PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 26 de abril de 2016

Trecho | África na literatura - romantismo?

"Falar de África nos termos do pessimismo de romancistas africanos, ou da literatura de viagem, é algo que poucos escritores angolanos tenham feito. O que é compreensível se concordarmos que um dos mais preocupantes traços da literatura angolana é o seu total desfasamento da realidade social. Há muito poucos escritores que conseguem compreender esta sociedade com a acuidade e a profundidade dos nossos letristas de kuduro e rap, por exemplo. A única excepção, que eu saiba, é Albino Carlos, no seu romance de estreia, Olhar de Lua Cheia. Raramente li descrições tão cruas e reais sobre a vida dos musseques. Luandino Vieira criou o seu estilo de falar dos musseques, muito romantizado, como se o seu grande desafio fosse apenas escrever poeticamente sobre estes espaços. Existe muito pouco espaço para romantismo nos musseques de Albino Carlos, no pós-independência, durante os piores anos do país – culpa também da longa guerra civil. No musseque, escuro e lúgubre, as pessoas matam-se por muito pouco, prostituem-se para alimentar os filhos, e sempre a gravidez precoce a mostrar às adolescentes a ilusão que é a luta por uma vida diferente da que tiveram os seus pais. Tudo cheira a álcool, vidas destruídas e lares desfeitos."
 (António Tomás, in portal «Buala», 26 Novembro 2012. Disponível na Internet)

Sem comentários: