PONTOS DE VENDA

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Diário | Ai, palavra de homem não conta?

“Excelência Investigador, eu sou aquele que ontem veio buscar notificação.”
“POIS CLARO! ENTREM!”
“Trouxe já o burlador…”
“SENTEM-SE. O QUEIXOSO TEM A PALAVRA!”
“Excelência Investigador, o que o outro me fez… se até aqui ainda não cometi, é mesmo já graças À tal educação de ignorante que temos. É que eu sou muito ignorante. Porque se a pessoa não ignora as provocações e falta de respeito, qualquer dia comete um homicídio…”
“VÁ DIRECTO AO ASSUNTO, CAMARADA, NÃO HÁ TEMPO A PERDER!”
“Então o outro me adeve dinheiro e, na hora de pagar, não quer pagar os juros?!”
“É só porque o outro não quer entender a outra parte. Quando recebi um e meio, era para o tratamento da tua cunhada na Namíbia…”
“UM E MEIO QUÊ?”
“Mil e quinhentos Dólares, chefe! Era para dar juros de quinhentos Dólares. Como o crédito estava a atrasar, então fui fiar um e meio para pagar dois. Só que depois com a crise complicou…”
“Mas quando fiaste, não estávamos sentados só os dois, aqui eu e aqui você? Havia uma terceira cadeira para a crise sentar?! Eu só mudo de posição na cama, na boca não, ouviu?”
“EXPLIQUEM-SE MELHOR!”
“Chefe, naquele tempo, mil dólares era cem mil Kwanzas. Só que o crédito bancário de 500 mil Kwanzas demorou muito. Agora que saiu, ainda assim graças a um filho alheio, de boa-fé, que só pediu gasosa dele de dez por cento. Hoje em dia, no banco, para te dar crédito, é rezar. A nota que era dez mil, agora na rua comprar está 30 mil. Com a crise, chefe, 1500 dólares no câmbio da rua ficou por 450 mil Kwanzas. Por isso pedi para o outro receber só o dinheiro dele, o juro, palavra de honra, não consigo pagar.”
“Mas tem contrato assinado?”
“Não, excelência Investigador. Foi tudo bocal…”
“Queres dizer verbal?”
“É isso, excelência. Foi tudo verbalizado bocalmente.”
“Falar que vou pagar juros, chefe, estou a mentir. No banco vão-me descontar cinco anos. Ainda tenho renda de casa. Propina das crianças. Era só o outro entender…”
"POR ACASO, PAGAR A DÍVIDA FICOU-TE PELO TRIPLO..."
“Você vai falar isso ao lado da pessoa de sua Excelência o Investigador?! Assim já queres chegar aonde? Excelência, me dá só ainda licença – tufas! tufas! – tufas! Te dei! Bem dado! Agora refila mais!”
“MAS QUEM É QUE O CAMARADA PENSA QUE É PARA AGREDIR ALGUÉM NO MEU GABINETE?”
“Eu tenho sistema nervoso, chefe. Já fui ignorante demais. Ignorei muito a provocação dele. Agora não aturei… Dei duas bofetadas e um pontapé. O chefe não vê como ele não reagiu? É porque sabe que errou. Ou não é assim?”
“OFICIAL-DIA! RECOLHE-ME ESTE DETIDO PARA A CELA!!!”
“Detido em cima do meu dinheiro?”
“VOCÊ TEM ALVARÁ PARA CONVERSÃO DE MOEDA E CRÉDITO?”
“Excelência! Ele e eu se apertamos a mão. Ai, palavra de homem não conta?”
Gociante Patissa. Lubango, 10 Janeiro 2016

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