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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Partilhando leituras | Esquemas de argumentos que funcionam

Existem muitas maneiras clássicas de se construir um argumento: o caçador caçado, o triângulo amoroso, o mundo do avesso, a astúcia diante da força... Se nos aproximarmos um pouco, vamos observar que esses modelos podem reduzir-se a alguns esquemas conflituantes básicos. Sem pretendermos esgotar o assunto, propomos estes quatro que, bem trabalhados, sempre atraem o interesse do ouvinte.

- Existe uma CULPA e vários suspeitos: Trata-se de descobrir quem é o culpado e por que age assim.100 É o esquema típico do gênero policial e de tantos filmes de suspense. Com freqüência esses argumentos são finalizados com um julgamento ou com uma acareação final entre todos os implicados

- Existe um DESEJO e outros candidatos: Trata-se de averiguar quem consegue o objeto ou a pessoa desejada e a maneira como consegue. No final das intrigas e dos desenganos, quem ficará com quem? O gênero romântico não pode prescindir desse esquema. Tampouco a infinita gama de dramas passionais que giram em torno do amor, do dinheiro e do poder.

- Existe um PERIGO e poucas escapatórias: Trata-se de conhecer como o protagonista vai encarar os obstáculos que se apresentam, as 100 Umberto Eco. “No fundo, a pergunta fundamental da filosofia, assim como a da psicanálise, coincide com a do romance policial: quem é o culpado? (Apostillas al nombe de la rosa, Barcelona, Lumen, 1984, p.59).

O cinema norte-americano, refletindo a sociedade leguléia desse país, tem abusado desse esquema. Experimente contar os filmes que terminam na sala de um tribunal e perceberá o novo deux ex machina com que trabalham. ameaças cada vez maiores que o acossam. O gênero de aventura, os chamados filmes de ação, são o melhor exemplo desse esquema.

- Existe um MISTÉRIO e nenhuma pista: Trata-se de resolver a intriga. Quanto mais obscura se apresente, mais excitante será. Os bons argumentos de terror se apóiam nesse esquema. Os ruins, lançam mão de truculências, saturação de gritos e efeitos especiais.

Como os minerais, esses esquemas — e outros do gênero — não costumam ocorrer em estado puro. Amalgamam-se uns aos outros. Um argumento de ficção científica pode basear-se nas peripécias e perigos da viagem espacial. Mas não vai faltar a traição de um dos tripulantes. Nem um enigma indecifrável. Nem um romance dentro da nave.

José Ignacio López Vigil, in «Manual Urgente Para Radialistas Apaixonados», Pág. 117. Edição Paulinas, 2004. São Paulo, Brasil.

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