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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Crónica | À procura de um jazigo para pôr o corpo

Yosefe Muetunda
Aconteceu com uma jovem que é minha grande amiga. Acredito que ela vai ler a publicação e, se tiver coragem, vai denunciar a sua identidade.

No segundo mês de namoro, achou um contacto gravado no telefone do namorado com a inscrição "amor da nha vida".

Um dia depois, ao querer saber mais, encontrou uma mensagem recebida, com o seguinte breve teor: "hoje, à noite, pode ser?"; e outra, enviada, a ripostar "é claro, adoraria!".

Sem se exaltar, silenciou-se por dois dias. No terceiro, sorrateiramente, leu mais uma breve conversa: "ontem, querido, esforçamos muito"; "eu quase arrebentava, querida, pois os métodos não funcionavam"; "nas noites seguintes vamos moderar"; "ainda bem, assim resisto mais". Ela copiou tudo, transcrevendo com fidelidade na sua agenda. Nada zunzunou, por mais de três dias.

Num outro, enquanto eles aproveitavam a noite para refrescar os ânimos, com beijos e orações, quando o sol estava morto, o telefone dele apita. Ela, que já andava a acumular, arranca-o e, do mesmo contacto, leu a mensagem: "Então, amor, não queres exercitar mais comigo?"

A estrebuchar, quase bate o dispositivo na parede mais próxima, não fosse a intervenção do parceiro estratega. Desmontou-lho das mãos. Ao ler, sorriu ironicamente e disse:
— A minha mãe está a dar-me explicações de Matemática para testar na UAN. É sempre à noite, quando ela vem do serviço. Acho que devo ir.

E ela ficou toda envergonhada, à procura de um jazigo para pôr o corpo. Morria de ciúmes pelas mensagens da sogra.
Yosefe Muetunda, Luanda, 17.02.2017.XXI.23h49

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