Edição angolana do livro de contos

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Edição angolana do livro de contos

PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Em linhas tortas (30)

A semana que amanhã finda voltou a colocar na agenda o secular e fracturante tópico do que é (ou não) ser (e/ou sentir-se) angolano, tendo como factores de excitação, por um lado, a hipotética ideia da contratação de professores cabo-verdianos e, por outro, o vídeo de cidadãos congoleses que teriam adquirido por via ilícita o passaporte angolano e postos no Brasil alegam ser vítimas de perseguição política (coisa que qualquer angolano com o mínimo de coerência sabe que não cola, na medida em que as mais sonantes vozes discordantes passeiam pelo país. É verdade que temos um registo recente de assassinato de líderes de partidos da oposição no interior do país, parte deles ainda por esclarecer, o que é vergonhoso. Mas, não haja dúvidas, a diatribe daqueles dois “langas” do vídeo, só mesmo no mundo da fantasia). Havendo a condenar obviamente as saídas extremadas, também não podemos (em defesa de seja que direito for) ignorar que a corrupção endémica em Angola tem permitido a “venda” (de forma escandalosa) de documentos que habilitam a obtenção da nacionalidade, pondo em causa as conquistas de todos os que lutaram e suaram para construir este país, não se sabendo desde já o que o governo/estado pensa fazer para corrigir esse mal. Temos depois, ao que tudo indica, que os restantes países de expressão portuguesa têm o direito de, através de políticas da natureza migratória e outras de natureza pública, salvaguardar a sua soberania e deixar claro quem é e quem não é nacional, com toda a acuidade de recurso à socio-história. Só Angola não pode (digamos, antes, não deve) porque é ofensivo. Quem viaja para lá do território da sua teia cultural facilmente se convence (ou é levado a convencer-se) de que, salvo em casos de dupla nacionalidade, ou somos nacionais ou somos estrangeiros. Até na Namíbia, os angolanos que lá residem desde a era dos contratos (antes da independência) continuam sem o direito a se naturalizarem, por mais namibianos que assim se identifiquem. Os outros têm a prerrogativa de dar vez à vontade de ser ou sentir-se angolano, o que seria ainda mais nobre se estrada de vários sentidos fosse. Os congoleses fazem questão de tratar o angolano exactamente como angolano, não poupando, como se deu recentemente, na violência para escorraçar até famílias que lá residiam há mais de 40 anos. Já o oposto (excluímos o critério da violência) não é válido. Torna-se ofensivo. Em Cabo-Verde, o angolano é angolano. O inverso do paradigma não se coloca, porque ofende. Bom, pondo de parte essa coisa das filosofias expansionistas (tendentes à reedição de paradigmas algumas vezes já desmontados), e recolhidos ao limite da nossa pouca formação, tentamos dar um contributo mais para o sensorial. Sendo líquido que nos queixamos de na ementa dos restaurantes em Angola predominar uma gastronomia que dá pouco espaço aos pratos “típicos” locais, ante o risco de qualquer dia os nossos patrões chineses dominarem o negócio, sua excelência eu achou por bem incentivar a afirmação dos pratos africanos que timidamente são servidos. O funji (há quem lhe chame pirão, shima, no leste) é a iguaria mais imediata. Embora o melhor seja o de casa, o do restaurante merece a nossa atenção como forma de elogiar o arrojo da gerência em coloca-lo entre as opções de buffet, sabendo à partida que vai sobrar, pois não está entre as prioridades dos hábitos de consumo do segmento de clientes do ramo da restauração. Ali é que entra o problema. Acontece que o funji, sendo uma massa feita com farinha do milho e água, torna-se pesado na balança, encarecendo o preço do prato. Paradoxalmente, o alimento mais barato de produzir (1 Kg de milho não deve estar acima de 200 kwanzas), acaba jogando o papel de repelente, já que pela lógica da balança fica mais caro do que o peixe, a carne, o arroz, o esparguete, o marisco, o feijão, enfim… A sugestão é os estabelecimentos taxarem um preço fixo para o funji, do mesmo jeito que fazem com a sopa. Pesar-se-ia só o respectivo conduto (em outras paragens, molho). E em nosso entender, o preço justo devia andar abaixo dos 400 Kwanzas. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com Gociante Patissa | Benguela, 16.02. 2018

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