PONTOS DE VENDA

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Diário | Até já entrei. Não tem cão?

“Mas vocês não ouvem?! Anda, vão ver quem está a bater ao portão, pá!”
“Ó papá, é um tio quem tem lata de leite na mão.”
“Lata de leite?”
“Parece que é mestre, a lata está um pouco suja, tem tinta.”
“Dá licença, mano. Até já entrei. Não tem cão?”
“Sim, faz favor. Eu tenho azar, cão dos outros é guarda; o meu mais é que recebe visitas.” 
“Assim as bruxas já lhe partiram a voz. Haka! Boa tarde, ainda.”
“Boa tarde. Está aqui o assento.”
“Obrigado. Ainda um copo de água?"
"Copo de água aqui para a visita!"
"Ah! A garganta quase a encravar! Mas estamos bem, é mesmo só a tal vida. Ainda pensamos andar pelos bairros, ver se encontramos trabalho. Somente.”
“Nós, também, é mesmo assim: dia bom, dia mau. O resto dos problemas… pronto… têm a nossa altura, podemos com eles.”
“Vimos que o mano tem uma casa, – sim, senhor! – até que uma pintura mesmo caía bem.”
“Pois. O problema costuma mesmo ser a escolha do caminho, se vamos para a tinta ou para a barriga. E é precisamente quanto?”
“Não te falo mentira. O mano costuma de vez em quando passear na cidade, não é?”
“Sim.”
“O mano, por exemplo, da Kaponte à zona comercial, não costuma ver que há lá umas casas bem pintadas, de frente e qualidade? Aquilo fui eu…”
“Espera aí! Você pensa que sou burro, não? Caramba! Então, um gajo que me aparece aqui com uma lata de leite vazia, dois pincéis no bolso, meio quilo de cal, vai mentir que pintou as casas de uma cidade toda, pá?”
GP, Katombela, 18.11.2015

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