PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"O escritor angolano Gociante Patissa concedeu uma entrevista a Sky Culture e-Magazine [do Brasil], na qual falou, entre outras coisas, da literatura angolana; da relação cultural Brasil/Angola, e é claro, das suas obras. Conheça mais sobre Gociante Patissa, lendo a entrevista abaixo. Boa leitura! December 13, 2016

O escritor angolano Gociante Patissa concedeu uma entrevista a Sky Culture e-Magazine, na qual falou, entre outras coisas, da literatura angolana; da relação cultural Brasil/Angola, e é claro, das suas obras. Conheça mais sobre Gociante Patissa, lendo a entrevista abaixo. Boa leitura!

Sky Culture e-Magazine:  Fale-nos quem é Gociante Patissa.

Gociante Patissa: Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte-Belo, município do Bocoio, província de Benguela, em Dezembro de 1978. Tem licenciatura em Linguística, especialidade de Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Katyavala Bwila (ex-Agostinho Neto). É membro efectivo da União dos Escritores Angolanos e colaborador do Jornal Cultura, da Edições Novembro. Foi distinguido com o Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes 2012, na categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, «pelo seu contributo na divulgação da língua local Umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e novas Tecnologias de Informação e Comunicação». Foi a participar num programa infantil da Televisão Pública de Angola que em 1996 se revelaram as inclinações para o jornalismo e a literatura. No sector da sociedade civil serviu como gestor de projectos de desenvolvimento comunitário, tradutor/intérprete (Umbundu-Português-Inglês) e jornalista free lance. Entre 2003-2010, foi realizador e moderador de mesa redonda radiofónica sobre cidadania e saúde preventiva, editando ao mesmo tempo o Boletim informativo, educativo e cultural A Voz do Olho, ao serviço da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG angolana que ajudou a fundar em 1999. Serviu ainda a Save The Children e a Handicap International nas províncias do Huambo e Benguela.

Sky Culture e-Magazine: Qual o seu gênero literário? Quais obras publicadas?

Gociante Patissa: Eu escrevo contos, poesia, crónicas. De prosa mais extensa tenho uma novela.
OBRAS PUBLICADAS:
— Consulado do Vazio (poesia), KAT - Consultoria e empreendimentos. Benguela, Angola, 2008.
— A Última Ouvinte (contos), União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2010.
— Não Tem Pernas o Tempo (novela), União dos Escritores angolanos. Luanda, Angola, 2013.
— Guardanapo de Papel (poesia), NósSomos. Luanda, Angola / VN Cerveira, Portugal, 2014.
— Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas (contos). GRECIMA. Programa Ler Angola. Luanda, Angola, 2014.
— O Apito que não se Ouviu (crónicas).União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2015.
— Almas de Porcelana (poesia reunida). Editora Penalux. São Paulo, Brasil, 2016.

PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIAS:
— III Antologia de Poetas Lusófonos. Folheto Edições, Leiria. Portugal 2010.
— Conversas de Homens no Conto Angolano - Breve Antologia (1980 – 2010). União dos Escritores Angolanos, Luanda, Angola, 2011.
— Balada dos Homens que sonham - Breve Antologia do Conto Angolano(1980 – 2010). Clube do Autor, Lisboa, Portugal 2012.
— Di Versos - Poesia e Tradução, nº 18. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro 2013.
— A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua – Antologia Poética. Movimento Literário Kuphaluxa. Maputo, Moçambique, 2013.
— 800 ANOS / O Futuro da Língua Portuguesa. Bela e o Monstro, parceria entre o jornal PÚBLICO e o «Movimento-2014». Lisboa, Junho de 2014.
— Di Versos - Poesia e Tradução, N.º 22. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro 2015.
— Pássaros de Asas Abertas. A.23 Edições & União dos Escritores Angolanos. Lisboa, Portugal, 2015.
— Angola 40 Anos - 40 Contos - 40 Autores.Mayamba Editora, Luanda, 2015.

Sky Culture e-Magazine: Atualmente o Senhor está se dedicando a escrever algum livro? Se sim, fale-nos um pouco a respeito. Tem previsão de lançamento?

Gociante Patissa: Diria que sim, embora não possa avançar muito mais em termos de pormenores, enquanto ainda aguardo o resultado da avaliação por uma editora fora de Angola à qual sumeti sob sua proposta um livro de contos.
No ano passado tive uma grata experiência com a Editora Penalux, com sede em São Paulo, Brasil, que me contactou e fizemos uma parceria que resultou na publicação de «Almas de Porcelana», que reune a minha poesia publicada em dois livros e também em antologias dispersas, sem deixar de incluir textos inéditos.

Sky Culture e-Magazine: O que o Senhor tem a nos dizer a respeito da literatura angolana neste momento? Que autor ou autores o Senhor destacaria?

Gociante Patissa: A literatura angolana neste momento anda a dois tempos descompassados entre aquela produzina no país e a que é feita em Portugal (que é o mais visível canto da diáspora angolana). O principal problema da literatura feita em Angola, para todos os efeitos a mais representativa, tem que ver com a distribuição. O livro praticamente não circula. Como não temos uma indústria do papel, tudo por cá é importado e o produto acaba custando caro. O genérico é sairem mil exemplares de cada título publicado, quando o país tem mais de 20 milhões de habitantes. Já sem falar de uma inexistente crítica literária interna, uma vez que os estudiosos de letras enveredam logo para a docência, não havendo grandes estímulos para a pesquisa. Por outro lado, aqueles mais próximos de Portugal, por proximidade cultural ou por nele residirem, acabam beneficiando da acutilância de grupos editoriais europeus. A isso soma-se o “filtro” do lobby editoras-academia-imprensa (o que em certa medida se extende ao mercado brasileiro quando se olha para produção literária africana), o que é redundante em termos de autores visíveis. Temos assim um quadro em que mais facilmente se conhece como bom escritor angolano alguém que se estreie em Portugal do que os nomes internamente confirmados de uma geração que despontou ainda na geração de 80.
É difícil indicar nomes de autores a destacar, tendo em conta que os bons não são poucos. Dos autores angolanos mais “injustiçados” pelos critérios da visibilidade internacional, destacaria João Tala (médico e militar), que é um contista de mão cheia e internamente o mais premiado membro da União dos Escritores Angolanos. Abreu Paxe tem-se destacado também pela rotura constante em termos de forma. Mas há outros nomes, tais como Adriano Botelho de Vasconcelos, Roderick Nehone, entre vários.

Sky Culture e-Magazine: Como o Senhor ver a relação cultural entre Angola e a América Latina, especialmente o Brasil?

Gociante Patissa: Creio que podia ser melhor. Em certa maneira seria a meu ver mais fecundo que o Brasil não dependesse tanto da influência portuguesa quando o assunto é colher literatura africana. E neste capítulo, julgo que as áreas de cultura da embaixada brasileira deixam um tanto a desejar.

Sky Culture e-Magazine: Que autor brasileiro é mais conhecido pelos angolanos?

Gociante Patissa: Como o nosso sistema de educação (ainda) não obriga a leitura de obras inteiras, senão excertos, então é difícil aferir que autores internacionais são mais conhecidos. Penso que Jorge Amado pode ser o mais referenciado, muito em função de telenovelas brasileiras, acho eu. Há ainda, embora longe do campo da literatura, o nome de Paulo Freire. Paulo Coelho não deixa de cá dar o ar da sua graça, sempre envolto em debate quanto ao seu (não) valor literário. De qualquer modo, esse olhar a autores brasileiros também é bastante superficial, excepto para aqueles que se tenham formado no Brasil ou tenham dado na universidade a cadeira de literatura brasileira.

Sky Culture e-Magazine:  Como o Senhor ver o escritor e as novas mídias? O Senhor tem algum blog?

Gociante Patissa: As novas mídias são um recurso valioso. Para autores como eu, que não têem para já aquela máquina de agenciamento, um blog é uma janela útil para conhecer e dar-se a conhecer. Tenho feito determinantes amizades. Tenho dois blogs, sendo o www.angodebates.blogspot.com mais generalista (cidadania, literatura e fotografia) ao passo que o www.ombembwa.blogspot.com incide mais sobre o compromisso na pesquisa, tratamento e divulgação da tradição oral da língua/cultura umbundu, da qual sou originário.

Sky Culture e-Magazine: Deixe sua mensagem ao público brasileiro.

Gociante Patissa: Deixo gratidão pelo tempo que vão dedicar a este trabalho. Aproveito também agradecer a cordialidade de amigos brasileiros que tenho conhecido, quer inicialmente através dos meios virtuais, quer através do contacto durante a passagem por Salvador da Bahia, onde em 2013 participei na sexta Bienal de Jovens Criadores da CPLP. Obrigado!
Sky Culture e-Magazine: Muito obrigado!

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