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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O passivo sombrio das independências africanas | HÁ VIDAS ANGOLANAS NA MISÉRIA DE KATUTURA

Fontes ouvidas pelo blog Angodebates revelaram que não se vislumbra uma solução para os casebres de chapas. O clima é de temperaturas extremas, não sendo o zinco favorável nem no frio nem no calor. Intransigentes, as autoridades não autorizam a auto-construção através da confecção de blocos de cimento ou outros materiais mais confortáveis. Exigem por seu lado a contratação de empresas do ramo, o que visivelmente está fora do alcance de quem mal tem para comer. Boa parte desta camada são imigrantes (angolanos), que tiveram contacto com a Namíbia ainda à época dos trabalhos por contrato nas minas de ouro de Swakopmund e Transvaal, durante o domínio Sul-africano. Há também entre estes refugiados angolanos de 1993 (no quadro da guerra pós-eleitoral) que preferem permanecer, não vendo condições de sobrevivência melhores no país de origem.

Reza a história que na década de 1950, as autoridades municipais de Windhoek e a administração colonial Sul-africana decidiram retirar à força os habitantes africanos (negros) da Cidade Antiga (8 km) para o norte da cidade e sem condições mínimas da habitabilidade. Deste modo, o centro da cidade ficaria para a comunidade branca, o subúrbio intermédio (Komasdal) para os mestiços. As populações expulsas da cidade, em jeito de resistência, passaram a chamar a esse guettho de Katutura (semelhante ao Umbundu «ka tutula»), que na língua Herero significa «aqui nós não ficamos».

As razões da resistência variavam, sendo de destacar que na Cidade Antiga eles eram por herança donos da terra, ao passo que em Katutura já a terra pertencia à municipalidade e o novo território era de longe muito pequeno. Estava proibido criar espaços de lazer, como jardins (provavelmente pela escassez de água), tinham de pagar impostos de arrendamento e para irem à cidade trabalhar, dependiam de autocarros.

Na sequência dos protestos e boicote dos serviços municipais, a polícia abriu fogo contra os manifestantes a 10 de Dezembro de 1959, para um saldo de 11 mortos 44 feridos. O evento é conhecido como a Revolta da Cidade Velha, daí na Namíbia se assinalar a 10 de Dezembro o dia dos Direitos Humanos.

O povoamento forçado do novo subúrbio levou anos. Em 1962, 7 mil pessoas foram juntaram-se às 2 mil da etnia Ovambo que já lá habitavam. Nesta altura, metade da população indígena de Windhoek já vivia em Katutura. Em termos estatísticos, os Ovambo representavam 3 mil habitantes, os Damara cerca de 2 mil e quatrocentos, os mestiços perto de mil e trezentos, os Nama cerca de 600, os Herero pouco menos de 400. Havia ainda 71 de origem Ovambanderu e mil outros indeterminados.

Por volta de 1968 a urbanização de Katutura, se assim se pode chamar, tinha 4 mil casas arrendáveis sem água nem luz e cujas secções eram organizadas consoante os diferentes grupos étnicos. Casa residência tinha uma letra grande na porta para simbolizar a tribo, onde o D indicava Damara, o H indicava Herero, etc.

Katutura é, à semelhança de outros guhettos africanos, um elevado passivo que as independências não conseguiram saldar.

Gociante Patissa, in www.angodebates.blogspot.com (comhttp://africageographic.com/ e wikipedia)

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