PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Neusa Linda Sessa a "Cantar um conto"

Divagações | Ponto de situação

Há muito mais a publicar de fotos e texto sobre incidências em torno do Top Benguela Acácias de Ouro, mas sua excelência eu anda assim com uma preguiça daquelas, sem falar do tempo complexo de conciliar o emprego e o louco lado das letras. Essa vida de "faztudo" ainda um dia me mata rsrsrs. Acho que vou pedir ao chinês para me fotocopiar. Dá mais jeito. Ainda era só isso. Obrigado

domingo, 21 de maio de 2017

(DOS ANÚNCIOS INSÓLITOS) Na verdade aplicam-se outras coisas mais que entretanto não couberam no cartaz. O sítio? Aquele mesmo, Benguela periferia. Ainda era só isso. Obrigado

SOS | Flash barato para Nikon

Ao cabo de quatro anos de trabalho voluntário (é isso mesmo, andamos a fotografar por pura paixão), o flash de sua excelência eu, adquirido a cem dólares americanos no norte da Namíbia, entendeu ainda avariar. A sapata (plástica) que encaixa no corpo da máquina rachou. Assim, as últimas fotos do Top Acácias de Ouro tive de fazê-las com o embutido pop up. Assim sendo, mesmo que não caia bem chatear vossas excelências ao fim-de-semana, ainda pergunto. Alguém sabe onde se pode achar um flash não caro para NIKON? Ainda era só isso. Obrigado.

Não faltou polémica no cardápio | NELZY GARANTE QUE NÃO É PRECISO SAIR DE BENGUELA PARA FAZER MÚSICA DE QUALIDADE

O rapper Nelzy do Apruve, na qualidade de líder da produtora Hard Nel School, foi chamado ao palco do Top Benguela Acácias de Ouro, na noite de quinta-feira (18/05), para receber das mãos do empresário Adérito Areias o troféu de melhor produtora.

A nomeação resulta da votação por cupom feita por residentes do litoral da província sob iniciativa estreante da Rádio Nacional de Angola no município de Benguela, um pouco à semelhança do já tradicional Top Rádio Luanda.

Dirigindo-se a uma plateia em que despontavam o governador provincial, Isaac dos Anjos, o administrador do município que completa 400 anos, Leopoldo Muhongo, bem como alguns rostos da classe empresarial, Nelzy encheu a boca para afirmar com todas as letras que não é necessário sair de Benguela para produzir música de qualidade. Afiançou uma tal auto-suficiência em clara alusão ao resultado do que a sua produtora e eventualmente outras locais conseguem lançar, não obstante as exigências do mercado musical angolano.

O público presente, na sua maioria conhecedor da persistência de Nelzy e demais músicos e instrumentistas que se sacrificam para elevar o nome da província aos patamares do êxito, não poupou tributo: aplaudiu e assobiou o máximo que pôde.

Se permitido fosse colocar perguntas ao também fazedor de tarrachinha, não deixaria de ser pertinente a solicitação de um esclarecimento quanto ao que se concebe como música possível de produzir cá. Será apenas a electrónica (rap, ku-duro, tarrachinha), que depende essencialmente de instrumentais computarizados (bits) e captação de voz? Ou inclui no cabaz outros géneros mais elaborados (semba, kilapanga, rumba, kizomba, balada), que condicionam a qualidade à existência de todo um sistema, que vai dos estúdios, executantes e afins?

É de domínio público todavia que a produção discográfica, que é no fundo a meta, leva muitos ao mercado luandense, senão mesmo ao estrangeiro.

Seja como for, parece-nos um pouco arriscado o expediente de tomar por nacional aquilo que se oferece de condições por Benguela... para já daí elaborar-se uma premissa que seja representativa. O blog Angodebates reitera votos de parabéns à Hard Nel School e equipa pelo reconhecimento.

(Legenda da foto: Ekumbi David e Ananias Bento, apresentadores; Nelzy, o premiado; Adérito Areias, que fez a entrega simbólica do galardão)
Gociante Patissa 

sábado, 20 de maio de 2017

Músico septuagenário almeja centenário | SAM MANGWANA JUNTOU-SE ÀS FESTAS DE BENGUELA

Aos 72 anos de idade, o músico Samuel Mangwana, o lendário do género musical rumba congolesa Sam Magwana, segue adiando a velhice através da alimentação e do que sabe bem fazer, arrancar aplausos de qualquer plateia, rendida À sua voz singular e à riqueza da sua sonoridade.

"Lá no norte, onde nasci, os homens atingem um e duplo zero na frente", revelou Mangwana, para de seguida desmistificar. "Lá a idade dos nossos mais velhos vai além dos cem anos. Eu também quero lá chegar. Estou com 72 agora, e acho que vou conseguir. O segredo é só cuidar bem da alimentação", completou, para a ovação do público presente no Morena Beach na passada quinta-feira, 18/05, onde revisitou os clássicos “escute a minha história morena” e “tio António”, no show da primeira edição do Top Benguela Acácia D'ouro, que tem como mentor o também director da Rádio Nacional no município de Benguela, Adão Filipe.

Dados biográficos disponíveis indicam que Sam Mangwana nasceu em Fevereiro de 1945 da então Leopoldville, hoje Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, filho de pai congolês e mãe angolana.

O regresso definitivo do artista à república de Angola foi anunciado em 2004, deixando deste modo a França, para onde migrara em 1959. "Descobri que era tão querido pelo meu povo mesmo distante e isso fortaleceu a ideia de residir na minha terra", asseverou na época Mangwana à Angop.

A trajectória de Mangwana é vastíssima, da qual se realça a estreia em 1963 com a banda de rumba Congo-Kinshasa, African Fiesta, dirigida por Tabu Ley Rochereau. Consta ainda que também trabalhou com a sonante Negro Band e a Orquestra Tembo. Em 1967, Mangwana abandona a banda African Fiesta National para formar Festival des Maquisards. A banda incluiu artistas notáveis; vocalista Dalienst, o guitarrista Dizzy Mandjeku e guitarrista Michelino. Dois anos mais tarde, Sam Mangwana movimentou-se novamente. Ele gravou duetos com um guitarrista chamado Jean Paul “Guvano” Vangu, até 1972.

Em 1972 integra a TPOK Jazz, do lendário Franco, o que lhe rendeu maior popularidade. Em 1979 embarcaria numa carreia a solo na sequência da desintegração da banda All Stars. Ele gravou e fez périplos com combinações variadas de músicos. “Maria Tebbo” (1980), com restos da All Stars, “Coopération” (1982), com Franco, “Canta Moçambique” (1983).
Gociante Patissa

Divagações | O Etimba Fest e a nódoa no melhor pano

Sei que é contra-corrente, mas a mim ficou a nódoa pela irresponsabilidade da organização. Ligaram-me na terça-feira a convidar para o painel de uma mesa redonda que versaria sobre o papel e futuro da comunicação social em Angola, que teria lugar no museu às 11h de quinta-feira. Apresento-me 15 minutos antes e noto um vazio. Aí ligo para o senhor que marcou e ouço que estava já para ligar, numa voz de quem estava no conforto da caminha, e lá vêm as justificações de quem os eventos de um dia anterior terminaram tarde, que os alunos que seriam a audiência não estavam mobilizados e que os workshops passariam talvez para sábado ou domingo. Ora como é de calcular, por muito razoáveis, pecam por tardias. Quando se vai adiar um evento, o normal é comunicar com antecedência a quem se dignou colaborar. Estamos numa época cada vez mais dinâmica na planificação/gestão do tempo, e não se podem tomar por doces essas coisas de faltar com a palavra. Normalmente cumpro a minha e é o mínimo que espero dos outros. Portanto, mano António Hungulo Tonni, aceitem os parabéns pelo que correu bem, mas também a nota negativa pela desorganização e um toque irresponsabilidade no Etimba Fest. Eis a nódoa no melhor pano. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa, Benguela 20.05.2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Divagações | Gratifica-se

Tendo sua excelência eu despertado do soninho com um assomo de generosidade que nem ele próprio está a acreditar, e aproveitando a onda de  definição do sentido de voto quando o  oxigénio pré-eleitoral caminha para o clímax, então sua excelência eu vem por esta via exortar o profissional da noite que lhe furtou a carteira de decumentos. Não é por mal, até porque, segundo a doutrina cristã, somos todos filhos de um só, o que a lei complementa ao dizer que somos todos iguais. Ora, se os legisladores do Céu e da Terra convergem, só podemos assumir que todos somos parecidos com todos, pelo que os documentos de uns aplicam-se a outros, completamente transmissíveis Feitos os preliminares, vou ao que venho. Pede-se a quem herdou o cartão eleitoral de sua excelência eu que o contacte a fim de receber a orientação quanto ao partido a que deverá votar por mim. Gratifica-se com o PIN dos cartões electrónicos bancários (multicaixa e visa) já em vossa posse, na sequência do amável gesto de assaltarem a viatura e levar tudo, pese embora o tipo lá do banco os ter bloqueado (mas não lhe posso vestir as culpas por tamanha verdade de quem ainda não alcançou a nobreza da arte de furtar. Roubar é palavra feia. Não é à toa que a declaração da polícia, depois de relatada a ocorrência, reza que sua excelência eu extraviou os documentos, o que com toda a justeza indica que a culpa é do assaltado). Portanto, ainda era só isso. Obrigado.
PS: Ah, espero que a condução​esteja a correr bem com a minha carta de condução)
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Humor a Mwangolé | Sorte em tempos de crise

Um homem que não tinha o hábito de ir a restaurantes, entra num bar e puxa uma cadeira logo chega o garçon.
--bom dia senhor
- bom dia, quero um café, quanto é? 
-- o café custa 500 kz
- ok e o açúcar mano?
-- o açúcar aqui não se paga
- fezada, cancela o café me dá só 2 kilos de açúcar
(de autor desconhecido)
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Cultores da música tradicional Umbundu homenageados | JOAQUIM VIOLA E FLAY MERECIAM MAIS

Flay
Joaquim Viola (esq.) recebendo diploma
das mãos do Vice-governador Victor Moita
A organização do Top Benguela Acácia de Ouro, da iniciativa da Rádio Nacional nesta cidade, cuja edição de estreia aconteceu a 18 de Maio durante as festividades dos 400 anos da cidade de Benguela, atribui diploma de mérito a algumas figuras do sector da cultura, entre promotores e apoiantes, pela sua relevância. O destaque do blog www.ombembwa.blogspot.com vai para dois nomes incontornáveis na recolha, tratamento e divulgação da cultura musical da região Umbundu, designadamente o mais velho Joaquim Viola, autor do clássico Tchiunge, e Flay, da Catumbela e radicado em Luanda, autor dos originais "Sassa Motema", "Doçura", entre outras adaptações do folclore. São duas gerações que parecem ligadas por um mesmo factor, o pouco incentivo e visibilidade da sua vertente. Nestes casos, palavras à parte, é nas entrelinhas e no tom nada radiante dos discursos que se capta o estado de alma dos artistas. "Estamos a deixar o palco para os mais novos que querem abraçar a carreira", disse Joaquim Viola. "É uma honra muito grande para mim ser homenageado hoje ao lado dos Impactos4, em quem me inspirei para começar a cantar e fazer música", acrescentou Flay. Eles mereciam, de facto, mais, a começar mesmo pela divulgação das suas músicas, o que na última década tem sido bastante esporádico, com uma agenda discográfica das rádios e televisões muito voltada à "música" urbana, servida em doses e entulho electrónico.

Top Benguela Acácia de Ouro | PRÉMIO SUNGURA DO ANO

Sukumunlã, que na língua Umbundu pode ser entendido como o imperativo do verbo descarregar (oku sukumunlã), do qual se infere que o artista se assume como uma fonte inesgotável de mensagens, é uma das vozes que melhor interpretam o cancioneiro popular, o qual "despeja" numa cadência de sungura. Para além da sua inusitada energia em palco, carrega a melancolia sobre o canto proverbial e as parábolas que constituem a matriz da região. Apesar de ter merecido numa carreira de quase duas décadas algumas distinções a nível local, dentre as quais o Prémio Provincial de Cultura e Artes, Sukumunlã continua sendo um desconhecido do grande público, fundamentalmente por culpa dos critérios do mercado, que fazem culto ao oco e a outros critérios fora do espírito da arte (estética e culturalmente falando) com um empurrão da comunicação social. O TOP BENGUELA ACÁCIA DE OURO teve a sua edição inaugural ontem (18/05) nesta cidade, numa iniciativa de Adão Filipe, pela Rádio Nacional de Angola.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Crónica | Na ausência da estátua, que tal espalhar contentores de lixo em homenagem ao fundador de Benguela?

Não sou a favor da campanha pró regresso da estátua de Cerveira Pereira (acho que o museu não o desmereceria em nada), mas sei perder (nestas coisas em que a decisão do poder instituído já tomou partido). 

No entretanto, enquanto não se sai do impasse que se acabou de instalar em Benguela depois que o camarada administrador municipal Leopoldo Muhongo decidiu patrocinar institucionalmente a (re) colocação pomposa, junto do palácio do governo, do busto de Cerveira Pereira, figura do regime colonial e império português a quem se atribui a "fundação da cidade de Benguela" há 400 anos... busto que afinal também já não faz parte do património do museu, como fez crer um  dos rostos proeminentes da corrente favorável à presença do busto defronte ao palácio do governo... sua excelência eu tem um meio-termo a sugerir: 

Deixai-me antes acrescentar que não sou adepto dessa veneração a Cerveira Pereira, que nunca me fez directamente nada de mal mas que um renomado escritor, mais velho do que eu e sociólogo, qualificou de "filho de puta" (sic). Antes já outro académico, com créditos firmados na investigação e docência universitária em história, depois de aferir o perfil de Cerveira e as suas obras para com os indígenas de então, não teve dificuldades de o considerar "escória", curiosamente, do tipo que nem em Portugal recebe honras.

Dito isto, uma vez que a cidadã que cuidou da estátua durante mais de três décadas exige compensação financeira (nota preta, sublinha ela) para a liberar, e sabendo que o dinheiro não é coisa que abunde nos cofres da edilidade, então sejamos pragmáticos. 

Chefe Dudú ou Leopoldo Muhongo, meu antigo professor do curso básico de jornalismo,  assim não podia tipo, quer dizer, eh... comprar um contentor de lixo para acabar com a vergonha de o ver amontoado ao longo do muro do antigo centro ortopédico, ali no Kioxe, e pelo menos decorar o referido contentor com uma dedicatória a Cerveira Pereira? Depois era só replicar.

É que assim sempre respeitaríamos a história (devida ao já falecido fundador da cidade), sem deixarmos de priorizar a saúde pública da maioria, numa cidade que ainda chora as vítimas do surto de febre amarela. Ainda era só isso. Obrigado. 

Gociante Patissa, Benguela 17 Maio 2017
www.angodebates.blogspot.com

terça-feira, 16 de maio de 2017

Divagações | E assim temos de volta o Face-Look

Consta que está a dar certo a campanha de uma certa companhia telefónica em reaproximar pessoas. Com a Internet a falhar 22 horas ao dia, chat mesmo só de porta a porta. E assim temos de volta o "face-look", "outr'sabe", etc. ou seja, olhar para as caras uns dos outros. Sei que o ortopedista não está a gostar muito assim da coisa e tal, pois a esperança de ver centenas de pescoços combalidos, de tanto que se anda de cabeça inclinada para a tela do telemóvel, mas saúde é o que interessa. Então, anda lá, não estragues o que está bem! Bate à porta do teu vizinho e devolve o tradicional "Olá, vizinho, como passaram a noite?" Depois disso, o anexo: "Continuação de boa terça-feira". Ainda era só isso. Obrigado

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Crónica | Um simpósio sobre a zunga mais ou menos inclusivo

Sua excelência eu acaba de dar uma olhada ao programa do inovador primeiro simpósio nacional sobre a mulher zungueira, realizado em Luanda ontem, 14 de Maio, conforme reza o documento. Tudo muito a preceito, doutores e jornalistas e ministros, e tal e tal, é capim. Uns palestrantes, outros moderadores. Até já estou a ver gente a sair da sala engripada, tal é a confluência de perfumes e aromas e ambientadores de orçamento rebuscado. Porque não é para gente com fragrância assim da cantina do mamadou ou do asiático, não.

Até você se pergunta mesmo se um terço dos oradores alguma vez mercou algo na zunga, onde não há garantias de chamar o Inadec por qualquer motivo. Mas pronto, iria faltar um big brother para fazer fé à coisa. Se calhar, é melhor só não avaliarmos por excesso ninguém, não é? E cá está a verdadeira maka do exercício cá das conjecturas, não havendo até ao momento alguma linha na imprensa sobre o êxito ou não do certamente, que nos valha como ponto de partida. Ora pois, não podendo nós partir para a futurologia, uma vez que o evento já aconteceu, e não tendo sido inventado ainda o critério da passadologia, estamos de mãos atadas. Seja como for, o programa nos põe à vontade para reivindicar a ausência dos actores. Pelo menos parte relevante deles.

Primeiro, lê-se que a intervenção daquela que seria o motivo está acondicionada no genérico "Voz da Zungueira - Testemunhos. Preocupações", dando assim uma ideia de papel passivo. Alguma vez um doutor levou bofetada do fiscal, andou com criança febril às costas ao sol e chuva, ou sabe a dor muscular de desfilar com uma ventoinha a tiracolo e não aparecer cliente? Ah, era preciso estudo? Não seja por isso, excelências. Mas então e a escola da vida?!

Ainda há dias circulou nas redes sociais um vídeo muito revelador de uma compatriota que quase parava o bairro, sem precisar de microfone nem de orçamento para o coffee-break nem ar condicionado, como seria de esperar numa palestra macro (teve de ir a imprensa atrás da senhora para se aproveitar da audiência). Parar um bairro por conta de um pregão é proeza que nem os best sellers conseguem sem a máquina da propaganda e marketing.

A senhora chegava, poisava a bacia de peixe fresco e puxava dos pulmões o seu pregão prolixo, mas de uma cadência melódica a dar para a missa: homem kunanga é corno! Essa não merecia o palanque para uma prelecção também, ainda que de 15 minutos? Não há sabedoria popular a ser passada para a classe académica? Olhe, que a coisa não termina por aí.

Em segundo lugar, o reverso da moeda. É que tratar do assunto zungueira sem incluir o seu "carrasco" de estimação, os fiscais das administrações municipais, que ocupam maior espaço nos pensamentos e sonhos das zungueiras do que os maridos e amantes destas, por todos os motivos óbvios, é como assistir a uma partida de futebol que termina nos primeiros 45 minutos, pelo que teríamos um simpósio mais ou menos inclusivo.

Porque até como forma de homenagear o saudável lado fundista do ofício, não seria demais sondar a "Voz do Fiscal - Testemunhos. Preocupações", ou do libanês ou do maliano, ou do marido que espera a esposa em casa para lhe patrocinar do vício do copo e à madrugada calibrar o ventre dela com mais um filho para vir a ser sustentado unilateralmente pelos rendimentos da zunga. Afinal, estamos na era da participação de todos os actores, ou não é isso?

Aos organizadores, fica o nosso encorajamento, afinal o assunto é transversal e querendo ou não, como diria alguém, cada um de nós tem um zungueiro ou uma zungueira na família. Há que estender a reflexão para fora de Luanda, pelo que qualquer pedrada à vossa árvore, já sabem, é derivada dos frutos que carrega. Ainda era só isso. Obrigado. 
Gociante Patissa, Benguela, 15 Maio 2017

Movimento Lev'Arte e animação cultural enlutados na província da Huila

A activista cultural Manuela Dos Santos (de blusa preta na foto) já não está entre nós. Adiantou-se anteontem (13/05) na caminhada, vítima de doença. Foi a enterrar ontem mesmo na cidade do Lubango, onde residia. Apaga-se assim aquela que foi uma importante vela em simpatia, pilar na exibição da poesia dramatizada e adepta da moda.

Conheci-a durante a quarta edição do designado «Festival Nacional de Poesia», nas festas do 104.º aniversário da cidade cidade do Huambo a (25/09/2016), festival idealizado por Chico Pobre e co-produzido pelas representações do Movimento Lev’arte de Luanda, Benguela, Malanje, Huila, Kuando Kubango, Namibe e Kunene.

Legenda da foto: Ras Nguimba Ngola, Manuela Dos Santos, Justina Kibeka Gonçalves e Agostinho Sanjo Sanjambela

Sentidas condolências!
Gociante Patissa

Diferendo

Com tanto de sono que tenho em atraso, e já agora tirando proveito da fórmula adiantada recentemente pela "imprensa local", agradeço que quem de direito crie uma comissão de gestão para cuidar do diferendo entre sua excelência eu relaxado e o trabalhador eu. Ainda era só ​isso. Obrigado

domingo, 14 de maio de 2017

Utilidade pública | Recrutamento: VAGA PARA ESTAGIÁRIOS NA ESSO-ANGOLA

A Esso Angola é a afiliada local do Grupo ExxonMobil, empresa do sector petrolífero a nível mundial. Procura quadros angolanos com potencial e talento necessários para fazer face aos desafios profissionais gratificantes que oferece.

1) Breve descrição da Função
‐ Compreender e aplicar os standards de Segurança e Control da ExxonMobil;
‐ Manter os mais altos padrões de Segurança no trabalho e integridade ambiental;
‐ Prestar apoio técnico às Operações e Produção de Petróleo;
‐ Apoiar as equipas de offshore/onshore em projectos específicos;
‐ Conhecimentos de instalação de sistemas operativos informáticos (no caso dos engenheiros informáticos)

2) Qualificação académica
– Finalistas das seguintes licenciaturas: Engenharia Informática / Electrotécnica/ Civil / Ambiental / Quimica / Mecânica / Petróleos e Contabilidade e Finanças.

3) Qualificação profissional / Experiência
– Não é necessária experiência de trabalho (é preferível). Devem possuir conhecimentos de informática na óptica do utilizador, assim como das ferramentas do MS Office; disponibilidade para viajar offshore caso seja necessário.

4) Outros requisitos
‐ Nacionalidade Angolana. O(a) candidato(a) deve falar e redigir fluentemente a língua Portuguesa; conhecimentos de Língua Inglesa será factor preferencial. Excelentes aptidões de comunicação e capacidade de trabalhar bem em equipa.

5) Candidaturas
‐ Os interessados deverão enviar as suas candidaturas para a Emosist, nos 15 dias seguintes à publicação desde anúncio, apresentando os seguintes documentos: Curriculum Vitae / Cópia do Certificado de Habilitações e Bilhete de Identidade.

Email: recrutamento@emosist.com  

Crónica | Procura-se ignorante

De vez em quando, o que para ser franco até ocorre com frequência ultimamente, sua excelência eu fica a matutar sobre a evolução semântica de certas palavras no dia-a-dia mwangolê, cuja velocidade é de preocupar porque se  afigura cada vez mais difícil de alcançar.

A título de exemplo, IGNORÂNCIA passou a ser uma virtude, refere-se à condição de quem (é ou) está usando a capacidade de resistir a provocações ou pressão mediante  o silêncio ou inacção. Trazido ao nosso contexto, há que destacar que se ainda há algum êxito no nosso sistema de ensino-aprendizagem, então o mérito vai para a classe docente, que é formada globalmente por grandes ignorantes... pois os alunos hoje em dia não provocam pouco. Neste caso, professor sai-se duplamente ignorante se olharmos também para as condições de trabalho nem sempre favoráveis ao exercício da profissão. Não será de admirar que nos próximos tempos, mesmo já que é para poupar espaço, a descrição de perfil em concursos de vaga em qualquer sector sejam resumidas a... "procura-se ignorante para admissão imediata". Vai daí o conselho: sempre que tiver de elaborar o seu curriculum vitae para dar aulas, uma vez conhecido já o fenómeno social  da tendência cada vez maior dos alunos à indisciplina, não se esqueça de destacar a sua maior virtude: IGNORANTE! Até pode mesmo acrescentar que o candidato é "ignorante de pai e mãe".

E há mais. Por favor que ninguém me trate por "amigo!"; amigo é o comerciante desconhecido, concretamente o chinês ou o vietnamita da casa das fotocópias ou da "repação" de motorizadas. E sua excelência eu, sendo que não tem jeito para negócios, desgraçado que talhado a subordinado, então também dispensa fama sem proveito. Ah, mas para depois não surgirem acusações de fundamentalismo, abre-se uma excepção. Quando assim ocorrer, falo de me chamar "amigo!", tenha a certeza de que estou pagando serviços no seu próprio estabelecimento. Senão, hum!...

Vou terminar com uma nota triste. Na adolescência aprendi noções básicas de tocar viola, andei no coral infantil, mas depois não houve talento para dar vida à semente. Porque se assim não fosse, hoje eu pegava nessas letras, inventaria uma melodia e COMPOSITAVA uma bela canção. É isso, esse profissional de arte que não ganhava fama nenhuma enquanto "compunha", agora já tem mais visibilidade porque passou a compositar. É como digo, depois do cuduro, nunca mais o sector da música será o mesmo. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa. Lobito, 14 Maio 2017

sábado, 13 de maio de 2017

Desafio Baleia Branca

ninguém briga nem estraga amizade por causa de opções partidárias e/ou eleitorais. Quem quebrar repete a partir do ponto em que violou o pacto. Está a contar. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Divagações | O presidente francês que não se atreva

Estou a ler num jornal digital que o recém-eleito presidente frances, Macron, qualificou o passado colonial da França em África como um crime contra a humanidade. Esse assim não quer só arranjar problemas com certa corrente benguelense que advoga a implantação da estátua de Cerveira Pereira à entrada do Palácio do Governo?! Glória ao fundador da cidade no ano em que Benguela assinala 400 anos de existência. Esse Macron é tão ignorante que não percebe que houve colonização e colonização, sendo que a portuguesa foi tão humana que não há razões para se pensar na hipótese de um pedido de desculpas às suas vítimas? A sorte é ser de "raça pura", de contrário já lhe cairia no lombo o rótulo de neonativista. Portanto, se a França está arrependida (parece que a Inglaterra já em tempos o fez), que não pense em influenciar outras potências colonizadoras europeias da mesma época, que aliás invadiram, pilharam, assassinaram, mas sempre com elevado sentido de irmandade e profundos laços de amizade ultramarina. Francamente! É nisso que dá votar em presidentes muito novos, pá. Ainda era só isso. Obrigado

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Citação

"Fogo, meu! Este fim-de-semana recusei ir a Benguela tocar. A festa até era rija, boa gente, boas damas. O problema é que os fins-de-semana em Benguela são muito agressivos, principalmente para o fígado."   www.angodebates.blogspot.com

sábado, 6 de maio de 2017

Divagações | Qualquer gratidão seria disparate

Quando se ganha um porta-malas abarrotado de livros académicos, no caso ciências sociais, ainda por cima de oferta, acervo que se calcula pelo menos não inferior a 100 mil kwanzas, sua excelência eu até perde autoridade para dizer às crianças que o Pai Natal não existe. Tanto existe que o meu abriu as portas em Maio (sociologia, comunicação, epistemologia, antropologia, ética, linguística, história, psicologia, tudo no cabaz). Como dizemos lá no kimbo, mano Edú Macieira, quando eu morrer, não chores, porque já me choraste em vida. Qualquer gratidão verbalizada seria disparate, de tão redundante. Ainda era só isso. Obrigado

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Divagações | Dia de finais felizes

O BI saiu esta manhã, quentinho, da máquina para a carteira do bolso, graças à sugestão de um amigo, a boa colaboração do carrito pessoal papaquilómetros, o toque de amparo do profissional tio que é xará. A lição que fica é que em alguns municípios do interior ainda há restos de material para impressão de bilhetes de identidade.

 Ah, a minha "amiga" Vietnamita da casa dos retratos tipo passe devolveu o meu corpo à minha cara. A gincana para a reposição da pilha de documentos pessoais ainda não terminou, mas há que festejar pequenos avanços, tal como foi o de anteontem com o cartão bancário. Aos profissionais da posse alheia, um recado: roubem mais. Ainda era só isso. Obrigado. Hahaha

Diário | Será algum distúrbio psíquico?

(I)
"Mas esse homem pensa que é o quê assim afinal?"
"O cidadão? Também já notaste afinal, né?"
"Ya. Anda aí de ombros em cabide; saudar, nada. Quando é para conversar, contraria tudo, monopoliza os silêncios da rua, biblioteca toda na ponta da língua..."
"Ele está assim desde janeiro..."
"Mas isso não é contagioso? Será algum distúrbio psíquico?"
"Até é distúrbio legislativo..."
"Essa eu não entendi..."
"Está a treinar para cair no anzol a deputado..."
"Mas sem partido?"
"Como deputado independente. Independência não é discordar de tudo?!"
"Será?"
"Então, mas querias que fosse como o marketing do outro para independente? Tenta insistir em falar com ele, vais ver..."

(Il)
"Ó meu! Andas diferente. Como é então esse negócio?"
"Tenho algum negócio com vossa pessoa?!"
"Há uma diferença em você que estou a notar.."
"Agora vossa excelência agora é notarial?"
"Você mudou de repente..."
"Em relação a que estágio? Aliás, se por mau não me toma, eu retiro-me deste diálogo inquisidor e pouco fecundo. A não ser que me queira fazer companhia no talho..."
"Não, obrigado. Por acaso agora sou vegetariano..."
"Para quê?"
"Para não sacrificar a vida dos animais, não?"
"Porque as plantas não têem vida?"
"Não é isso..."
"Meu caro concidadão e coetâneo, se eu tenho de produzir ervas para alimentar o boi, o cabrito, o carneiro, ou o que seja, então ao abater o animal eu estarei tão só a comer a minha erva. O animal é proporcional ao investimento, certo?"
"Certo e não certo. O abate de animais não é massacre?"
"É colheita para consumo alimentar..."
"Meu irmão, é assim: vai só, yá!... Se queres ser deputado, fica só bem, mas não me entres na mente..."
"O cidadão, que por definição é potencial autarca, assim é uma espécie de intolerante, alérgico ao debate?
www.angodebates.blogspot.com
Gociante Patissa, Caimbambo, 04.05.2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Divagações | UMA EXECUÇÃO BEM EXECUTADA DO EXECUTIVO E ELEVEN

A passar esta tardinha pelo cruzamento ali conhecido por mar e sol, na cidade de Benguela, sua excelência eu verificou a presença de homens em trabalho de reposição do poste/coluna do semáforo (sentido leste), derrubado há alguns meses e que no entanto, soube-se, a provedora enfrentava rotura de stock para reposição, numa era em que as importações encalham com o rarear das divisas. Resulta que a retirada em cena do semáforo, justo no afunilamento de uma estrada nacional como é a número cem, tem sido uma chatice automobilística, que  nem mesmo com o regresso da penhanha e do agente sinaleiro passa despercebida. Até porque, há que dizê-lo com franqueza, andávamos todos desabiatuados quanto a esta forma de ordenamento do trânsito muito em voga no século passsado.  Não sei quanto de orçamento foi mobilizado nem a origem, como cidadão só sei que é uma execução bem executada do executivo municipal e a firma Eleven (a concessionária do serviço de sinalização). Ainda era só isso. Obrigado
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Divagações | Cara minha corpo alheio

Estou a pensar na Vietnamita da casa dos retratos para documentos, aonde fui de boa vontade, barba feita e tudo, camisa xadrez verde azul, e no dia de levantar as malditas fotos tipo passe encontro sua excelência eu de casaco e gravata, logo ele que só usou gravatas uma vez durante a adolescência para fazer teatro na igreja e outra em serviço por não mais de cinco minutos. Eu algum dia usaria em documentos foto do tipo cara minha, corpo alheio?! Mas eu vos pedi casaco  e gravata, caramba?! Amigo, passa amanhã de manhã, moço já foi. E assim terei de lá voltar, sem saber se ainda guardam o digital original ou se deverei deixar novamente aquela gente apalpar-me os maxilares. Ainda era só isso. Obrigado

Citação

"Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros" (da personagem Marinete, da série brasileira A Diarista)

Divagações | E a gincana começou

Curva 1
Cartões multicaixa e visa: No banco, filas intermináveis, gestor de conta em dia de não atender o telefone.

Curva 2
No SIAC, para o Bilhete de Identidade? São 11h00. Hoje não é possível, tens de vir amanhã muito cedo, já excedemos o limite. Por dia só 30 emissões, hoje até atendemos 40. O bilhete? Só dai daqui a sessenta dias, estamos sem material.

Curva 3
Ainda no Siac. Segunda via do cartão de Segurança Social? A cópia só não chega; tens de escrever uma carta dirigida à Direcção Provincial da Segurança Social. À mão não pode, tem mesmo que computarizar. Ah, ou então solicitas aos recursos humanos da tua empresa. Ah, fica na capital? Então é mesmo com a carta pessoalmente.

Curva 4
Vem aí o rol delas. Neste momento aguarda sua excelência eu à porta da AGT, que engloba finanças e alfândega, no intuito de obter segunda via do cartão de contribuinte.

Moral da história: há que erguer um monumento aos ladrões de carteiras de documentos, pela proeza de nos permitirem radiografar sem veludos o verdadeiro tecido do nosso excesso de burocracia no atendimento público ao cidadão. Ainda era só isso. Obrigado
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