CITAÇÃO: "Antes de Gorbachev, não podíamos abrir nossas bocas. Agora podemos, mas nada temos para meter nelas". (In The Doomsday Conspiracy)

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Crónica: O governo ideal para a Angola do Chipilica

Quando a energia eléctrica vem, inicia-se aquela automática contagem decrescente para a sua ida – que não se pode dizer que seja de soslaio, por se tratar até de um ciclo idoso da banda.
Chipilica Eduardo
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É, aliás, daí que parte a força de reclamar quando ela demora a voltar. Eu sou um tipo feliz – não o único, claro –, que não sofre das idas da luz. Nunca chegou a vir mesmo, lá, nos bairros em obra – chamemos-lhes assim, por andarem na esperança de se vestirem de água, asfalto e luz eléctrica, enquanto a poeira tenta desmentir as pinturas.

Mas como o ser humano não se sente completo se lhe falta sofrimento, costumo sofrer de luz em casa da kota (como já sei que o pessoal do estrangeiro pode entender torto, vou esclarecendo que kota, aqui, é pessoa mais velha, irmão, essencialmente. Mãe ou pai eu chamo velha ou velho). É desse vício de ler e escrever, pensando com o computador.

Curtos minutos após a luz – por ter vindo, obviamente – escapulir, recebi uma mensagem no telemóvel: veja n club k o q Chipilica acabou de fazr…! (Sic). Pus-me logo – para citar um poeta amigo – em espragatas mentais, que são, afinal, a semelhança mais próxima. Mas esse Chipilica Eduardo fez mais o quê então? Com a luz eléctrica, que me responderia no computador, era certo que só nos avistaríamos na manhã seguinte.

Liguei para o remetente da mensagem, que não sabia se ria ou se chorava pela nomeação – note-se, à revelia – para o governo (que é para não ficar fora de moda, digo executivo) do amigo Chipilica. O nomeado, jornalista, menor de 30 anos e com formação ainda por concluir em ramo do saber diferente da pasta indicada, julgava tratar-se de brincadeira com sabor a ironia (bom, mas o actual administrador de Benguela tem quase a mesma idade). Inevitável, uma pergunta escapa-me: ele nomeou por acreditar nas vossas capacidades, ou é uma forma de te associar aos do contra? Não me soube responder.

Na manhã de hoje tive contacto com a matéria no site citado. A conclusão a que se chega é que é difícil chegar-se a conclusão alguma, dada a inexistência de fundamentos. “Inspirado numa conversa com amigos que diziam em Angola já existe um governo de transiçao verdade ou não apresento os possiveis canditados” (Sic). Depois desta curta introdução vem a lista de nomeações, que terminam com um “em breve a 2 parte” (Sic).

Acompanho o club-k e outros serviços digitais de informação sobre Angola. Tenho uma relação sem queixas com o Chipilica, jovem estudante de Direito e autor (preguiçoso) de poesia e contos radiofónicos. Há por aí dois anos, desabafou sobre comentários insultuosos de alguns cibernautas, o que via como violação do direito de cidadania e passível de responsabilização. Disse-lhe para estar preparado, que era consequência natural do meio virtual, por quanto se lida com assuntos que promovem debates.

Desconheço a motivação do Chipilica neste exercício, mas não deixa de ser sintomático que haja apenas uma mulher nos 17 postos do seu governo ideal para Angola. Misoginia, ou distracção (culpável) apenas, amigo?

Gociante Patissa, Benguela 4 de Janeiro 2012

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