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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Rubrica de homenagem até 26 de Julho | VICTOR MANUEL PATISSA 70 ANOS (6): MINTAM-NOS BEM, OU CALEM-SE PARA SEMPRE, SE FAZ FAVOR

Victor Manuel Patissa (1946-2001), 
camponês, político, militar, Comissário 
Comunal da Chila, município do Bocoio e 
Comissário Comunal da Equimina, município
 da Baía Farta, ambas na década de 1980. 
Com a viragem para a democracia em 1992, 
a categoria seria designada Administrador 
Comunal, numa altura em que chefiava 
o governo na comuna da Kalahanga, 
município da Baía Farta
“Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndinde”, diz a sabedoria popular Umbundu, (que em português seria qualquer coisa como) seja lá o que for que te encontre numa árvore, diz mesmo que és pessoa, não que és colmeia. Assume-te tal como és e de onde vens, sob o risco de seres catalogado fora da tua natureza.

Quando se é filho de (ex) dirigente e/ou governante, condição que não podemos escolher, há que assumir isso mesmo. É pelo menos o que eu penso. Recordo bem uma reprimenda que levei de um amigo, em 2004, três anos volvidos sobre o falecimento de Victor Manuel Patissa, por ter dito num acampamento no município da Baía Farta que era seu filho a um grupo cultural juvenil proveniente da comuna Kalahanga, o último de uma trajectória administrativa que parte no início da déca de 1980 na comuna da Chila (município do Bocoio) e passou pela Equimina (município da Baía Farta).

Na ocasião, abraçaram-me com nostalgia patriótica, como se a abraçassem o seu administrador comunal mas… também é verdade que podia ser radicalmente oposta a reacção daqueles, sublinhava o meu amigo, pois os nossos pais, na sua condição de governantes/dirigentes/militares ao tempo de partido/Estado e de guerra, podem ter cometido erros. Mas eu sou filho dele, por que haveria de esconder isso?

A gente não anda hoje propriamente à caça de elogios pelo que os nossos parentes dedicaram ao serviço de uma pátria (que parece reduzir a sua memória ao pós 2002), como se órfãos a este marco anteriores não houvesse. Também não nos move cultuar ressentimentos a título póstumo por eventuais abandonos ou desilusões de quem ousou plantar quimeras na palavra camarada. É inútil todavia fingir que não caiam bem elogios esporádicos ao desempenho do velho, mas, por favor, só com a verdade no meio.
Fotografei esta tribuna por fotografar no dia em 
que resolvi visitar a comuna da Equimina. Dias 
depois fiquei a saber que foi construída há por aí 
20 anos no mandato de Victor Manuel Patissa 
como comissário/administrador. Era dali que 
mandava as bocas ideológicas e as promessas 
(certamente muitas delas não cumpridas haha). 
Por acaso não sabia e se não for destruída 
futuramente, passa a ser um pedaço importante
para a memória. As pessoas passam, as obras ficam

É que ontem tivemos de suportar um bem-intencionado na cidade de Benguela, que nos pretendia fazer crer que no seu bairro, onde o velho nunca pisou, há uma considerável quantidade de gente que deve gratidão ao camarada comissário comunal Victor Manuel Patissa, pela forma hospitaleira com que os recebia enquanto comerciantes na piscatória comuna da Equimina em finais da década de 1980! Mas, oh caramba!, qual é o dirigente que em pleno tempo de guerra escancararia os segredos do palácio a pequenos comerciantes desconhecidos, ainda por cima numa comuna com o acesso ameaçado por ataques de guerrilha e habitada maioritariamente por cidadãos capturados na mata?

O que ele não sabia é que para lá ir exigiam-se guias de marcha, dactilografadas em nossa casa pelo meu irmão mais-velho e pelo tio Henrique Avindo Manuel. Portanto, mintam-nos bem, ou calem-se para sempre, se faz favor.
Daniel Gociante Patissa, Katombela, 23 Fevereiro 2015

PS: AINDA JULHO, LOOKING IN REVERSE
Entretanto, já três anos se tinham passado sobre o pó. Estar dentro é sempre a forma menos eficiente de perceber o tamanho da casa, a verdade idem. Já homem, o adolescente cruza algumas vezes em partilhas de saber, nesse contínuo exercício de crescer com a pátria, com o camarada chefe. Em tom paternalista, gaba ao microfone de abertura de certame. “O teu pai foi um grande camarada nosso”. Ora, vindo de quem assinou precisamente o despacho que elevara o ido à altura do emocional tombo e irreversível, devia significar muita coisa. Quem julga é Deus, dirá o cliché. Andava magoado pelo afastamento do comité provincial do seu partido, não podendo responder pelos efeitos colaterais e respectivos sacrificados subordinados. Hoje é segunda, caramba, a mangonha do weekend vem mesmo a calhar. Que se lixe a crónica.
segunda-feira, 7 de Julho de 2014
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HISTÓRICO
Se estivesse em vida, completaria no próximo dia 26 de Julho o 70.º aniversário natalício. É também o mês do 15.º ano desde que faleceu de doença. Decidi homenagear a partir de 15/06 (com fotografias e trechos literários ou não com os quais se relacione directa ou indirectamente) a memória do cidadão Victor Manuel Patissa (1946-2001), o pai que durante os anos difíceis da primeira e segunda repúblicas nos vimos forçados a dividir com as missões de Estado, destacado em zonas de alto risco de ataques de guerrilha, cabendo à mãe a responsabilidade de preencher o vazio. Não me lembro de termos feito no lar festa alguma de aniversário, fosse por ele ou por qualquer outro membro, embora não se possa dizer propriamente que as datas e efemérides lhe fossem indiferentes, se considerarmos até o monte de feriados que o calendário socialista acarretava. Foi um homem com as suas qualidades e os seus defeitos, fez leituras consoante as suas convicções, ingenuidades e cultura. No lugar dele, eu talvez tivesse tomado uma ou outra decisão mais flexível diante de indignações de trajectória, mas ele lá teve as suas razões. Depois da grande homenagem que a família lhe prestou, aquela da transladação das suas ossadas do cemitério do Luongo para o jazigo construído na aldeia de Tchindumbu (como que a devolver o filho à Terra em que despertou na década de 1960 para a actividade política, depois de ver o pai preso, torturado e desterrado para São Nicolau, hoje Bentiaba), a recolha da memória fotográfica é algo complementar. Tomei eu a liberdade de a levar a cabo (sem precisar de pedir autorização a ninguém por mexer neste passado desértico, com o qual não tenho problemas nenhuns, nem ninguém devia ter). Não me move endeusar ViMaPa (acrónimo com que gostava ele de assinar) nem lhe dar uma importância histórica que não merecesse, muito menos cobrar o que quer que seja.

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