segunda-feira, 9 de abril de 2018

Crónica | Aprendendo com o “trisal”. Você já ouviu falar?


Quando a política, a cultura e a economia enjoam, resta pesquisar sobre o intrigante campo do sexo. E surpreendeu-me hoje – aqui confessando ignorância sobre tendências cada vez mais liberalizantes de usufruir a vida sexual – um vídeo que vi no youtube. Nele, um casal (de marido e mulher), na casa dos 28 anos de idade, que é proprietário do canal, aparece sentimentalmente destroçado pelo fim do que denominaram "trisal".

Para ajudar a compreender, já usando as palavras do casal, ela tem um marido mais um namorado dentro de casa, ele uma esposa e um namorado. Tão matemático assim. Vida a três. O "trisal" é completado por um jovem que é ao mesmo tempo namorado da esposa e do marido, tudo muito aberto e integrado. A este era dada a liberdade de levar a vida que quisesse fora, sublinhava a mulher, toda ela chorando cântaros, de coração partido.

O casal de youtubers, que já existia muito antes da entrada de um terceiro amor, gaba-se de ser bastante liberal nisso. A relação a três funcionava na lógica de orgia, o que em princípio seria coisa de dizer respeito só e apenas ao trio, até ao momento em que resolveram expor a sua intimidade nas redes sociais, qual diário de um "trisal" de sucesso, com o já conhecido expediente de pedir likes a cada vídeo para manter o canal.

Num episódio anterior, quando o casal vai ao laboratório de testagem de doenças sexualmente transmissíveis (todos os testes deram negativo), a médica pergunta como é que ela faz para se prevenir. A resposta não podia ser mais directa. Com o marido faz sem camisinha, já com o seu namorado faz questão de usar. Perante a perplexidade da médica, ela completa: porque eu tenho um marido e um namorado. Claro que ele, bissexual, disse o mesmo. A teoria do desapego parecia, todavia, fora da agenda.

O perfil do tipo mente aberta e liberal, que serve de fio condutor no vídeo para justificar o modo de vida, acaba por ser desmentido pelo motivo da separação, que consiste na saída em cena do terceiro elemento. Diz a mulher que o namorado é "demissexual", conceito até então desconhecido pelo telespectador sua excelência eu. Uma rápida pesquisa revelou tratar-se de pessoas que só sentem atracção sexual por quem já se nutre algum tipo de ligação emocional e/ou intelectual.

Acredita-se que um “demissexual” não sente vontade de se envolver sexualmente com alguém pela simples vontade de praticar o coito, mas sim em função de um sentimento forte que se nutra por esta pessoa. No caso do "trisal", aos poucos o relacionamento liberal passou a conhecer momentos de tensão e ciúmes, provavelmente porque o coração do namorado não conseguia acompanhar com a necessária modernidade as coisas e repartir com equidade os afectos. Ou seja, ter-se-ia apaixonado mais pela faceta “bi” (marido) e não “hétero” (esposa). Incompatibilizaram-se. O casal abandonado jura por si e pela parte que cabe ao ex-namorado o quanto prevalece um "amor profundo". Ah, o modelo é brasileiro.

Não há dramas. Já se dizia que aprendemos todos os dias. Ainda era só isso. Obrigado.

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 8 Abril 2018
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