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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O renascer da esperança | Reabilitação da via rápida Lobito-Catumbela arranca brevemente

A estrada alternativa que liga os mercados do Sa Pangele (município do Lobito) e Katombela (município da Catumbela), passando pela ligação do mercado da Kalumba com o Bairro da Luz, será reactivada dentro de um ano. Espera-se um trabalho de fundo consubstanciado na drenagem (com realce na zona do São João) e a aplicação do tapete asfáltico, o que ajudará a descongestionar o tráfego até agora afunilado na estrada nacional número cem. A informação foi tornada pública hoje (25/01) pelo governo da província de Benguela, através do administrador municipal do Lobito, Alberto Ngongo, que garantiu estar para breve o início da empreitada, sem no entanto precisar a data nem o orçamento.

A portuguesa Mota Engil é conhecida pela qualidade do trabalho nos troços Lobito-Benguela e Lubango-Namibe, mas a minha experiência de observador cidadão alerta que um ano parece pouco tempo para a complexidade da empreitada, num mercado em que os prazos acabam sempre sendo elásticos. Mas ainda assim, seria desastroso confiá-la a uma eventual empresa chinesa, pelo simples critério da rapidez na conclusão da obra em detrimento da resistência dos materiais e da sua durabilidade.

Depois da tentativa fracassada de reabilitação da via em 2007 pela BCOM, desta vez parece que é para valer, pelo que, enquanto antigo morador do Bairro Santa Cruz (o do estádio do Buraco, da Académica do Lobito), só podia ser enorme a alegria com que recebi a notícia, sendo a minha mais uma das vozes que ao longo deste tempo vêem fazendo pressão pelo troço, como cidadão e obreiro literário, como atestam os trechos que se seguem, da crónica de fim de ano:

"Dediquei-me ontem a mais um exercício de reencontro com o meu passado que, para quem não passa da casa dos trinta anos, só pode ser recente. Escolhi radiografar a via alternativa à estrada nacional número cem, aquele troço que vai da Catumbela à Kalumba. Só poeira e sacudidelas. Nada mais lembra o asfalto do tempo colonial, nem a hibernada promessa da sua reabilitação há quase uma década. Mas conduzir ali, olhando pelo outro lado da moeda, a par do suplício de ver o carro envelhecer vários anos por minuto, tem o seu lado altruísta: dá de comer o mecânico e o vendedor de peças. 
(...)
A condução faz-se devagarinho, muito abaixo dos medianos 30 km/h actuais, num troço de 6 Km que frequentei durante seis anos lectivos a pé. Já agora, usando do direito do escritor ao egocentrismo, depois de ouvir um veterano reivindicar investimento a uma aldeia, por ter sido ali circuncidado… peço atenção a esse troço pelo seu contributo na história sócio-económica da província de Benguela."
Gociante Patissa, 25 Janeiro 2016

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