PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 19 de abril de 2016

[Oficina] Crónica | Fui vê-la à cozinha

Texto de Lauriano Tchoia
Luanda, 19.04.2016
Ficha tripla e conexões, cama, beata de cigarro e uma chávena de café fazendo a tralha pelo quarto comum. Estava chamada por dentro uma autêntica reserva natural ao desarrume, era a bagunça em desfile enquanto eu não me desfizesse daí.

Nove horas, manhã de um dia chuvoso e o sol que não quer chamejar assiste desde a órbita o empenho da dona de casa.

Cama quase vazia, apenas eu teimando abraçar o meu direito ao descanso, merecido ou não, ninguém para confirmar! Candeeiro ainda aceso sobre a banca e o laptop no seu corpo distraído sobre a cama, ia fazendo de mim o utilizador emérito na execução gráfica do desfile de contos que me vêm do cérebro.

“Filho vá ao banho que o pequeno almoço já está servido”. Ela interrompe, deixa o perfume, um sorriso no ar e sai, depois de selar em mim, um beijo nos lábios e na testa. Adorei!
Dado o sim a concordar em voz viva, um abanar afirmativo da cabeça, antes, porém, uma revisão à frase do meu texto:

...emprestará o calor para uma viagem calma e sólida para as terras Lundas, passando por Xamuteba, com o pensamento firme ao propósito que nos levava as terras de Muantianvua. Denuncia de tragédias liam-se na estrada, pelo amontoar de malogradas viaturas inertes sobre o solo...  (fiz uma pausa a mando do mouse, tinha de sair dai).

Para desfazer-me da preguiça o banho foi o santo remédio, valeram os copos de ontem no Jango Veleiro para abrir o apetite de hoje e o caldo sobre a mesa ser devorado num ápice, deixando no final o sabor meio amargo do gindungo sobre o céu da boca.

Não resisti, fui vê-la à cozinha. Empenhada sobre o fogão, cheiro gostoso do molho atirado para o ar. No forno desfilavam doces que faziam a delícia da família, enquanto o suor caía-lhe levezinho do rosto.

Parei e olhei firme para ela, um “zum-zum” alhei me dizia que era entre estas mãos de fada que a vida da família se fazia.

Aproximei-me, pedi que fechasse os olhos (via-a mais bela), era uma visita de cortesia que eu fazia ao seu canto, fluí meus dedinhos da testa aos lábios, o meu beijo colou no seu ombro entre a alça da blusa e o pescoço, de seguida a minha voz no seu ouvido disse-lhe:

“És a mulher que Deus me deu”!

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