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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crónica | Um mestrado do tipo flecha que sai torta

Conforme tinha sido anunciado aos vivos e aos extraterrestres, hoje era o tal dia muito esperado para a reunião na CESPU-Benguela sobre o lançamento do curso de pós-graduação com acesso ao mestrado em Gestão Estratégicas de Recursos Humanos.

Tirando só mesmo o par de beijinhos que sua excelência eu ganhou de um emotivo reencontro de anos bwé (com uma daquelas fulgurantes paixões sucumbidas nos tempos de ingénua pré-juventude e que, como sempre talhados a bons perdedores, esperamos que a vida seja generosa e lhes faça felizes, seja nas mãos de quem for)… tirando só isso, a reunião foi uma seca, como diria o bom do português, pelo tema, pelo tom a roçar o sobranceiro e por se passar ao lado da expectativa.

A prelectora, bem articulada e de sensualidade comedida, teve uma audiência de quase quarenta "doutores", se não mais. No caso de sua excelência eu, sabedor de bom bocejar em ambientes pardos, esperava uma resposta concreta, aquela referente ao não reconhecimento (ainda) pelo Estado Angolano dos certificados da Universidade Portucalense via CESPU (regime semi-presencial com docentes vindos da Europa), por, diz-se, a instituição intermédia, que reivindica (em audível tom da sua esbelta directora) um inquestionável reconhecimento e prestígio ao nível internacional, afinal não ter aprovação do INARES (organismo do Ministério angolano do Ensino Superior).

Uma hora e a sessão de esclarecimento não esclareceu quanto a ter havido algum esforço administrativo para aproximação entre a intermediária de origem portuguesa e as autoridades que validam o que é substancial, o grau académico no mercado mwangolê. Qual seria a lógica de gastar neurónios e pecúnia por um certificado de enfeite?

Mas é como tudo. Entre cépticos e optimistas, a marcha do tempo segue e os dados estão lançados, digo actualizados. Para a pós-graduação, USD 9.970,00 o curso, ou 12 parcelas mensais de USD 850,00, a serem pagos ao câmbio do dia. A taxa de inscrição, não reembolsável, como fez questão de sublinhar a responsável, está só pelos módicos AKZ 50 mil. Mas como é sempre o dedo da ferida no pé aquele que por ironia mais tropeça, o curso pretendido por sua excelência eu, este, tem o arranque condicionado ao surgimento de 35 candidatos, de inscritos mesmo é que patina pela metade da cifra.

Ora, por todo o exposto, já liguei para o tio por afinidade chamado Donaldo Trampo, lá na Branca Casa, a respeito da decisão, só que a secretária informou que ele, o tio pato, não podia atender à sexta-feira, que nesse dia ele renova a fórmula oxigenada de tingir os cabelos.

Mas deixei recado. Tio Trampo, vê se metes ali uma bolsazinha por cunha naquele mambo de Fulbright e tal, já que estamos a mijar nessa comuna chamada ordem mundial. Porque do jeito que as coisas vão, entre dois males, não sei se é déjà-vu ou quê… mas o tio já ouviu falar da sorte da flecha que sai torta, né? Assim, fico só com o meu já inquestionável grau académico. Ainda era só isso. Obrigado. E assino já, já: Mestre em Ciências Tentadas.
Gociante Patissa. Benguela, 17 Fev. 2017

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