PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 7 de abril de 2014

DIÁRIO de dentro do banco

As filas do banco são um acontecimento em si. Adoro-as ao menos pela sua sinceridade. No final ou princípio de cada mês, é a altura mais aconselhável para as observações, ainda que venham logo de imediato a ser engolidas pelo silêncio do politicamente correcto. Algumas agências instalaram dispositivos, mesmo já como forma de minimizar os efeitos da subjectividade humana. Até porque, trazendo para a conversa a lógica de ordenamento do trânsito, o semáforo é sempre preferível ao critério do agente de apito à boca. O que gosto de ver nos bancos é como a tecnologia assume o papel de presépio, porquanto as enchentes enchem de graça a casa. Só assim se explica que haja apenas um caixa, quando tantas senhas sofrem de húmidas na mão que aguarda atendimento. Enquanto isso, como que em ultrapassagem à direita, vêm uns e vão outros. Entram com cara de susto, não se dão à maçada de premir o botão que imprime a senha da ordem de chegada e saem pouco depois. Os critérios? Uma barba branca, por vezes, uma gestação (aqui nada discutível), ou na maior parte dos casos um sorriso eloquente, um sobrenome elegante ou a pele mais clara. E todo o resto se cala com receio de ser rotulado... porque somos uma nação que reprova o preconceito, exceptuando circunstâncias particulares em que ele, o preconceito, revestido de silêncios, nos beneficia e faz regra.
Gociante Patissa, Benguela, 7 Abril 2014

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