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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Rubrica de homenagem até 26 de Julho | VICTOR MANUEL PATISSA 70 ANOS (2): A MOTO BRINCALHONA

(Da dir. à esq.) em pé: Henrique Avindo Manuel,
 uma moça com bebé cujos nomes não recordo, a
Rosa Ngueve Gociante Patissa, ViMaPa,
Francisca Canete, Maurícia Kwayela Manuel Patissa
 e Daniel Gociante Patissa.

SENTADOS: Albino Huambo Serviço, Imbo,
Nicodemos Quintas Sabino.
FOTO DE APROXIMADAMENTE 1989
O meu pai tinha comprado uma motorizada de um amigo seu, que também já não está em vida, da Bela-Vista, um daqueles bairros mais visuais do Lobito. Os pais por vezes compram bens como amigos, não com olhos de clientes. Em casa, o veículo não teve recepção feliz. Podre, velha e outros adjectivos iam a ponto de implodir no peito de praticamente todo o mundo, embora sem o manifestar abertamente. Eu cá acho que a moto até era generosa para as crianças. Muito. Diria até interactiva. No quintal, calhava ser atingida com a nossa bola de saco, e ela, a moto, deixava cair uma peça, como que a multiplicar brinquedos. Assim, a brincadeira que era só nossa, passava a ser dela também. Com os adultos é que não sei se seria tão amável. Não é que já no dia da aquisição entendeu pregar uma enorme partida ao comprador!... Ao descer o sempre congestionado morro da Vista Alegre, constou-nos (no relato do velho, que não era de acelerar pouco) que a moto perdeu os travões, o que levaria o utente a desenrascar, como nos filmes extremos, para imobilizá-la com o calcanhar. Resultado? Chegou à casa só com um pé dos chinelos que calçava. Tenho a impressão que se conseguiu devolver o produto e muito provavelmente saiu beliscada a relação de amizade. Moral da história: amigos, amigos; negócios (podres) à parte.
Gociante Patissa (conto em construção)


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HISTÓRICO
Se estivesse em vida, completaria no próximo dia 26 de Julho o 70.º aniversário natalício. É também o mês do 15.º ano desde que faleceu de doença. Decidi homenagear a partir de 15/06 (com fotografias e trechos literários ou não com os quais se relacione directa ou indirectamente) a memória do cidadão Victor Manuel Patissa (1946-2001), o pai que durante os anos difíceis da primeira e segunda repúblicas nos vimos forçados a dividir com as missões de Estado, destacado em zonas de alto risco de ataques de guerrilha, cabendo à mãe a responsabilidade de preencher o vazio. Não me lembro de termos feito no lar festa alguma de aniversário, fosse por ele ou por qualquer outro membro, embora não se possa dizer propriamente que as datas e efemérides lhe fossem indiferentes, se considerarmos até o monte de feriados que o calendário socialista acarretava. Foi um homem com as suas qualidades e os seus defeitos, fez leituras consoante as suas convicções, ingenuidades e cultura. No lugar dele, eu talvez tivesse tomado uma ou outra decisão mais flexível diante de indignações de trajectória, mas ele lá teve as suas razões. Depois da grande homenagem que a família lhe prestou, aquela da transladação das suas ossadas do cemitério do Luongo para o jazigo construído na aldeia de Tchindumbu (como que a devolver o filho à Terra em que despertou na década de 1960 para a actividade política, depois de ver o pai preso, torturado e desterrado para São Nicolau, hoje Bentiaba), a recolha da memória fotográfica é algo complementar. Tomei eu a liberdade de a levar a cabo (sem precisar de pedir autorização a ninguém por mexer neste passado desértico, com o qual não tenho problemas nenhuns, nem ninguém devia ter). Não me move endeusar ViMaPa (acrónimo com que gostava ele de assinar) nem lhe dar uma importância histórica que não merecesse, muito menos cobrar o que quer que seja. 
Daniel Gociante Patissa 
www.angodebates.blogspot.com

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