tenho vaga ideia. Dizem que é
no ramo dos petróleos."
"Pois. Não tem nada a ver com
escritório e canetas..."
"Não há problemas, Senhor. Somos
homens para tal…"
"Ora, vejamos... O teu Curriculum
Vitae... por acaso, tem peso."
"Obrigado."
"É tudo verdade, não é?"
"Sim, senhor. É a trajectória
mesmo."
"Isso é bom. O senhor é
professor?"
"Sim, sou."
"Mesmo assim prefere ir para um
trabalho de lidar com metais e ferrugem?"
"Depende só de onde melhor é o bolo,
profissionalmente falando a verdade. Porque, é desculpar a franqueza, carreira
e estabilidade devem andar abraçadas…"
"O teu CV diz que é professor. Há
quanto tempo?"
"Olha... já há oito anos. Não é fácil
neste país…"
"É casado ou solteiro?"
"Casado."
"Que idade tem agora?"
"Estou com 23 anitos já."
"Em que nível dá aulas?"
"Nível secundário. Quinta e sexta
classe."
"Desde sempre?"
"Sim."
" Então, fazendo as contas, se tem 23
anos e dá aulas há já oito... quer dizer que com 15 anos já dava aulas no
segundo nível?"
"Bem... Pois, portanto, é só aí já
que falhei, né?..."
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Lobito, 30.11.2015
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Just a question

Os serviços de apoio a sua excelência eu estão a ponderar a disponibilização em formato digital PDF, a custo zero, nos dias 17 e 18 de Dezembro, do livro de contos A ÚLTIMA OUVINTE, de Gociante Patissa, editado em 2010. Seria uma forma de contornar a procura, combinada com uma dificuldade orçamental que se adivinha quanto a uma possível reedição. A condição basilar é (antecipadamente) saber o seguinte: quem é que confirma que iria visitar o autor na cadeia (fazendo-se acompanhar de um pãozinho seco e água da torneira pelo menos) em caso de a União dos Escritores Angolanos (UEA), na qualidade de editora e detentora dos direitos sobre a primeira edição, mover um processo judicial por uma eventual transgressão? Ainda era só isso. Obrigado www.angodebates.blogspot.com
Actualização | A VIDA MELHOROU
Ainda era só para actualizar dizendo que o aval já caiu. Nos dias 17 e 18 de Dezembro, a obra estará disponível de borla na sua versão Adobe PDF, bastando apenas escrever para patissagociante@yahoo.com ou deixar na secção dos comentários o endereço de e-mail dos interessados. Gabinete de sua excelência eu e seus acompanhantes. Cumpra-se HAHAHA
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
(arquivo) Diário | Qual futuro, homem, futuro de quê?!
"Mas, ó mano Vano, eu já não te
falei para você não andar vir me procurar mais?!”
“Isso mais que estás a falar é como é
que é?”
“Será que na vossa casa não tem
televisão?! Eu não posso todos os dias deixar de fazer jantar, não lavar a
louça, para vir-te atender, ouviste? Não vamos só se complicar, ya?…”
“Ehh…, vejamos… Ficas mais bonita quanto
refilas, ó pequena…”
“A essa hora, os outros estão a ver
telejornal, depois é novela, depois é sessão da meia-noite; você se põe no
caminho para vir conquistar uma mulher com quatro meses e metade?!”
“Você não entende quase nada da vida, e
é isso que eu curto em ti, cada vez adoro mais…”
“Apaga ainda esse cigarro, faz favor.”
“Te incomoda?”
“Assim vou falar quê, hã?! Ainda me fala
só… Esse dinheiro que gastas no tabaco ainda podias só comprar um par de
chinelos em condições. Olha só o calcanhar como está empoeirado, baúca já não é
baúca, ó mano Vano…”
“Ouve o fundo da questão, ó minha
benquista, e isso é difícil porque você mesmo sabe que os homens… ora… não são
lá bons sentimentais, né? Mas é assim, esse ponto que reclamas, para mim não
influi… O filho que vai nascer ou o titular da gravidez que fugiu, para mim é
pacífico.”
“Ainda não dá só muitas voltas, homem,
me ouve! Haka!, ó coiso… você acha mesmo juízo conquistar uma mulher com cinco
meses de uma gravidez que não te pertence?!”
“Mas você não é a gravidez, ó amável.
Você é uma constante, uma constelação de sorrisos, afectos, enfim, um paiol de
aconchegos que o futuro me reserva…”
“Qual futuro, homem, futuro de quê?!”
“Mas eu te amo!”
“Mas você não tem o direito de me amar. Assim fica como?!”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante
Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela, 12.04.2016
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Campanha Cabaz de Fim de Ano | ADQUIRA POR E-MAIL E GRÁTIS O LIVRO DE CONTOS «FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», de Gociante Patissa | Termina a 17 de Dezembro
Os serviços de apoio de sua excelência eu
tornam público que, a seu pedido e julgado procedente, o autor Gociante Patissa
disponibiliza grátis de 07 de Novembro a 17 de Dezembro a versão digital no
formato Adobe PDF do seu livro de contos intitulado «FÁTUSSENGÓLA O HOMEM DO
RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», a número 01 da colecção designada «Novos
Autores», por via de uma Bolsa Literária da iniciativa do projecto «Ler Angola»
no ano de 2014 e que foi descontinuado há por aí dois anos. Sustentam tal decisão
a grande procura pelo referido livro, já esgotado na rede de mercados Kero,
combinado com a extinção do projecto que editou a obra. Assim, em caso de
interesse, deverá de preferência escrever para patissagociante@yahoo.com ou
também deixar na secção de comentários o seu e-mail (na verdade a primeira via
seria a mais aconselhável). Está-se a considerar a ideia de disponibilizar via
whatsapp mas ainda não se chegou à conclusão quanto à viabilidade e conforto de
ter de ler 120 páginas no telemóvel. Passe a palavra. Ainda era só isso.
Obrigadowww.angodebates.blogspot.com
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Novidade que chega de São Paulo, Brasil | EDITORA PENALUX CONFIRMA INÍCIO DA FASE DE IMPRESSÃO DO LIVRO "O HOMEM QUE PLANTAVA AVES", de Gociante Patissa
Em fase de impressão o novo
livro do escritor angolano Gociante Patissa, que em 2016 lançou conosco o
livro de poesia "Almas de porcelana": http://site.editorapenalux.com.br/aut…/MzM=/Gociante_Patissa
Nesse instigante livro, o autor transporta, com o poder da simplicidade em sua
narrativa, os leitores para os contornos de uma Angola imprevisível. Em catorze
temas, o escritor angolano tricota os cordões que passam pelo registro da
memória coletiva à recriação de uma guerra civil de três décadas, a qual o
arrancou aos sete anos de sua terra natal, Monte Belo. Também encontram-se em
sua escrita os desafios do pós-conflito e de cidadania na antiga colônia
portuguesa situada na África austral. A província de Benguela e a região etnolinguística
Umbundu são o cenário da generalidade dos contos. A alternância cidade–campo
resulta numa tensão que ao mesmo tempo remete ao pedagógico e ao satírico,
neste livro que poderá ser o mais cômico da lavoura literária de Patissa.
Trecho: “Uma parte de mim
ficou congelada no tempo, mas não me queixo. Ninguém me aponta o dedo. Não
matei e não morri completamente.”
O livro estará
disponível para compra e pronto envio a partir do dia 27 de novembro.












