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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Crónica | Milionários também, modéstia à parte

Das justiças, ou não, da vida e das convenções.

Certa vez, no uso da palavra, determinado líder partidário na oposição discorria a sua prelecção sobre as falhas da governação no seu país. Do amontoado que é a prolixidade congénita em um discurso político-partidário, destaco por ora o parecer negativo do orador no que concerne à equidade e por aí vai.

Tomada a palavra, um eminente opositor à oposição nestas andanças chamou a atenção para a necessidade de um diagnóstico razoável e quê e tal. E não se achando suficientemente esgrimista, mas sem dispensar a elevação a si também costumeira, teria acrescentado à guisa de réplica o que reproduzo a seguir, exercício para o qual convoco a margem de erro de quem cita de memória e a soberana subjectividade de um cronista:

"Excelência, a própria vida é injusta; repare como está montado o cenário desta nossa conferência: Vossa excelência está protegido pela sombra e em assento confortável, enquanto nós estamos ao sol. Vossa excelência não pediu isso, pelo que eu saiba, é o tratamento que a organização julga merecerem os convidados do vosso ilustre nível."


Bem, não sendo propriamente um adepto das retóricas circunstanciais do bicho-homem-político, nem me dei ao trabalho de esperar pelo fim do evento nem pela tréplica do prelector. O que todavia se fez inevitável de soar na mente de lá para cá é a sineta das injustiças que uma vez a outra residem nas formas de tratamento.

Eis que mais uma vez, o que não deve ser bom sinal porque frequente nos últimos dias, me vejo obrigado a protestar contra produtos informativos na comunicação social angolana. Agora há pouco vinha eu a conduzir e ouvindo o noticiário, quando me fez "pó" (como diria o português) o realce dado a Donald Trump, candidato a presidente dos EUA, que o locutor fazia questão de pontuar por ser milionário, como se eu e mais outros na função pública angolana também não o fôssemos, modéstia à parte.

Isto por cá, nunca é demais lembrar, desde que se vetou a importação de carros usados, a coisa andou um bom bocado para frente. É tudo zerinho. Basta ir a um banco da esquina (e de quando em vez, que é para não variar assim muito, subornar lá o tipo das autorizações) e sacar um crédito. Sempre a começar por não menos de milhão.

Por acaso tem o noticiarista noção de quantas viaturas da grande maioria (por baratas e básicas que sejam) circulam pelas estradas de Angola, já sem incluir a província milionária e ao mesmo tempo capital que é Luanda? Então... Mas o quê que é isso de tratar Trump por milionário e os demais angolanos pelo nome?! Ah, era para nos lembrar que os nossos milhões já quase nada compram, ainda mais agora com a crise financeira e a desvalorização do Kwanza ao triplo, não é? Ah, pois, assim… está bem.
Gociante Patissa, Benguela, Angola, 27.04.2016
www.angodebates.blogspot.com

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