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quarta-feira, 9 de março de 2016

Rubrica Crónicas do Metro | Não pude deixar de ouvir

Texto de Alexandra Sobral
Lisboa, Portugal
Hoje não andei de Metro. Tinha de ir almoçar com uma cliente, perto da praia da Adraga (até parece que não faço mais nada, senão andar em almoços e jantares… enfim, de vez em quando concentra-se o social e dá nisto… e, a cause de, o que não dirão as más línguas, mas adiante…) a um estabelecimento que foi revelador das mais apaladadas e apelidadas “entradas”, que se me foram apresentadas a degustar nos últimos tempos. Tanto assim que delas, das “entradas”, não saí. Mas falar dos prazeres do palato apenas serve de intróito ao que aqui me traz, ou seja, a necessidade que uns, uns mais que outros, têm de se fazer ouvir, mesmo por aqueles que nisso não estão interessados. Lá pelo meio da segunda “entrada”, não obstante ser boa a conversa com a minha interlocutora, não pude deixar de ouvir o que um empertigado cavalheiro fazia questão de perorar, de forma bem audível para a outra ponta da sala, que era, de resto, onde eu me encontrava. Dissertava o mesmo sobre o quão são"petites" as mulheres, algumas, claro, esclarecendo que com isso pretendia dizer que as mesmas são fofinhas, docinhas, lindinhas, simpaticazinhas e outras coisas terminadas em inhas que não me dei ao trabalho de decorar. Lindo e enternecedor e agoniante… Não que eu seja dada a preocupações libertárias, porque há que tempos que sei que entre homens e mulheres a equidistância se afere pelos conhecimentos, competência e empenho que todos, e cada um, como seres humanos que são, manifestem, mas sempre me irritaram paternalismos, venham eles de onde vierem. Paternalismos, machismos, racismos, xenofobismos, chauvinismos e outros da mesma laia que se resumem à mania de uns têm de que são mais do que os outros. E isso leva-me às queixas que foram feitas, bem feitas por sinal, junto da ERC, por via do título mesquinho, desprovido (para outra expressão não usar) daquele pasquim infecto denominado Correio da Manhã, acerca dos chamamentos da cega e do cigano para o Governo… Mas isso levar-me-ia a outros considerandos que não cabem por aqui, pelo menos por hoje.
Depois falamos.
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(*) No Blog Angodebates, uma rubrica com textos da nossa amiga Alexandra Sobral, advogada de profissão, que, utilizando um transporte colectivo em Portugal, põe o seu sentido de observação em acção. Resulta disso um trabalho individual que passa a valer (se não muito mais, pelo menos) o dobro, uma vez submetido ao exercício de tradução de emoções pela via da escrita e partilhado no espírito cosmopolita da comunicação e socialização. Originalmente publicadas no mural Facebook da autora, saem com o genérico Crónicas do Metro, sendo da responsabilidade do Angodebates o complemento dado ao título para facilitar a distinção entre uma e outra. Dá imenso gosto passear por Portugal à boleia destes breves apontamentos

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