terça-feira, 28 de junho de 2011

Crónica: "O mito não morre"

O domingo iniciava no sábado, à hora de nos irmos deitar, um pouquinho a seguir às galinhas, tais eram a ansiedade e o volume de fantasias que embalavam o nosso sono garoto!

Ainda hoje tenho dificuldade em descrever um domingo daqueles, se não for a começar pelo pôr-do-sol, quando o dia, que se afigurava interminável, se ia à vida. Víamos, então, o grande sentido que reside em se dizer que a felicidade não se vive, recorda-se apenas. Tão cedo perdoávamos o homem, ou sei lá a força, que se arrogava de precipitar a manivela do tempo. Uma zanga curta; se calhar, para que não fosse longa a ponte entre um domingo e outro.

Dominávamos o itinerário do dia seguinte como a palma da nossa mão, afinal não varia assim tanto em meios pequenos a rotina – deixai-me abusar deste pleonasmo sociológico. Nada de ficar na berma da estrada, a ver se caía do céu coluna de soldados cubanos para permutar conserva enlatada com porcos, e com isso assistir ao espectáculo que era a corrida desenfreada, de quando em quando, atrás de quadrúpedes que rebentassem as fibras de bananeira que se faziam passar por cordas. Nada de ir com restos de manteiga à padaria, atrás do pão quente, nem à pesca nem a piqueniques. Tão-pouco nasciam bebés de barro.

Ir à igreja era obrigatório, e como tal paragem insonsa. Ao meio-dia vinha a melhor parte, o passeio pelos bairros, levando-nos às mesmas casas, aos mesmos parentes. E nos esquecíamos da maçada de tomar o banho de rio naquele cacimbo insidioso, capaz de deixar amarga a rama e o bananal sem vida, como se das queimadas fossem alvos. Calcorreávamos as picadas atrás das nossas motorizadas virtuais, que não passavam de esqueléticas jantes de bicicleta, achadas sabe-se lá quando. Ao osso achado o cão questiona pertença anterior, por acaso?! Era por aí.

Em casa da avó nos aguardava um arroz substituído por rolão de milho, toupeiras assadas com o melhor em alho e hortelã, e ainda mandioca ou batata-doce fervida, conforme a safra sazonal. Às vezes achávamos demais as orações, mas toleráveis, como aliás se suporta o gosto do gindungo.

A avó tinha a mania de nos repetir que o governo nos daria carro um dia, se estudássemos. Não faltava vontade de perguntar por que não quereria, ela também, um carro, uma vez que em nenhum momento nos parecia que quisesse matricular-se na alfabetização, conhecida à época por EBOC (Escola Básica Operária e Camponesa). O que era governo, não imaginávamos, creio até que não sentíamos dele falta alguma directamente. A avó plantava mitos, e o mito não morre.

Mas o que eu adorava mesmo era ver a avó cantar hinos cristãos, quase sempre acrescentando-lhes ou retirando sinónimos, tons vocais ou metáforas, o que os tornava ainda mais originais. Não voltavam a ser os mesmos depois que caíssem nos ouvidos dela! Que óptima era! Os hinos, talvez por não existirem gravadores, pareciam renovar-se em cada entoar. É que o único gravador da comuna era um à corda, que mal servia para qualquer estatística que fosse.

Chamou-se Kuayela, do provérbio Umbundu «kuayela osema, ovipula njala oko vili» (onde a fuba farta, há também famintos). Hoje, ó avó materna, que não conheci e tento reconstituir, ouve o que te digo: com tantas confusões, nós, o povo em geral, que não dirigimos nem mudamos directamente as coisas, merecíamos, de quando em quando, mudar de mundo, mas, oh tragédia, só temos este e aquele outro, o teu, o da inverosimilhança.


Gociante Patissa, Aeroporto da Catumbela, 28 Junho 2011
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domingo, 26 de junho de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

socioeconomia

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terça-feira, 21 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Restos mortais de Bráulio Teixeira e Serafim Morais já repousam no cemitério da Catumbela

Em funeral conjunto, Filipe Bráulio Teixeira e Serafim Fernandes Lopes Morais, o "Sera" como era conhecido, partiram às 14 horas de hoje (20/06) da Unidade do Corpo de Bombeiros, ao bairro da Caponte, Lobito, para o cemitério da Catumbela, onde repousam.

O elogio fúnebre realçou Serafim Fernandes Lopes Morais, 30 anos, como um exemplo de auto-superação. Depois de ter, como muitos, uma juventude conturbada, foi-se corrigindo pouco a pouco, mudanças  visíveis desde a família ao mais alargado círculo social. Fez o ensino médio no Puniv do Lobito e frequentava o segundo ano do curso de economia na Universidade Lusíada. Era, à data da sua morte, funcionário de uma empresa bancária de referência na província do Huambo, depois de ter sido gerente da secção de frescos de um supermercado relevante no Lobito. Chegou do Huambo às 23 horas de sexta-feira (17/06) em visita familiar, tendo ocorrido o acidente horas depois nas imediações do bairro Damba-Maria, também conhecido como 27, quando regressavam de Benguela de motorizada. Deixa viúva concebida.

Bráulio, quadro de uma importante empresa do sector petrolífero, preparava-se para a cerimónia de outorga do diploma de licenciado em gestão de recursos humanos, pela Universidade Lusíada, aprazada para Outubro deste ano. Como atleta de hóquei em patins, passou pelos Clubes Casa do Pessoal do Porto do Lobito, União da Catumbela e Hóquei do Lobito, de que é co-fundador. Completaria 33 anos na próxima sexta-feira, 24 de Junho.

Gociante Patissa
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Nota: foi igualmente uma notícia chocante a da morte de Serafim Morais, o Sera, que foi meu colega no 2º e 3º anos do curso de ciências sociais no Puniv do Lobito. Ficam guardados os bons e maus momentos da nossa vivência estudantil. 

Gociante Patissa
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sábado, 18 de junho de 2011

Cidade do Lobito enlutada, faleceu Bráulio Teixeira

Filipe Bráulio Teixeira perdeu a vida na madrugada de hoje, 18/06/11, na sequência de um despiste de motorizada, quando regressava à casa no troço Benguela-Lobito. Vai a enterrar na próxima segunda-feira. Bráulio fazia-se acompanhar de um amigo, que igualmente faleceu. Filho do artista plástico Joaquim Pedro Teixeira "Tshombé", o também fundador da ONG ADAMA (Associação dos Defensores e Amigos do Ambiente), Bráulio dedicou parte da adolescência à prática do hoquei em patins no Clube Casa do Pessoal do Porto do Lobito. Serviu "Os Verdes", braço juvenil da ADAMA que congregava jovens voluntários para acções de educação e promoção ecológica. Fez o ensino médio no Puniv do Lobito e o ensino superior na Universidade Lusída do Lobito. Destaca na sua página do Facebook o amor à família, de que faz parte Katila Teixeira, irmã mais nova que foi recentemente Miss Benguela.

Que a sua alma descanse em paz.
Gociante Patissa
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Nota: Foi um choque a notícia, que me chegou via telefone pelo pai do falecido, o grande companheiro nas ONGs e no mundo da arte, "Tshombé". Para recordar os anos interessantes de caminhada conjunta, voltamos a publicar esta crónica, que ele teve a sorte de ler ainda em vida e sobre a qual tivemos um agradável bate-papo.

(Mexendo no arquivo) Crónica: "E lá conheci a capital (I)"

O embarque estava marcado para as 7h00 da manhã no voo mono-motor da SAL (Sociedade de Aviação Ligeira). Já não recordo se o trio partira do Lobito em “caravana”, ou se o combinado foi apenas nos encontrarmos no aeroporto 17 de Setembro, na cidade de Benguela. O mês era Junho, em 2001. Cambele, Bráulio e eu estávamos, como tal, devidamente agasalhados.

Neste relato, Cambele, o kambuta do grupo, vem em primeiro lugar, não obstante o B, de Bráulio, vir antes na ordem alfabética. Ansiedade, entusiasmo e doses de traquinice recheavam a nossa bagagem. Aguardavam-nos 15 dias em Luanda para o workshop sobre Coligação e Advocacia em Direitos Humanos, dirigido por expert americano, iniciativa da World Learning, ONG americana com a canadiana Fern Teodoro à cabeça. Cambele ia pelo Projecto (hoje Associação) Omunga, apêndice da Okutiuka. Bráulio era da ADAMA (Associação dos Defensores e Amigos do Meio Ambiente), e eu da AJS, ainda em embrião.

Cambele, que já conhecia a capital, ficou líder do grupo e deu conta do recado! (Diz-se que os kambutas têm que passar em frente e falar alto, ou ficam esquecidos, né?!) Bráulio, amante de motos e atleta de patinagem com experiência e cicatrizes mil, tem familiares na Ilha. Eu conhecia Luanda, como bué de vocês, pelos livros e TV.

Com o avião já na placa, veio a notícia de não embarcarmos por causa da situação militar. Mas como assim, ó Cambele?! Vocês são de 78 e não têm adiamentos. Sim, mas a culpa não é nossa, é o Ministério da Defesa que não nos quer renovar os talões de recenseamento! Yá, o pessoal da DEFA não carimbou os vossos bilhetes. Mas a viagem é interna!!! Então só tu podes ir? A princípio sim, disse, constrangido. O chefe do grupo era apenas mais-velho de um ano. As horas começavam a acelerar o passo. O desespero ruía-nos o peito. O workshop iniciaria no dia seguinte, portanto qualquer substituição já vinha tarde. O único consolo era o sorriso de empatia do pessoal da Escala. Lá foi outra vez o Cambele abordar os “conterras” do Serviço de Migração, afiando os termos de aprendiz de activismo cívico e ex-seminarista, o que veio a resultar. Ai, que susto!

Num momento fecham a porta, ainda na província, e quando a abrem já é capital, nós no Bona! Dupla inauguração: é que, também, só conhecia o interior do avião pelos filmes. Mas não era tudo. Fomos acomodados, qual gente que presta, numa pensão, ao Mártires de Kifangondo. Até então, só doente dormia em outra cama, na sala do anexo de minha mãe. Tudo isso era pouco. Não é que arranjaram eclipse solar e tudo para as nossas boas-vindas...?! As ruas luandenses  eram inertes, o que apreciávamos do quintal do Instituto Nacional da Criança, ao bairro da Calemba. Um dia de se apagar do calendário laboral. Poucos se atreveram a sair de casa, de tanto mito que correu a respeito de eventuais prejuízos do eclipse solar à visão. Soubemos, nas conversas pelo telefone fixo, já que o móvel era um luxo adquirível ao preço aproximando os USD 500, que em Benguela fora também uma agitação. Quer dizer, agora nem já a lua pode beijar o sol à vontade?...

Quinzena memorável, pela socialização, às vezes importunada pela traquinice da nossa idade. Ainda bem que foi oportuno o puxão de orelhas (e a experiência de José Patrocínio, o líder da “Coligação Ensino Gratuito, Já!”, que projectávamos). E de vez em quando, para a minha alegria, revejo alguns colegas de lá que nos invadem as telas, pelo poder, Direitos Humanos, arte, ou oposição: Otília Noloty (administradora municipal da Chibia, na Huila), Helda (candidata à liderança do braço juvenil da Unita), Nany Pereira (Elinga Teatro), Fridolim Kamolakamwe (poeta e declamador showman), Walter Pinto Leite (Bloco Democrático, ex-FPD), Abelardo (série Papá Ngulu), Lúcia (AJPD), etc.

Os churrascos da Fanta bem que deram jeito a poupar o kumbú dos per diem, que não sobreviveria ao luxo dos restaurantes. Não deixou de ser inusitado ver o vibrar de viaturas na escura noite da ilha, mas não vou ser eu a dizer-vos o que montes de casais faziam xinguilados lá dentro em horário laboral da camisinha. 

Bom, e lá conheci a capital. Luanda, digo após idas e vindas, é melhor a olho nu. No papel ou TV é linda, bronzeada, acolhedora, musa, mas lhe falta cheiro, o cheiro da razão ou da vergonha.

Por: Gociante Patissa, Lobito, 2010
www.angodebates.blogspot.com, publicado no Boletim "A Voz do Olho" (de que é editor e co-fundador), edição de Setembro-Outubro de 2010, veículo informativo, educativo e cultural dos Amigos da AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG angolana com sede no Lobito, província de Benguela
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

OS NOMES EM UMBUNDU II, DO SITE HUAMBO DIGITAL

O Fórum sobre Identidade Nacional, realizado no Huambo, aos 23/10/2003, fez a propósito dos nomes a seguinte conclusão-recomendação:

Seja constituído um Grupo Técnico de Trabalho formado por especialistas angolanos, representantes de várias comunidades sócio-culturais, que se debrucem sobre o estudo das formas de atribuição de nomes nessas mesmas comunidades, para que cada indivíduo veja no nome atribuído um factor ou aspecto da própria identidade. O resultado do estudo levar-se-ia à Assembleia Nacional para aprovação como lei. trazemos o estudo sobre alguns dos nomes das crianças que frequentam o Centro Educativo “A Semente do Futuro”. Achamos que é uma grande riqueza e sobretudo mostra que na cultura umbundu de Angola a legislação sobre os nomes e apelidos podia ser diferente por causa do seu significado cultural e simbólico.

A metodologia usada no trabalho é a seguinte: depois do nome, vem, entre chavetas, o provérbio em que se enquadra a explicação, e no fim a respectiva lição moral. Para alguns nomes vem apenas a explicação.

Nota: o Blog Angodebates tenta dar o seu contributo traduzindo ou completando o sentido, o qual aparece a azul.

1.    EYALA [eyala lyambata tchalwa] – A lixeira ‘recolhe’ e suporta tudo.
2.    HENDA [enda lakulu okakuka, enda l’omãla okateñgela – quem anda com adultos chega a velho, quem anda com crianças chega a coxo] - O segredo está em que o mais velho conhece o que mete medo – tchikola – e “não toca”. Quem tem medo obedece e não pratica o mal!
3.    KALEI – É o nome dado ao responsável das chaves na casa real.
4.    KALUNDUNGU [vokulula kwolondungu hamo kwatcho. Vilula, polê p’otchimanda vipwapo – o gosto do gindungo está no seu picar; é picante, mas devora-se a gamela] – A pessoa é boa para uns, para outros passa por má.
5.    KAMWENHO [ndilya k’omwenho kaindanda kumwe; kupañgela wavisya – gozar por excesso a vida tem pernas curtas, a gula leva a frustrações] – Coma parte da tua riqueza e guarde outra, porque não se sabe o dia de amanhã.
6.    KAPIÑGALA – [kapiñgala kalisiki la mwenle– substituto é inferior ao dono] É o herdeiro de tudo o que é dos mais velhos, desde o feitiço até aos bens. Tal como o sobrinho, filho da irmã, é herdeiro de tudo o que é do tio, assim o filho.
7.    KASINDA – É o nome dado àquele nascido a seguir aos gémeos.
8.    KATCHISAPA [kakuli lu katyapulamo upindi – num ramo disperso, não há quem não tropece] – È um ramo ao longo do caminho que batendo a todos pode ser sinal de união.
9.    KATITO [Katito oko kove, tchinene tchamãle. ] – Fique sempre feliz com o que tens, antes que te chamem de invejoso.
10. KATULO [lyanga otulo, hukalyange ovisokasoka] – Durma antes e pense depois, porque, de contrário, o sono não vem.
11. KAVINyAMA [ovilongwa havyangeko kavinyama] – Não me acusem do que não fiz. Se estás sem culpa, tranquiliza-te;
12. KAYENGENGA [kayengenga walunga] – Sê flexível, porque o rijo acaba por partir.
13. LIKILIKI ou Lililili [likiliki wandele la põlo] – Toda a agitação é passageira.
14. LUKAMBA [lukamba l’ohele kakwete] – Não teme nada, pode ir procurar esposa mesmo fora da sua família. São coisas que na tradição africana não se fazem! Mas ele é o soldado do rei que procura e conserva os anseios do chefe, quer em tempo de guerra, quer em tempo de paz e não se importa em que condições forem.
15. MOMA [apa walila omoma hapoko yukumomela – não é no local em que se come a jibóia que as outras nos atacam] – O mal não vem todo no mesmo dia
16. NDANDULA [kwenda ombela owiñgi uvandjako; kwenda ondambi, umosi lika ovandjako. Ndandulako] – Para onde foi a chuva todos olham, para onde foi uma bela mulher só o marido acompanha.
17. NDJAMBA [yakutulika, eteke yukutulula, k’ilu kwalinga otchipãla– o elefante que te eleva um dia te traz abaixo, o céu fica longe] – Quando se tem alguém num lugar de chefia, está-se seguro, mas tudo pode acabar de repente! – “
18. NGEVE [ngeve yusi kwatala] – Quando o hipopótamo passa o dia estendido, está para morrer!
19. NHIMAWA [onyima yiwa kayimoli omõla – costas aconchegantes não conseguem ter bebés] – Quem quer não tem! Quem tem esbanja! Quem pode não faz;
20. SAFEKA - É nativo: nunca mudou.
21. SANDULA – Esbanjador. – “Pessela” – [wapessela kanonla – wanyelisa kasandiliya] – há perdas sem substituição!
22. SIMBU (=TCHOKOSIMBU) [tchosimbu, okwiya tchalinga tchokaliye] – Se alguém te deve, não te zangues com ele; quando vier pagar, ficará tudo novo.
23. SIMWILA [hukandjupe tchange, ñgasi (ale) likalyange–] – Uma viúva que cuida dos filhos sòzinha, não lhe peças mais emprestado (sobretudo sem lhe pagar).
24. SUKWAPANGA (=Suku AKWETCHE) [Suku akwetche, otcho ovimbanda vilipande – Já que Deus não te quer curar, então que se retire para os kimbandas mostrarem o seu melhor]. São nomes atribuídos a crianças nascidas de mães que perdem (muitos) filhos por doença. Como acontece na maioria de nomes “infelizes”, acredita-se que a morte nos retira pessoas queridas. Logo, se o nome revela certo desprezo, ela se desinteressa.
25. TCHAKUSOLA [tchakusola kwama k’omunga] – Mesmo que caiamos no goto, há que esperar pelo convite.
26. THIKOLA [tchikola hukatchikwate] – se é sagrado, não deves tocar.
27. TCHIKOMO [tchatchotcho tchika ukusumba!] – Admiração por medo ou insólito!
28. TCHILOMBO [p’otchilombo tch’olongende, kayolokele osalapo] – na casa de hóspedes, o lento é o último a sair.
29. TCHINOFILA [umba te watchilya] – A causa pela qual se morre tem de ser do nosso inteiro conhecimento e/ou pleno consentimento  – a morte é vista como castigo por algum mal, ou seja, não te matará o que não comeste/estragaste.
30. TCHINONHALE [tchina onyanle katchukutundi; tchinosole katchukusole] – o que não gostamos persegue-nos, o que almejamos está sempre distante!
31. TCHIPUMA [tchipuma etemo tchiyunda, tchipopya omanu tchikeya] – O que se capina com a enxada torna a crescer; o que as pessoas dizem há-de acontecer!
32. TCHISINGI [tchisingi kakulihile omõla wombwale; omõla wa soma, osuke ale owasi, vosi valipundukamo] – O tronco (no caminho) não conhece pessoa boa e delicada; não conhece o filho do rei, rico ou pobre; todos tropeçam nele.
33. TCHITENDE [tchitende opanga etchi tchinvi ndañgo watanga omo watopa. Walunguka kapangi etchi tchivi] – Uma pessoa parva – minus habens – faz coisas descabidas, mesmo que tenha estudado; a pessoa dotada não faz coisas sem sentido.
34. TCHITULA – É alguém que nasceu numa aldeia nova.
35. TCHITUMBA [tchukwihã so la nhoho, wamale kakutchihã, hati okwete ale] – o que te dá o pai ou a mãe, pessoa alheia não te daria, diria que tens já o suficiente
36. TCHIVINDA [okutela utale l’uteke, volundila utale – quem martela metal à noite, será acusado do metal sumido] – Ao guarda se responsabiliza tudo o que falta.
37. TCHIYO [nda wamõla kahañgu, katchiyo hukawinesi; kahañgu nda kepo, katchiyo kove iya okupopela – quando achares uma panela em melhores condições, não jogues fora a frigideira de barro, salvar-te-á algum dia] – Mais vale ser fiel ao que já nos pertence, porque da novidade nos poderemos arrepender tarde demais.
38. VIHEMBA - È um nome dado a quem durante a gravidez e o parto provocou muitos problemas de saúde; foram precisos muitos medicamentos para a mãe ou mesmo o pai.
39. VISSOKA [ovisoka-soka vyovutima] – O coração pensa em tudo e às vezes sem razão!

Por André Lukamba, em colaboração com O mais velho MOISÉS MUNDA
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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