sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Crónica | Na ressaca da nomeação a administrador

Ex.ªs, só vos digo uma coisa. Eh pá, esta coisa do poder quando está no sangue, não há como escapar afinal. Já me lembra o diálogo com o meu irmão Didi (Dino Calupeto) que, ali pelos cinco anos de idade, já sabia o que queria ser na vida. Director! Mas Director de quê, ó Didi? Para mandar os outros, mano Dany!, atestava ele sem margem para gaguejar. Apoiado! Primeiro o que importa é ser chefe, mandar e determinar. Ah, porque líder é melhor que chefe. Pode até ser, não diremos que não, mas isso de líder vem depois, e se lhe sobrar espaço  Continuando. Da parte que nos cabe, tenho-me recusado a abraçar a militância político-partidária, não vá eu cair no dirigismo, sendo filho de antigo, eloquente, charmoso e carismático (mais ou menos mulherengo) dirigente, um Administrador Comunal, para ser mais preciso, evolução da função de Camarada Comissário Comunal que vigorou até o sucumbir do regime mono-partidário, tendo sido representante máximo do Estado em três localidades, nomeadamente Chila, do município do Bocoio, Equimina e Kalahanga, do município da Baía Farta, tudo na província de Benguela. De nada me adiantou. Reparem, Ex.ªs que ontem mesmo, quando menos esperava, Sua Ex.ª Eu foi nomeado. Passei a ter um subordinado cujo nome já revelo daqui a pouco. Mais um Administrador na história da família, desta feita, Administrador do e-mail em uso no grupo sete colegas. Ainda fui a tempo de perguntar ao engenheiro informático qual seria o meu papel real. Nada de especial, garantiu ele, é só ir acompanhando o fluxo. Que bom ser chefe relaxado, não é? O meu subordinado chama-se caixa de e-mail, no que aliás me sinto bafejado pela sorte em comparação com a experiência do papá, que geria pessoas e em contexto de guerrilha. O e-mail não fica doente, não tem conflitos e desgostos familiares, não atrasa no serviço, não tem veleidades sindicais, enfim, não subtrai nem confunde património colectivo com meios pessoais e... não bajula. Tem só um senão, confesso, já sei que quando eu morrer ele não irá ao meu funeral, mas isso as pessoas também fazem, que exemplos disto mesmo não nos faltam. Assim vão dizer que é só fama, brincadeira, e por isso não vão felicitar sua Ex.ª Eu, não é? Já vos conheço então hahaha Ainda era só isso. hahahah
Gociante Patissa | Na selva, 22 Novembro 2019
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