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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Diário| MINTAM-NOS BEM, OU CALEM-SE PARA SEMPRE, SE FAZ FAVOR

“Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndinde”, diz a sabedoria popular Umbundu, (que em português seria qualquer coisa como) seja lá o que for que te encontre numa árvore, diz mesmo que és pessoa, não que és colmeia. Assume-te tal como és e de onde vens, sob o risco de seres catalogado fora da tua natureza.

Quando se é filho de (ex) dirigente e/ou governante, condição que não podemos escolher, há que assumir isso mesmo. É pelo menos o que eu penso. Recordo bem de uma reprimenda que levei de um amigo, em 2004, três anos volvidos sobre o falecimento de Victor Manuel Patissa, por ter dito que era seu filho a um grupo cultural juvenil proveniente da comuna Kalahanga. Abraçaram-me com nostalgia patriótica, como se a abraçassem o seu administrador comunal mas… é verdade que podia também ser radicalmente oposta a reacção daqueles, sublinhava o meu amigo, pois os nossos pais, na sua condição de governantes/dirigentes/militares ao tempo de partido/Estado, podem ter cometido erros. Mas eu sou filho dele, por que haveria de esconder isso?

A gente não anda propriamente à caça de elogios pelo que os nossos parentes dedicaram ao serviço da pátria, hoje, tal como não se procura espalhar ressentimentos por eventuais abandonos ou desilusões em vida ou depois dela. É inútil todavia fingir que não caiam bem elogios esporádicos ao desempenho do velho, mas, por favor, com verdade no meio.

É que ontem tivemos de suportar um bem-intencionado na cidade de Benguela, que nos queria fazer crer que no seu bairro, onde o velho nunca pisou, há uma considerável quantidade de gente que deve gratidão ao camarada comissário comunal Victor Manuel Patissa pela forma hospitaleira com que os recebia enquanto comerciantes na piscatória comuna da Equimina em finais da década de 1980! Mas, oh caramba!, qual é o dirigente que em pleno tempo de guerra e comunismo receberia pequenos comerciantes no palácio, ainda por cima numa comuna com acesso ameaçado por ataques de guerrilha? O que ele não sabia é que para lá ir, exigiam-se guias de marcha, que eram dactilografadas em nossa casa, algumas até por mim e meus irmãos. Portanto, mintam-nos bem, ou calem-se para sempre, se faz favor.

Gociante Patissa, Katombela, 23 Fevereiro 2015

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