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domingo, 6 de março de 2016

Crónica | Estará um Big Brother acima do prestígio do Ladislau?

Foto do seu mural no Facebook
Amigos, colegas e familiares juntaram-se à indignação do jornalista Ladislau Fortunato , em consequência de o profissional ter perdido a oportunidade de enriquecer o seu curriculum, desta feita para integrar a direcção de conteúdos do Big Brother Angola e Moçambique, a convite da organização.

A Direcção local da TPA, sua entidade patronal, é acusada de má-fé, havendo quem preferisse usar termos muito mais incisivos no campo da fulanização do juízo de valores. É claro que vários precedentes foram chamados à liça, recaindo a eventuais conflitos internos entre o profissional e a liderança. Neste campo não entrarei, naturalmente, até para salvaguardar a equidistância e não atiçar ainda mais as relações entre as partes. Eu também ergueria (se construtivo o fim fosse) a voz a favor da ida dele, até por ter uma consideração enorme pelo Ladislau, a quem devo a minha revelação para os campos da comunicação e literatura (foi em 1995 que uma equipa de reportagem por si dirigida me descobriu por acaso na Catumbela).

O Ladislau é um profissional brilhante, com mais de duas décadas de casa, tem impressões digitais na maioria dos programas da estação, sem falar da sua polivalência. O convite não poupou elogios ao seu palmarés. Nos termos do contrato que lhe foi proposto, iria passar três meses na África do Sul, talvez o mais prolongado tempo de suas internacionalizações, sendo necessária uma dispensa do empregador, que teria tardado até esgotar-se o tempo necessário para cuidar da papelada migratória. Mas por tudo o que leio de reacções, parece-me escapar um detalhe determinante, aquele que tem que ver com o formato. Estará o BIG Brother acima do prestígio do nosso Lau?

Não lhe consegui dizer pessoalmente, pois o senti entusiasmado. Mas por aquilo que tem sido a história das nossas participações de angolanos no Big Brother, com as tristes figuras de Tatiana Durão, Ricco, Rui Mestre, Larama e outros, estou em crer que pouco ou nada acrescentaria às vitórias colectivas a ida do Lau (independente de não ser actor, mas realizador), a não ser que futuramente se venha a organizar um projecto similar. O Ladislau já esteve a cobrir grandes eventos comerciais e diplomáticos nos Estados Unidos, manobras militares da União africana por esta África, e outras tarefas mais nobres, intelectual e moralmente, pelo que a TPA deve esforçar-se no sentido de o estimular e valorizar. É de deplorar a falta de transparência que consta ter existido na hora de lhe ser transmitida a não autorização.

E como consumidor interessado na recolha das nossas realizações culturais e antropológicas, que tão bem o programa televisivo Terras e Culturas retrata, sob direcção do Lau, e se tivermos de hierarquizar os ganhos, mais ganha Angola tendo-o cá do que emprestá-lo para servir na produção de conteúdos de uma futilidade e imbecilidade que é o Big Brother. É certo que ninguém é insubstituível, mas... prefiro acreditar que a grande oportunidade para o salto na carreira está ainda para vir. Um abraço.
Gociante Patissa, Benguela, 6 de Março 2016

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