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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Opinião | Rádio Ecclesia, à procura de si própria, "recicla" quadros e programas dispensados

Foi com agradável surpresa que dei conta dum "desesperado" pacote de mudanças mais ou menos radicais levadas a cabo pelo novo director, padre Maurício Camuto, num recuo que se propõe devolver aos ouvintes a "confiança" que, para muitos, já só restava no slogan, posta que vinha sendo de parte, segundo acusações reiteradas, a acutilância em temas social e politicamente mais estruturantes, para só focar a sua emissão na vertente de evangelização. 

Para ser mais directo, sintonizei esta manhã a emissora católica de Angola online, a Rádio Ecclesia, que emite a partir de Luanda. É um projecto ao qual o autor destas linhas esteve ligado em 2004, quando iminente se fazia o arranque por Benguela, tendo aderido ao projecto por via de um casting de redactor-repórter-noticiarista e figurado entre os quatro finalistas seleccionados ao cabo de três meses de estágio intensivo.

Como que decidido a se penitenciar pelo produto servido durante os dois mandatos do director cessante, o também padre Kintino Kandandji que, como devemos andar recordados, teve de ser (auto)afastado a meio a polémicas envolvendo a União Europeia (acusada de tentar influenciar a linha editorial e conspirar contra o governo angolano), a nova direcção não só "repescou" quadros até então dispensados, como também decidiu repôr na grelha programas "deletados" por Kandandji, apesar dos seus tão aludidos níveis de audiência. 

No "Discurso Directo" de hoje, programa com formato de entrevista de perfil e com incidência no exercício da cidadania, foi realmente agradável ouvir um entrevistador de volta à casa em que enriqueceu a folha de serviço. 

Walter Cristóvão, moderador, repórter e ao que consta chefe de produção, teve como convidado o jornalista e docente Ismael Mateus, uma das figuras incontornáveis do espaço público angolano, onde é dos mais frontais e influentes fazedores de opinião. Sim, senhora! Foi um bom serviço público. Para que não restem dúvidas, um spot da estação dá conta da inclusão de novos produtos na programação mas também, para gáudio de ouvintes cativos, de outros, quer de entretenimento, quer de opinião e cidadania activa. 

Com mais de meio-século de história, a emissora católica cultiva o velho sonho da sua expansão para demais províncias do território nacional, tendo instalado estúdios e emissores há treze anos, sonho entretanto inviabilizado por falta de autorização do ministério de tutela. Conformada com a barreira legal que limitava as rádios comerciais FM a um raio inferior a 80 km quadrados, a igreja chegou a desistir do conceito de emissão nacional e os estúdios passaram a ter estatuto de rádios diocesanas. 

Mas apesar de as crispações entre a igreja e o governo serem coisas do passado e a aproximação diplomática ser evidente, quando o assunto é a abertura das rádios já prontas em Benguela, Kwanza-Sul, Kunene, Huambo, Cabinda e Zaire, o que de tangível para já existe são mesmo só a entrada do processo de solicitação de licença de emissão e os ciclos de esperança. 

A pergunta de retórica que a um leigo como nós ocorre é: a que se deve então este recuo de conceito de serviço público do projecto Ecclesia, se a Rádio não mudou de proprietários, portanto foi a mesma Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) que apoiou os "cortes" editoriais de Kandandji?
Gociante Patissa, Benguela, 25 Jan 2017

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