PONTOS DE VENDA

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Diário | Já não se fazem moças com competência para mentir como antigamente

"Aló."
"Sim, boa tarde."
"Boa tarde. É o senhor Gociante Patissa?"
"Sim. Quem fala?"
"Aqui é a fulana [pela voz, tinha menos de 30 anos]. Estou a ligar porque o meu professor me disse que há um Patissa e como o meu nome é também Patissa, estou a ligar. Quando é que podemos nos encontrar?"
"Seria para...?"
"Porque eu sou órfã de pai, não conheci a família do meu pai..."
"O seu pai era natural de onde?"
"Espera ainda... Bem, não sei bem. Parece que..."
"Quem lhe deu o meu número de telefone?"
"Ah, bem, ainda quem foi?..."
"Como se chama este teu professor que diz que me conhece?"
"O nome dele me passa na mente."
"O meu lado paterno é dessas aldeias do Cindumbu, Monte-Belo. O lado materno é da Ganda. Neste caso, o teu falecido pai de onde era?"
"Acho que é mesmo do Monte Belo."
"E como é que se chamava?"
"Acho que era Henrique Patissa."
"Olha, por acaso houve um Henrique, que faleceu em 1996 [aos 26 anos] e nunca sequer foi ao Monte Belo. Não tinha como ir, por causa da guerra. É uma pena porque nenhum dos irmãos do meu pai leva o nome Patissa, que foi o meu bisavô, oriundo do Bié. Todos eles, até o Henrique, se fosse o caso, seria Manuel. O único Patissa foi o Victor, meu pai, que fez questão de incluir o nome no novo registo. Daí que outros primos-irmãos tenham apenas o sobrenome Manuel. Agora se me dá licença, tenho mais que fazer."

No final do dia, contei o inóspito diálogo à minha irmã mais próxima. Matámo-nos a rir, inclusivamente com alguma suspeita de quem teria municiado (sem competência) a miúda na trapaça, um parente distante com leve conhecimento da nossa história familiar.

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