PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Humanismo e aproximação dominaram discursos | ABERTA OFICIALMENTE A FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT

O encarceramento de intelectuais na Turquia e na Síria, bem como a necessidade de uma Europa que faça da diferença dos povos um motivo de fortalecimento das relações, dominaram os discursos de abertura oficial da Feira Internacional do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Testemunhada por mais de duas mil pessoas, a cerimónia teve lugar esta terça-feira, 18/10, no edifício de exposições denominado Messe e foi prestigiada pelas presenças da rainha Mathilde, da Bélgica, e do rei Willem-Alexander, da Holanda.

O presidente da Associação Alemã de Editores e Livreiros, Heinrich Riethmüller, teceu críticas ao que qualificou de papel passivo da legislação em proteger o sector do livro. Em seu entender, tal quadro leva a uma apatia perigosa do panorama literário na Alemanha. Não escondeu uma certa desilusão, já que várias tentativas junto da classe política, segundo disse, não têem produzido resultados palpáveis.

Por outro lado, Riethmüller denunciou a prisão da romancista turca Asli Erdogan, juntamente com outros 20 jornalistas, acusados de participarem na tentativa de derrube do presidente Tayyip Erdogan. E de críticas nesta matéria não é tudo. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, não perdeu a oportunidade de fazer campanha contra “líderes e candidatos populistas”, cujo discurso promove o ódio.

Várias outras intervenções seguiram a mesma linha, com realce para a reparação de erros históricos cometidos por uns povos contra outros. Para sublinhar o quanto a união é possível, recordou-se o gesto de perdão com que a Holanda estendeu a mão à Alemanha, poucos anos volvidos sobre incidentes de torturas e matanças. “É um dom que não deveríamos nunca esquecer”, advogou um dos oradores alemães.

Já no período da manhã tinha sido registada uma concorrida conferência de imprensa, que serviu de antecâmara para o resto do programa. A atracção principal foi o pintor inglês David Hockney, 79 anos, convidado de honra da Feira. A sua obra combina o talento e o uso de novas tecnologias digitais, sobretudo o iPad, umas vezes com traços originais, outras com a recriação usando a técnica da colagem, na tese segundo a qual a fotografia lida com a superfície enquanto a pintura alcança a profundidade.

Ainda durante a conferência de imprensa, a organização da Feira fez apelos para a libertação de intelectuais perseguidos, afiançando que a liberdade de criação é um direito não negociável. Na sequência, uma das participantes quebrou o protocolo e quis saber que ajuda podiam ter os escritores e cientistas do Chile, diante do que considera perseguição e ditadura. Revelou ter em carteira um livro que aborda frontalmente um tema ligado à política, sem no entanto sentir-se motivada a continuar, pois teme represálias. A resposta,dos organizadores foi no sentido de a opção depender de cada editor.

No final do dia, entre os visitantes internacionais, inevitável foi a percepção de terem ficado coisas por dizer, nomeadamente da responsabilidade que a Europa teria para com a literatura de ex-colónias e uma outra palavra quanto à inovação no Prémio Nobre de Literatura, que este ano foi atribuído ao músico americano Bob Dylan.
www.angodebates.blogspot.com

Sem comentários: